sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Compras em supermercado revelam como se perpetuam as desigualdades na divisão das tarefas domésticas entre homens e mulheres

Escrevi este texto em resposta a demanda da Carmen Rial, para defendermos o ensino de gênero na escola. Ele acabou ficando parado nos arquivos do meu computador, então resolvi publicar aqui. Poucos vão ler, mas taí um convite à reflexão sobre a reprodução dos papeis de gênero na nossa sociedade:



Embora os debates sobre a divisão igualitária das tarefas domésticas entre homens e mulheres tenham começado em meados do século XX, a questão permanece atual e continua gerando discussões inflamadas e questionamentos entre os movimentos feministas e a sociedade em geral. Não é para menos, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2011 mostram que, no Brasil, a quantidade de horas dedicadas pelo gênero feminino às atividades de manutenção do lar chega a ser 2,5 vezes maior que a do gênero masculino. Resta a pergunta: quase um século depois do início dos debates e com a significativa inserção das mulheres no mercado de trabalho, porque a cultura da “rainha do lar” permanece quase absoluta em nossa sociedade? Muitas são as possibilidades de explicação para isso. O conservadorismo da sociedade brasileira tem sido bastante exposto ultimamente nos projetos de lei e nos debates a respeito dos direitos (ou falta deles) das mulheres sobre o próprio corpo, na incitação à violência de gênero e nas questões referentes às diferentes composições de família, entre muitos outros exemplos.
Os debates públicos a respeito desses temas inflamam e trazem à luz situações anteriormente invisíveis, pelo total descaso das autoridades e dos meios de comunicação. Porém, mesmo que trazer a público essas questões seja importante para a tomada de consciência, há um espaço em que o conservadorismo se reproduz sem que as pessoas se apercebam: o cotidiano. É na vida diária, na execução de tarefas repetidas praticamente sem reflexão que nossos comportamentos e valores aprendidos se realizam e, concomitantemente, são ensinados para as próximas gerações.
É por conta destes comportamentos irrefletidos do cotidiano que a responsabilidade pelas tarefas domésticas continua sendo predominantemente feminina e a tendência é que assim permaneça durante muitos tempo ainda. Para ilustrar esta afirmação, trago alguns resultados da pesquisa que realizei durante três anos[ii], acompanhando mulheres de camadas médias da população de Florianópolis em suas compras de abastecimento doméstico em supermercados.
A pesquisa mostra que as compras de abastecimento, como forma de organização e planejamento do dia-a-dia doméstico, são extremamente eloquentes para a interpretação da cultura e de sua reprodução, incluindo-se aí a divisão das tarefas entre homens e mulheres, e a maneira como meninos e meninas são iniciados na arte de comprar e, consequentemente, administrar um lar.
“É tudo comigo”: compras e trabalho doméstico - Não é necessário muito esforço de imaginação para relacionar as compras de provisão com as tarefas de manutenção da vida cotidiana. Cuidados com a casa; alimentação e higiene pessoal; prestação de serviços físicos e psicológicos; administração da unidade doméstica; e manutenção da rede de parentesco e de amizade são, em geral, responsabilidades principalmente das mulheres e os materiais necessários para sua execução podem ser encontrados nas listas de compras de supermercado. As listas representam o planejamento para a administração de todos os aspectos necessários para que a casa e a família funcionem corretamente como unidade e como parte da sociedade.
