segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

E o Natal já passou

O meu foi tranquilinho, com minha mãe, Alfredo e Daniel. Alfredo preparou um delicioso salmão no forno (era para ser na brasa, mas a chuva atrapalhou o acesso à churrasqueira), eu preparei salada verde com um molho bem gostoso, batatas cozidas e a sobremesa, já tradicional, de café. Coloquei uns enfeitinhos na arvorezinha da felicidade e uma toalha de Natal na mesa.

O único a presentear foi o Alfredo, que deu para o Dani e para a Amparo, camisetas com fotos de autoria dele estampadas. Assim que foi um Natal menos "consumista" do que o normal, sem correrias de compras de última hora, sem estresse. Um dia especial porque nos reunimos.  Um dia tranquilo, de bastante trabalho feito com todo o carinho.

Esta semana com a Amparo aqui tem sido bem agradável. Alfredo tem ajudado muito na logística de alimentação e transporte. Como eu já disse, é bom ter a minha "velhinha" por perto.

Fotos do Natal eu não tenho, pois estão todas na câmera do Alfredo. Outra hora, eu posto.

Agora é esperar passar o Reveillon para que tudo volte ao normal na vida de todo mundo. O mundo fica estranho, mas eu, a cada ano que passa, fico menos envolvida com essas funções de final de ano. Menos festas de confraternização, menos presentes de Natal, menos estresse e preparações especiais. Não sei se isso é bom ou se é ruim. Talvez eu venha vivendo por demais um dia de cada vez. Talvez não. às vezes sinto saudade de algumas emoções que nem sei bem como descrever. Veremos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mamãe em casa, e muito calor

Chegou o verão, mesmo que a data oficial seja depois de amanhã.

A Amparo também chegou e já está aqui há dois dias. Temos passado os dias em casa, conversando e comendo. Hoje mesmo, ela teve a oportunidade de presenciar minhas duas horas de orientação via skipe com a Carmen. Ficou chocada com a quantidade de trabalho que tenho pela frente. Aproveitou também para entender, um pouco, o que eu faço. Não é bem assim explicar para uma pessoa de 83 anos o que significa fazer um doutorado.

Ela ficou bem contente quando mostrei que a tese era dedicada a ela. Também, com o nome que dei, não poderia ser dedicada a mais ninguém: "Quando mamãe vais às compras: uma abordagem etnográfica das compras de abastecimento doméstico em supermercados". Dediquei a ela porque, afinal, foi ela quem me introduziu ao supermercado, foram os estranhamentos dela com o surgimento deste tipo de loja que me fizeram, desde muito tempo, estranhar também essa forma de comprar em uma instituição da modernidade que transforma as relações comerciais e pessoais em profundidade.

É bom ter minha "velhinha" (e ela que não me leia) em casa. Pena que estejamos meio "presas" em casa. Este calor merecia um lugar mais fresquinho do que este apartamento.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Distraída, passei um tempinho sem escrever por aqui...

No final de semana passado, fomos para o country side de Santa Catarina...Estou sem as fotos neste computador, mas foi uma experiência gostosa, divertida, diversificadora. Com isso quero dizer que ir para a serra num dia e voltar no seguinte é bom porque se volta com a sensação de ter ficado muito mais tempo fora. O silêncio, o mato, o riozinho correndo entre pedras, o cachorro, as vacas, ovelhas, carneiros, pássaros e até as cobras fazem com que a gente "reperceba" que o mundo pode ser bem mais simples e interessante do que a estressante vida da cidade, que o tempo pode passar em velocidade diferente e que as importâncias variam muito.

Hoje me preparo para ir a Garopaba buscar Amparo, minha mãe, que vem para passar o Natal comigo.

Neste ínterim, recebi da orientadora metade dos retornos sobre a tese e fiquei alguns dias alugada arrumando o que ela apontou. Ainda não terminei, mas desde ontem dei uma pausa para preparar a casa para a chegada da Amparo.  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

E como não estava, viajei

Passei a manhã relendo os primórdios deste blog...
os meses de fevereiro, março, abril, maio e junho deste ano foram vividos intensamente. Resolvi revivê-los esta manhã.
Foi bom!

Sensação de Não Estar

Tem dias que acordo com a sensação de não estar. É como se, apesar de estar, eu não estivesse. Hoje é um desses dias. Eu simplesmente estou e não estou. Estou e não gostaria de estar. Arrumar a casa pra quê, se eu não estou? O que era mesmo que eu tinha para fazer? Tanta coisa, tão sem razão.

Vontade de não estar, de estar em outro lugar, de não ter que... inibições.

E penso em mim, no que fiz, no que deixei de fazer, no que errei e no que, talvez, tenha acertado. E tudo fica tão confuso que é melhor não estar. Saudades das certezas. Medo das considerações. Incertezas do daqui pra frente. Sou má comigo. Muito má.  

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pequenas Felicidades

Ter a casa cheia...

