terça-feira, 14 de novembro de 2023

Mais uma pecinha

 Eu tava de aniversário na semana passada. No dia do meu aniversário, eu fui Mestre de Cerimônias de um evento do Ceneti - Centro de Estudantes do NETI - Unapi, do qual sou a atual presidenta. Que evento que foi bem lindo! Mais de 130 pessoas, uma energia deliciosa, um suporte emocional demais de bacana. E as 130 pessoas cantaram parabéns pra mim. Vejam a foto da chorona. Se alguém entrar aqui e quiser saber mais sobre o evento, vá para o blog: https://integraneti.blogspot.com/2023/11/publico-superior-130-pessoas-vibrou-com.html


Mas já que o tema é aniversário, eu escrevi uma pecinha de uma página, como exercício do curso de escrita dramática, que trata de festinha - pode ser de aniversário.




quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Tecnologias, velhice, exclusão: o conhecimento analógico voltará a ter valor

 Meu carro é velho, o rádio que tem é do tempo que a gente tirava a frente pra não ser roubado. Obviamente, não tem computador de bordo.Tem 13 anos.

Meu computador é velho, nem sei o que os novos são mais capazes de fazer do que este aqui. Mas ele é velho, com certeza! Tem 8 anos.

Meu celular é velho. É smartphone, mas não tem espaço pra mais apps - nem eu quero - e não é 5G. A câmera, então, nem se fala. Tira fotos bem mais ou menos. Tem 5 anos.

Vou em restaurantes que não têm cardápio em papel, embora ainda tenham garçons. Vou em cafeterias e restaurantes fast food que, mesmo que haja pessoas para preparem o pedido, elas não me dirigem a palavra e ficam esperando que eu faça o pedido pela tela touchscreen (ainda chamam assim?).

No supermercado, para ter desconto, tenho que ativar no aplicativo. Resolvi usar. Baixei o aplicativo em casa, mas não parei para ver como funcionava. Dentro da loja, sem entender bem como era, pensei: vou pegar o produto e a pessoa do caixa me ajuda. Chegando lá, não tinha sinal. Perguntei: tá, mas como funciona o aplicativo, então? Ele não soube ou não quis explicar. Fiquei com raiva e falei que era melhor no tempo em que havia um cartaz na prateleira com leve 3 e pague 2 e que o desconto era para todo mundo. *

Se eu critico toda a tecnologia intermediando relações humanas, os jovens me olham como se eu fosse uma velha "apegada às tradições" - frase a mim dirigida por uma jovem vizinha no grupo de whatsapp do condomínio. A mesma que, ao chegar no condomínio, recebeu uma cópia do regimento em papel e não leu e depois deu um piti porque queria uma cópia digitalizada pra poder ler.**

Pois é, às vezes me parece que foi num estalar de dedos, no tempo de uma pandemia, que o mundo, tal qual eu conhecia, acabou, que fiquei velha. Sinto-me sendo expulsa de um mundo que, infelizmente, minha geração criou. Sim, porque o Steve Jobs (que Deus o tenha, como dizem os velhos) e o Bill Gates, por exemplo, são da minha geração. E eu só consigo pensar: que merda que eles fizeram!

Tá, tem tecnologias que vêm para o bem. Que facilitam a vida. Não fossem todas essas facilidades de comunicação, a minha passagem pela pandemia teria sido bem solitária e eu não acompanharia, mesmo sem tocar, o crescimento dos meus netos. E, sim, eu sei usar e sou capaz de aprender mais. Não tenho medo de computador ou celular. Fui uma adotante precoce das tecnologias.

Mas, gente, tem que endeusar tanto essa merda que substitui o que há de humano em nós, que rouba os empregos dos jovens, que aumenta o abismo entre as classes, que exclui a maioria, que faz uma pessoa com quarenta anos se sentir ultrapassada e ficar desempregada? 

Vejo os efeitos da tecnologia nas pessoas e na cidade e penso: esse mundo não é mais o meu. Não pertenço. Mas aí penso que a emergência climática está aí e que quem não aprender a viver no mundo analógico, não vai sobreviver. 

Será só o desejo de vingança que move este meu pensamento? 

A população está envelhecendo, dizem os dados do IBGE, e o idadismo nunca foi tão presente. Estamos velhos a partir dos 40 - e que dirá dos 60? -  e os empregos, poucos, são para jovens. A medicina nos garante longevidade, mas a sociedade do jeito que está exclui a maioria.

Agora, tenta explicar isso tudo pra alguém com vinte anos.


* E, gente, se a tecnologia é para poupar tempo, o aplicativo do supermercado é o oposto, pois a ideia é que em casa a gente olhe todas as ofertas, ative no aplicativo e aí sim vá para a loja buscar os produtos. Ora, continua sendo mais fácil um cartaz na prateleira! 

** Sobre o piti da cópia digitalizada, me fez pensar: jovens não sabem ler em papel?

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Vai ficar tudo bem

 Ontem fui ali na UFSC, visitar a SEPEX. Tem um stand do NETI e eu acabei passando a tarde por lá. Voltar pra casa porquê? Eu veria notícias, que me deixam cada vez mais ansiosa. Guerras, tiroteios, emergência/ebulição global... Então fiquei por lá, contando histórias, ouvindo histórias. Mais contando do que ouvindo. Foi bom, mas, gente, é coisa de velhinha...