Entre as mulheres que acompanhei, a maioria considera a si mesma como a única responsável por essas tarefas. Algumas se sentem responsáveis inclusive por comprar roupas para seus maridos. A resposta mais comum à pergunta sobre tarefas de abastecimento e administração do lar foi “é tudo comigo”, expressão às vezes acompanhada de reclamações pela sobrecarga de trabalho que isso representa. Junto com a queixa pelo acúmulo de trabalho, vem também a crítica contundente em relação à competência dos homens para as compras, ou seja, na opinião dessas mulheres, “eles não sabem comprar.” Mesmo as que afirmaram que são os maridos que vão ao supermercado acabaram por assumir que são elas que preparam as listas.
É importante notar que as queixas e críticas reproduzem as pressões culturais sobre o papel das mulheres como provedoras do bem-estar doméstico, acompanhadas pelo significado de ser uma boa mãe e boa dona de casa, mesmo nos dias de hoje. Isso significaria dizer que há, nas compras de abastecimento doméstico realizadas por mulheres, pouca autonomia, sendo caracterizadas mais como um trabalho a ser realizado em nome de uma família que deve ser alimentada e cuidada.
Feminino e Masculino no Supermercado - A pesquisa mostra as diferenças concretas e de significados entre compras realizadas por homens e compras realizadas por mulheres, estejam juntos ou separados no supermercado. Às mulheres cabem as escolhas dos produtos de limpeza, da alimentação do  cotidiano e da manutenção geral da vida doméstica – aquelas que só são percebidas caso faltem. Aos homens cabem as compras consideradas lúdicas: bebidas, a carne do churrasco do final de semana, os biscoitos e aperitivos, etc – aquelas percebidas como especiais.
Quando os homens vão ao supermercado guiados pelas listas que suas mulheres preparam não é raro usarem o celular para confirmar a marca escolhida, como aconteceu com Antônio, professor universitário, que ao ligar para sua esposa para confirmar um pedido explicou: “sabe como é a Taís, né? Se eu chego em casa com o produto errado, vou ouvir a semana inteira.”
De um modo geral, as compras masculinas têm maior visibilidade. Primeiro pelo fato de serem, na maior parte dos casos, exceções. Segundo, porque tendem a comprar em maior quantidade. Enquanto as mulheres entrevistadas encaram, na maior parte do tempo, as compras como trabalho e manifestam sua insatisfação com a obrigação de cumpri-lo, os homens dizem gostar. Talvez gostem porque suas compras não são revestidas da responsabilidade de suprir o necessário para o dia a dia.
Filhos e Filhas no supermercado - As crianças começam a ser socializadas por suas mães no mundo das compras antes mesmo de aprenderem a andar ou falar. Aprendizados sobre os papéis de gênero explicitam-se na observação de mães e filhas e nos relatos das compradoras a respeito de seus filhos. Enquanto as meninas caminham pelo supermercado com suas mães, participando das compras, ajudando nas escolhas e criticando a capacidade das mães para as compras, os meninos têm o direito de negar-se a acompanhar suas mães, comprar o que desejam, ou, quando a família está reunida na loja, acompanhar o pai nas compras de produtos lúdicos e/ou na exploração das novidades interessantes, como forma de se entreterem durante o processo de compras de abastecimento realizadas pela mãe.
A reprodução – Os resultados das observações feitas durante três anos indicam que mesmo mulheres profissionais de nível superior reproduzem, em seus cotidianos, os valores conservadores que permeiam a sociedade. Embora reclamem da sobrecarga de trabalho, concentram as responsabilidades sobre as tarefas domésticas, desconsiderando a possibilidade de dividi-las com os maridos. A primeira frase que usam para descrever suas compras é uma afirmação de si e de seu modo de fazer que, para cada uma delas, é exclusivo: “Eu faço assim”. Através da observação das práticas de compras fica evidente que fazem de acordo com o que aprenderam, e é evidente, também, que valorizam sua capacidade de dominar o espaço doméstico. A confiar em seus discursos, governam, quase absolutas, o reino da casa e as relações familiares e perpetuam esses valores através da forma diferenciada com que tratam meninos e meninas, no caso desta pesquisa, no espaço do supermercado.



