quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Viver no Rio

O Rio de Janeiro continua lindo e quente. Muito quente!

Já estou aqui há quase seis meses. Não canso de descobrir a cidade. O que há de bom, muito bom e o que há de bem ruim. No balanço geral, estes primeiros seis meses me dizem que fiz a escolha certa. Estou satisfeita de enfrentar, aos mais de 50, o desafio de viver em uma cidade nova, criando novos laços, estabelecendo novas redes.

Se nos primeiros seis meses o trabalho remunerado foi escasso, o ano de 2013 promete bastante trabalho. Estou animada por estar em uma cidade maior, com mais oportunidades, mais coisas acontecendo.

Mas falemos do Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa. O que há de bom aqui? Uma das coisas que me encanta é a diversidade, as possibilidades tanto geográficas quanto culturais. Assim como estamos no meio do fervo, com trânsito, barulho, mau cheiro, calor, podemos pegar o carro e subir para a Floresta da Tijuca, ver o verde, sentir o cheiro do mato, ouvir o silêncio. É o que temos feito nos finais de semana, recarregando as baterias para enfrentar o cotidiano de filas imensas no supermercado e muito barulho.

Ali atrás, a mesa do imperador. Perto da Vista Chinesa, construída em homenagem aos cnhineses que foram importados para o Brasi com o intuito de que plantessem arroz nos morros. Não deu certo. Trabalharam na construação da estrada. Que bom!
Hoje, depois de viver um tempo aqui, concluo que teria sido melhor procurar um apartamento em Copacabana, onde as calçadas são mais largas e o comércio mais rico. Botafogo, um bairro antigo, tem lá seus encantos também. As casas e palacetes, preservados ou não, dão diariamente novas perspectivas sobre o tempo, fazem viajar na história. A caminhada do metrô até em casa, com vista para o Cristo, também fazem viajar.

E, por falar em história, aqui a gente pisa na história do Brasil hegemônico o tempo todo. A curiosidade aumenta, a gente liga o lugar à história estudada na escola e tudo se torna mais claro. Exemplar é a visita ao Palácio do Catete. Mas não única possibilidade de viver a história. Por outro lado, quando digo "Brasil hegemônico", me refiro ao fato de que, aqui, os outros Brasis não são referenciados com muita frequência. De certa forma, vive-se como se fosse uma síntese do país. Sul, norte, nordeste só existem por conta da quantidade de imigrantes destas regiões. Estranho.

Aos poucos, os moradores que conheço vão me apresentando a cidade. Explicando seus detalhes, as formas de convivência, os valores que a permeiam. Estas descobertas só me enriquecem e, às vezes, me irritam. Como descobrir que, em alguma medida, esta é uma cidade sem lei (menos do que já foi, mais do que deveria ser). As diferenças nem tão sutis entre a zona sul e a zona norte da cidade também são uma surpresa para quem sempre veio para cá como turista.

Vista do Morro do Cantagalo
 
Uma das coisas bacanas que me aconteceram aqui, foi ter feito um trabalho "etnográfico" visitando famílias de diferentes perfis, moradores de diferentes bairros e comunidades. Me permitiu conhecer um pouco mais das profundas diferenças que existem e que se observa ao andar nas ruas, mas observa-se melhor ainda ao entrar nas casas de classe A, B e C. Andar pelos morros é também uma atividade atraente, que, feita com um olhar mais apurado, ensina muito sobre a vida da cidade e as diferenças no Brasil.

Estátua do Micheal Jackson, Morro Santa Marta

Fico animada, encantada, estimulada, com as muitas possibilidades de conhecer, trabalhar, pensar. Saber que sempre está acontecendo alguma coisa, mesmo que eu fique em casa porque o calor está demais. Que os cinemas, com filmes variados, fica a menos de 1 km de casa. Que qualquer ônibus que passa ali na Voluntários ou na São Clemente, me leva a qualquer lugar. Que as ruas do centro guardam tesouros de arquitetura impressionantes. Que na biblioteca Nacional posso consultar qualquer livro publicado no Brasil. Que na minha rua tem um museu e na rua logo abaixo tem outro, e na rua do lado tem mais uns dois ou três. Dia desses, saímos para uma caminhadinha noturna e quando vimos estávamos dentro de uma Vernissage.

As possibilidades parecem não se esgotar nunca. Não paro de recordar as muitas experiências que já vivi aqui. E, claro, tem as praias!

Amo esse movimento, este fervilhar. Era disso que eu precisava, agora.
 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Simpósio temático no Fazendo Genero - call for papers

Dear All,

We proudly invite you to participate in the Thematic Symposium 019 - "Consumption and Gender: problematizing discourses and practices", that will take place during the International Seminar Fazendo Gênero 10 - Desafios Atuais dos Feminismo (Doing Gender 10 - Current Challenges of Feminisms), in Florianópolis, Brazil, 16 to 20 of September of 2013.

You can submit your paper until March, 20th.


Thematic Symposium abstract:


Several studies from different approaches and conceptions based on common sense consider women as “consumption experts”. Besides, different perceptions and understandings about the male and female role in consumption may be observed nowadays. There are also studies that take housekeeping and consumption as part of women’s domestic work, that are invisible in the everyday life.
These different approaches reveal not only gender perspectives but also stereotypes and assymetries that associate female and male with some activities and practices, with more or less social prestige.
Generally speaking, consumption are getting increasingly more relevant in academic, political and social spheres due to its recognized implications in the environment and the future of the planet. Discussions about the systems of production, consumption and discard of goods and services tend to understand the consumers as responsible, in their daily decisions, for issues that go beyond the simple satisfaction of their families needs. These reflections from the perspective of both environment and gender make clear the political dimensions of consumption and its role in social changes.
Studies of consumption practices and discourses also grow in relevance since they are part of broader social relations. They are linked to other realms of human experience permeated by gender conceptions, gender relations, social class, race and ethnicity, age, among many other variables. In this sense, diverse forms of consumption are part of the domestic arrangements, kinship relations, processes of individual and group identification. In other words, consumption is part of the everyday life.
This Thematic Symposium aims to bring together papers that problematize the relations between consumption and gender, in various modalities: food, clothing, transport, leisure activities, technologies, media images, etc

We will accept papers that analyse how gender shapes practices and discourses on consumption and is intersected by variables, such as social class, race/ethnicity, age, among others. We also propose a critical view of stereotypes and representations that surface from consumption practices and discourses.

We are looking forward to your submission!

Best regards
Eu e Viviane Kraieski
 
(sei que ninguém lê aqui, mas vai que...)