Segue mais uma pecinha escrita por mim no curso de Escrita dramática. Não é sobre velhice, mas vai ficar tudo bem...




quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Virando dramaturga - produtos do curso de escrita dramática

 Este ano, estou participando de uma oficina de escrita dramática. É muito divertido ter a oportunidade de colocar a criatividade em prática ao criar pequenas peças teatrais com base no método ensinado pelo professor. Tá certo que eu não sou tri fã de métodos e às vezes me sinto engessada, mas o método tem se mostrado útil. O primeiro ponto do método é criar o modelo actancial. Isto é, personagens que tenham objetivos a que outros personagens se oponham, que tenham motivações e acreditem que alguém se beneficiaria da consecução desses objetivos. 

Toda semana, criamos uma historinha que é debatida em sala de aula pelo professor. É leve e a gente dá muita risada. Às vezes o clima esquenta e a gente começa a defender a própria obra. Mas, confesso, gera um pouco de frustração pensar que ninguém mais vai ler o que a gente criou/escreveu. 

Aí, tchum! Ideia! Vou postar aqui. Ninguém vai ler, mas, pelo menos, dá pra pensar que em algum momento, alguém pode esbarrar sem querer em um dos textos. 

Um dos primeiros textos:










quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Idosa/Idoso - Palavras pesadas?

 Outro dia, numa reunião do Centro de Estudantes do NETI, uma pessoa levantou-se para reclamar da expressão "pessoas idosas." Até onde sei, essa expressão foi adotada para evitar os eufemismos como "terceira idade" e "melhor idade". Para esta última, inclusive, a pergunta sempre é: melhor para quem? 

Muito bem, quando ela questionou a expressão, minha resposta foi a seguinte: se quando eu era adolescente não me incomodava de ser chamada de adolescente, por que razão, agora, que sou idosa, vou achar ruim ser chamada de idosa?

Na verdade, a reflexão que quis propor foi: sim, a palavra "idoso" vem carregada de preconceitos, inclusive entre os idosos e somos nós, idosas e idosos, que precisamos acabar com este preconceito. Se eu não achar a palavra pesada, os outros vão parar de achar também. É isso que fazem todos os grupos minoritários, buscam a visibilidade. Homossexuais e pretos/pretas lutam pela visibilidade e por seus direitos se assumindo como tal. É uma questão identitária pela qual nós, idosas e idosos, temos que lutar!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Putz, faz tempo!

 Por acaso vim parar aqui. Li uma matéria num blog e, no espaço de comentários, estava lá eu. Cliquei e revi meu blog! Gente, há muito tempo não apareço por aqui. São quase 8 anos de sumiço! E quanta coisa aconteceu na minha vida desde então:

Voltei pra Florianópolis,

Minha mãe faleceu,

Me separei,

Atravessei (atravessamos) uma pandemia,

Me aposentei,

Tive netos! O primeiro em 2016, chama-se Hector e os outros dois em 2022, chamam-se Gaspar e Clarisse. Vivem na França, são filhos da Betina. 

Por causa dos netos, viajei algumas vezes pra Europa. Primeiro Barcelona, onde nasceu o Hector, depois França, onde nasceram os gêmeos.

Sem contar o que aconteceu no Brasil, que me deixou tão imersa, tão frustrada, tão desesperada e tão atenta em tudo, que não conseguia ver/ler/ouvir outra coisa do que notícias sobre genocídio, fascismo, nazismo, desmandos, fakenews, absurdos desumanos. Foi tanta desgraça nos anos que se seguiram ao golpe contra a presidenta Dilma, que, confesso, perdi a tesão. Me segurei pra manter a luta em dia, não deixar passar barato. Como todos, acabei cortando amizades (talvez nem fossem amizades, mas conhecidos com quem me relacionava de alguma forma), vivi na bolha, lendo sobre a outra bolha e muito, mas muito triste e também com alguma raiva.

Mas, falemos de atualidades. Hoje é quarta-feira de cinzas. No primeiro carnaval depois da volta da esperança - o Lula eleito!

Meu carnaval, depois de alguns anos sem cair na folia por causa da pandemia, até que foi bom. Centro de Floripa no sábado, muita gente, gente de montão, multidão - a emoção e o pavor de atravessar a multidão. A pandemia me deixou agorafóbica, um pouco, pelo menos. Feijoada da Jania e do Pádua no domingo. Dança, cerveja, comilança e amizade. Muita amizade. 

Olha eu aí, no centro, curtindo a risada/a alegria que voltou depois de anos de pandemia e de infelicidades na política:



Atualmente, se carrego algum título além dos já conquistados, este é o de Vice-presidenta do CENETI - Centro de Estudantes do Núcleo de Estudos da Terceira Idade da UFSC. hahah de doutoranda/doutora/professora/pesquisadora à idosa, num piscar de olhos! 

Ainda estou tentando lidar com meu idadismo, pois, sim, tenho bastante preconceito com "velhinhos" e morro de vergonha de me sentir uma. Embora extremamente consciente de que sou. Aliás, a parte boa da idade é a gente conquistar alguns privilégios. Destes, tenho usado alguma coisa. Mas gosto também de refletir sobre as conquistas, as tristezas e as alegrias do envelhecimento. 

Talvez eu volte a usar este espaço como memória e pensamento. Trazer meus insights que, na maior parte das vezes são óbvios, sobre os quais tenho falado mais do que escrito.

Me aguarde, Beth! (a única leitora deste blog)