[i] Doutora em Ciências Humanas pela UFSC, professora da Escola de Comunicação da UFRJ
[ii] A tese resultante desta pesquisa, “Mamãe vai ao supermercado: uma abordagem etnográfica das compras para o cotidiano” pode ser encontrada em https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/96415/302787.pdf?sequence=1

quarta-feira, 29 de julho de 2015

passeando pelo Rio

Sobrou um tempinho. Estou praticamente de férias. Praticamente porque dou um curso de Cultura e Identidade no IED, todas as segundas feiras deste mês. Porque sobrou um tempinho, convidei o Alf para bicicletar.

Temos feito isso com alguma frequência, pegamos as bicicletas do Itaú e saímos pelo Rio de Janeiro, onde tem ciclovia, para exercitar e ver a paisagem. Quando está para dar uma hora, a gente para onde estiver e faz o resto do caminho a pé ou de metrô ou de ônibus para voltar para casa. Tem sido uma boa experiência.
Já fomos parar na Lapa, mas antes passamos pelo aterro do Flamengo, pela Marina da Glória e pelo MAM.

Outro dia, fomos para Ipanema e Leblon. E ontem, meio de semana, paramos na Gloria. Se nos lugares anteriores repetimos passeios, ontem subimos para o Outeiro. Linda vista, linda igreja, bela sensação de turistar na cidade onde a gente mora - que é o destino turístico que mais habita o imaginário dos estrangeiros que vem para o Brasil.

Preciso fazer mais dessas, pq isso ajuda a juntar energia para enfrentar os meses de agosto e setembro de agenda lotada que vem por aí.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Um pulo até o outro lado do oceano

Pois então. Desde o dia 29 de janeiro estou no velho mundo. Vim especialmente para ver minha filha. Havia 2 anos que não nos tocávamos. O virtual é útil, aproxima, mas o toque e o convívio fazem toda a diferença.

Nos encontramos em Lisboa para 3 dias de passeio. Eu já tinha estado em Lisboa, ela não, mesmo que seja uma moradora da Europa. Dizem que Portugal e Espanha não são a Europa... Solange foi também,

Lanchinho primeiro dia em Lisboa. Solange e eu no Mercado do Campo de Ouriques, O destaque foi o queijo de Azeitão.
Os trës dias foram fantásticos. Passeios, vinhos, comidas, e muito prazer em estar com a Betina. Mãe boba e coruja eu sou e sempre serei. Deu para ter um gostinho da cidade, mas, como sempre quando a gente viaja, fica a vontade de mais. Fomos na Baixa e no Bairro alto, fomos a Belem - torre, pasteis, nada faltou -, fomos ao museu do azulejo, fantástico! Mesmo assim, faltou tempo para ir a Sintra e outras atrações em Lisboa mesmo.

De Lisboa, viemos para Paris. Betina tem que trabalhar e eu estou curtindo a sensação gostosa de ser moradora, entre aspas, da Boulogne-Billancourt, uma cidade ao lado de Paris, onde ela mora e perto de onde trabalha.

Assim, na primeira segunda-feira e hoje, fui lavar roupas na lavanderia automática aqui em baixo. Depois supermercado para colocar alguma comida em casa e preparar uma sopa - há uma semana e agora. Os outros dias da semana foram ocupados em passear a fazer campo da pesquisa de doutorado da Solange, em Paris - ou seja, caminhar por uma Paris que é turística, mas fora das principais atrações turísticas da cidade. Andamos muito pela Place d Italie e suas redondezas. Fomos entrevistar uma americana qeu tem um café por ali, o La Oisive du Thé, depois entrevistamos uma brasileira que mora aqui, de 28 anos, que veio estudar e não quer mais voltar. Fui com Solange até a Ecole, onde ela está fazendo o pós-doc, etc...

A cidade continua linda. Os prédios de altura limitada dão uma uniformidade especialmente prazerosa para quem caminha por suas ruas. Olhar não cansa.

Na quinta-feira, fiquei pela vizinhança. Fui ao museu dos anos 30, uma coleção divertida de objetos de design e obras de arte deste período, mas não só. Fui no oficio de turismo da cidade para ver o que há por perto. E há muito para ver.

Hoje fiquei em casa, praticamente o dia todo. Além de fazer o serviço doméstico. Mas amanhã já tem programação e eu quero aproveitar a semana para visitar os outros atrativos turísticos de Boulogne-billancourt.

Mas especial, mesmo, foi o final de semana que passou. Fomos para Morteau, ou próximo, numa cidade chamada Les Fins, para que eu conhecesse os pais do Julien, companheiro da Betina. Assim, além de especial por questões familiares,  foi especial pq tinha muita neve, cenas de cartáo de natal, ou de cartão postal. Curti demais e nem sei bem como descrever. Caminhamos de raquete pela neve e comemos muita comida típica da região que é, segundo a família, uma região pouco importante da França, uma região que *ninguém quer*, O que é impressionante, pois é linda demais, ao lado da Suiça! Eles até me levaram para dar uma voltinha por lá. Assim, visitei mais um país, mesmo que rapidamente. No domingo, fomos conhecer Besançon, na região também. Uma cidadezinha medieval, com o ar de todas as cidades européias em seu centro histórico - ruas estreitas, construções de pedra enormes. Extremamente charmosa. O rio que atravessa a região é o Dou e, como as cidades européias, Besançon gira em torno do rio.


Ah, a família se desdobrou demais para nos receber. Eu não falo frances, a mãe não fala ingles e, obviamente, não fala portugues. O pai arranha no ingles e se esforçou para puxar assunto. A Betina foi quem cansou, pois teve que dar uma de tradutora, embora não muito pq a mãe fala tanto que não dava tempo para traduzir. Acabou que meu ouvido ficou um pouco mais acostumado ao frances e algumas partes da conversa eu entendia, embora não pudesse falar. Divertido foi ser testemunha da pressão por um neto homem que dë continuidade ao sobrenome da família. Conservadores e interioranos, eles carregam alguns valores interessantes, bem diferentes dos meus. Mas são gente boníssima!
Christof, Fabienne, Lucas e Betina
Confesso que o final de semana foi bastante emocionante e acabei o domingo chorando. Feliz pq minha filha é bem recebida em uma família francesa, triste por saber que ela vai ficar longe do Brasil por muito tempo, só aparecendo para visitar. Feliz por ter visto tanta neve, triste pq logo eu vou embora e não vou poder abraçar minha menina de 31 anos do jeito que gostaria de continuar sempre abraçando. Estou ficando velhinha, preciso dos meus por perto, mas não posso exigir isso.

Agora, para curtir Paris de verdade, ou meio, é preciso muito dinheiro. Cidadezinha cara! Se comparada com Lisboa, então, nem se fala! E, vou dizer, para turista, Lisboa tem muito a oferecer em termos de atrações e de boa comida!

Amo demais essa mulher! (Eu penso esta menina, mas...)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Relatos do Uruguai

Puxa, amei Colonia del Sacramiento.Não vou descrever muito pq tem pilhas de blogues que falam do lugar, basta um Google. Mas devo dizer que daria para passar mais tempo por lá, só para relaxar, pq a cidade oferece tranquilidade para um veraneio. Um dia é suficiente para caminhar pela cidadevelha e conhecer um pouco. O calor é que estava para arrasar. A proposta era passear mais um pouco hoje, só que choveu pra caramba e decidimos vir para Montevideo.

O Uruguai está caro para brasileiros duros como nós. uma lástima... Mas em pouco tempo já dá para observar as políticas corajosas do governo uruguaio. Cigarros, por exemplo, não podem ser nem exibidos nas lojas e custam muito mais caro do que no Brasil. A palavra "light" não pode constar nas marcas e as imagens chocantes que, no Brasil, vão no verso, aqui ocupam praticamente toda embalagem. Parabéns aos uruguaios, embora eu seja fumante.

Nosso hotel em Montevideo é muito interessante. Antigo, o elevador é daqueles com porta pantográfica de ferro trabalhado. Os quartos, decorados com móveis antigos lindos, têm chão de madeira acho que original, pé direito alto e portas que dão para pequenas sacadas. Prédio antigo,como de resto são os prédios do centro da cidade.

O café é ruim - pelo menos todos os que provei até agora.

Com os preços altos, não sei se teremos a chance de comer verdadeiramente bem por aqui!

Por outro lado, os uruguaios têm sido mais simpáticos do que os portenhos. Em Bs As fomos mal atendidos na maior parte dos estabelecimentos (a sorveteria Daniel, emPalermo foi uma exceção). Aqui até os turistas conversam mais e, por falar neles, tem muitos brasileiros por aqui. Vi franceses e nórdicos também.

Ao jantar agora!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Dia de passeio em Buenos Aires

Fomos ao Puerto Madero e a San Telmo. Dia tranquilo de muita caminhada e muito calor. Nada de mais. Acho que a viagem começa mesmo amanhã, quando partimos de Buquebus para o Uruguai.
Mesmo assim, foi bacana passear com Alfredo e Felipe, olhar coisinhas na feira, tomar café na loja dos alfajores Havana, tirar fotinhos no metrô, cujos trens são antiguinhos, sem ar condicionado. As plataformas estreitas, as estações azulejadas. Bem diferente do metrô carioca.

Algumas observações: não está caro vir a Bs As. O câmbio nos favorece. Porém, vale lembrar que passamos muitos dias em família e, por isso, não gastamos muito com alimentação.

A ideia de ficar em uma apartamento alugado pelo airbnb também foi bem legal. Todos os dias, tomamos café em casa, o que nos permite economizar. A diária do apto, para 3 pessoas, foi de 152 reais. Super bem localizado, perto do metrô, dá para caminhar para Palermo Soho, Hollywood, Viejo. Mas o próprio entorno aqui na Sinclair com Cervino tem todo o conforto, com restaurantes legais, modernos e tradicionais. Fica pertinho da Santa Fé, com comércio bem variado. Aliás, adorei a vizinhança. Boa de caminhar a qualquer hora do dia.

Os restaurantes que escolhemos também tinham preços bons, pois não eram os mais "indicados" para turistas - por 130 pesos por pessoa se come um bom bife de chorizo com vinho em alguns lugares. Mas tb consumimos choripans e medialunas para "enganar" o estômago quando a fome batia.

 Taxi é bem barato e metro, então, nem se fala. Não fiz grandes compras - só uma bolsa para dar de presente para a Betina. Em verdade, estamos fazendo uma viagem do tipo econômica, como sempre.

Como não sabemos se se pode tomar a água da torneira (há controvérsias demais), estamos consumindo água mineral. Mas o sabor não é muito bom e tem sódio demais. Bebemos e a sede continua.

Cerveja, na Argentina, sempre foi e continua tão cara quanto vinho. Mesmo assim, algumas Quilmes cruzaram nossos caminhos. Compradas no mercadinho ao lado - um litro a 28 pesos (sete reais), ou então para refrescar nos intervalos dos passeios - a latinha mais cara que pagamos foi 40 pesos (10 reais!). Assim que, se quiser tomar cerveja, melhor fazer isoporzinho em Buenos Aires.

Composição floral no metrô portenho

A festa estava linda e o dia seguinte em família foi bem agradável

Então, finalmente rolou a festa. O tempo ajudou e todos estavam bem contentes com os 90 anos da Tia Delia - eu nem tanto, afinal Paulinho morreu antes de completar 70. Vida bandida, Vida louca. Mas fui à festa mesmo assim.
A comemoração foi na casa de Veró, prima em segundo grau do Alfredo.
A casa: da rua, é um prédio de 4 andares. A gente entra pelo prédio e do corredor da planta baja se tem acesso a uma porta que leva à casa de dois andares com jardim. Uma sala grande abrigou os 70 convidados.
Bom, seguindo os relatos, no dia seguinte voltamos à casa para consumir o que sobrou. A família da Tia Delia é composta por quatro filhos, dos quais 2 vivem na Argentina, um em Israel e uma em Barcelona. Porque se encontram todos muito raramente, parecia não quererem desgrudar-se. Assim como a presença dos primos do Brasil fazia com que a família apertasse laços. Por isso, depois de passarmos a tarde toda na casa da Vero, acertaram uma Parrilla na casa de Adrian, filho mais velho da Tia Delia Eu adorei a ideia! Estava com vontade de comer assado feito em casa. O resultado foi que experimentamos a melhor Parrillada de Buenos Aires. O encontro prolongou-se até as 3h da manhã - para nós, pelo menos, pois depois de sairmos eles ainda continuavam lá.
Nossa estada por aqui foi marcada mais por eventos familiares do que passeio turístico. O que não me incomodou. Família unida é sempre divertido. São todas parecidas, ao mesmo tempo em que são diferentes. Me pareceu que as relações entre filhos e pais nesta família é mais leve do que na minha família.



Hoje vamos passear por San Telmo. Eu acho!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Férias em Argentina e Uruguai...

Finalmente, viajando. Estava com tanta vontade de sair de casa, variar os ares, ver coisas diferentes. A vinda à Argentina estava programada desde meados do ano passado. Aniversário de 90 anos da tia do Alfredo. Aproveitamos a oportunidade para programar um pequeno tour pelo Uruguai. 5 dias em Buenos Aires (estamos no terceiro), um dia em Colônia do Sacramento, 3 dias em Montevideo e o resto do tempo no litoral uruguaio - 15 dias de viagem ao todo.

Antes de virmos, como todo o tempo de final de ano, tivemos programação intensa, com visitas, festas, confraternizações e etc. Foi um período legal, com meu filho e o filho do Alfredo em casa. Com o Gustavo, meu sobrinho, e o Marcus no Rio de Janeiro, senti-me acarinhada pela família.

Ainda neste período, pós-natal, recebi a notícia de que meu cunhado estava hospitalizado. Fez uma cirurgia bem complicada na véspera da minha viagem, e no dia da viagem, outra cirurgia. Assim que parti para cá já preocupada e envolvida em pensamentos positivos e torcidas pela melhora dele. Mesmo assim, procurando aproveitar a estada em Bs As da melhor maneira possível.

Está quente pra caramba aqui e caminhar pela cidade é mais um suplício do que um prazer. Por isso decidimos pegar o ônibus de turismo e passar pelos pontos principais. Descemos apenas no Estádio do Boca Juniors - Alfredo desejava intensamente conhece-lo e, depois, caminhamos até El Caminito, onde comemos um choripan e tomamos uma Quilmes. Foi um dia bem agradável.

Tinamos marcado um happy hour com o Caco, querido amigo de Floripa. Ele viria até nosso apartamento e daqui partiriamos para algum lugar. Ele não apareceu (ou apareceu, mas não tocou a campainha acreditando que nós tinhamos combinado o encontro lá em baixo). Esperamos hora e meia e decidimos sair para comer alguma coisa. Estávamos cansados e frustrados pela ausência do Caco. Acabamos entrando num restaurante com cara de típicamente portenho, que estava cheio de  gente - o que seria um indicativo de que era bom. Fizemos o pedido, e esperamos horas pela chegada do ojo de bife. O mau humor foi crescendo, o sono, o cansaço. Alfredo chamou a garçonete e deu um ultimato. A comida veio. Mas o bife estava queimado por fora e cru por dentro. Puto, com razão, Alf devolveu e disse que pagaria o vinho e a água que tomamos. De repente, uma gritaria na cozinha. O dono do restaurante estava dando um esporro no cozinheiro e todos os fregueses ouvindo. Pelo jeito, não foi só no nosso pedido que ele errou, demorou e fez caca. O dono, quando quisemos pagar, não cobrou. Disse que o erro era dele e que era o que podia fazer para se desculpar.

Voltamos para casa, com fome e cansados. Alf passou numa delicatessem, comprou uma torta salgada e trouxe para casa. Chegando aqui, recebo o whatsapp da Paula informando a morte de meu cunhado. Perdi a fome, perdi o rebolado, perdi o chão. Vou ou não vou? Procura voos, o mais barato custava em torno de 1000 reais, e chegava em Porto Alegre Às 23h. Seria depois do enterro. Sofrimento por mim, sofrimento pelos meus sobrinhos e pela minha irmã que perdeu o companheiro de uma vida inteira.

Para completar, esperávamos o filho do Alfredo que tb veio para o aniversário da tia. Ele demorava demais para vir da rodoviária até o apartamento. Se eu estava agoniada pela morte do cunhado, Alfredo estava agoniado pela chegada do filho. Quando, finalmente, Felipe chegou, conta que o taxi em que estava atropelou um homem e ia fugir. Felipe e outros carros fizeram o cara parar para socorrer a vítima que, doidão, pegou uma garrafa e arremessou sobre o taxi. Foi tudo o que Felipe contou. Disse que ele viu o cara atravessando e o motorista não. E que estava meio traumatizado, não queria falar do assunto.

Hoje acordei cedo,chovia pra caramba. Fui providenciar o envio de uma coroa de flores para o meu cunhado, o mínimo que poderia fazer, embora quisesse estar lá para a despedida. Agora o sol abriu, já estou há horas em casa, sem vontade de sair. Combinamos de visitar o Malba. Acho que é o que faremos.

Espero que a energia mude e que eu possa curtir a viagem.