Um churrasco feito em casa...


Um passeio em dia de sol...


Um almoço entre amigos


Saldo do fim de semana mais do que positivo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Querido Papai Noel

Sigo a orientação da Ana Paula e da Ana Lima e passo a acreditar em sua existência...

Por isso, escrevo esta cartinha:

No Natal de 2011, Papai Noel, quero ganhar uma boa fonte de renda para 2012. Que seja trabalho prazeroso, que possibilite boas realizações (úteis tanto pra mim quanto para a sociedade). Que, por conta disso, eu saia da pindaíba que me assola no final do período do doutorado.

Peço também que minha tese seja bem sucedida na banca e que alce outros vôos.

Não estou pedindo muito, né, hein? Tenho me comportado tão bem!

Felicidades aí no Polo Norte!

Att
Beth

P.S. A lista em que pensei antes desta aí de cima continha alguns bens materiais, como um par de tênis para caminhada, uma bermuda para fazer pilates e um conjunto de panelas novo...mas se o que eu pedi vier, eu mesma providencio essas e outras coisinhas de que ando precisando...

o cotidiano

Puxando pela memória, parece-me, todo filme ou livro quando quer retratar o cotidiano descreve um sujeito que faz tudo sempre igual, como naquela música do Chico Buarque: "todo dia ela faz tudo sempre igual, me acorda às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã". Um pouco como se cotidianidade fosse sinônimo de tédio, de falta de algo especial para apimentar a vida.

Acabamos por crer que a regra é que todos os dias passem da mesma forma, nos mesmos horários e lugares. Aceitamos uma ideologia geral, bastante divulgada pela propaganda, de que feliz é quem tem um cotidiano diversificado. Isto faz com que, salvo nos dias em que acontecem coisas muito marcantes, não prestemos atenção às variações de nossos roteiros diários, dos acontecimentos e sentimentos por que passamos, os altos e baixos, as pessoas diferentes que encontramos, a forma diferente com que fazemos as coisas.

Vivido de forma pouco consciente, o cotidiano parece mecânico. Mas não é! Há sempre surpresas, novidades nos caminhos, exigências de criatividade e jogo de cintura nas mais simples soluções que buscamos para pequenos problemas. De vez em quando, é bom prestarmos atenção nele. Afinal,
"a vida cotidiana é a vida do homem inteiro; ou seja, o homem participa na vida cotidiana com todos os aspectos de sua individualidade, de sua personalidade. Nela, colocam-se em funcionamento todos os seus sentidos, todas as suas capacidades intelectuais, suas habilidades manipulativas, seus sentimentos, paixões, ideias, ideologias". (Agnes Heller)
 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Final de semana de Aniversários

Na sexta, aniversário do filho de um amigo: churrasco.
No sábado, aniversário da Zau: comida bahiana.
No domingo, aniversário do Alfredo: pães, pastas e bolo de chocolate.

Todos dos dias: cerveja, muita cerveja.
Resultado: pelo menos mais dois quilos de gordura no corpo e uns 1000 de diversão.

Há quem, como a Vivi Kraieski, estude alimentação. Eu também, de certa forma, entro na alimentação como objeto de estudo, já que minha tese versa sobre as compras de abastecimento doméstico.

Mas, nessas horas de comemoração, tudo é possível, menos teorizar. É preciso curtir, fruir, as celebrações em torno dos pratos preparados com tanto carinho.

Estranhamento só no gozo dos sabores diferentes para nós, como o sabor do acarajé, do caruru, do vatapá. Humm...Estranhamento na forma esfaimada que os adolescentes olham para a churrasqueira desejando saborear aquele pedaço de picanha...E o bolo de chocolate? Hummm

Fotos fico devendo, já que usei a camera do Alf pra registrar tudo 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Descoberta interessante

Estava entediada, sem saco para mexer na tese, sem saco pra nada. Dia lindo, deveria ter ido à praia. Mas não fui...

Pra passar o tempo resolvi digitar palavras chave no google e fiz uma descoberta super legal! O blog "A vida das coisas". Atualizadas discussões e apresentações de livros sobre os estudos do consumo, com os principais autores em voga na área...vai pra minha lista de blogs, para que eu possa acompanhar as aulas da Magda Ribeiro.

Deixo o link aqui tb, pra quem quiser ver...
http://antropologiadascoisas.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Chegou o final do ano

O que é esparso durante o ano todo, em novembro e dezembro, abunda: festas.

Aniversários, comemorações, confraternizações, apresentações de corais e de grupos de dança, festivais e mostras.

De deixar doidinha quem, como eu, está sem dinheiro para presentear.
Tempo para ir a tudo eu até tenho, mas a disposição está rara.

Estou cansada, não pq tomo conta do mundo, mas pq tomo conta de mim.
É fim de ano e, só de sabe-lo, já fico exausta.

Planos para o próximo ano? Não sei se tenho. Tenho possibilidades rabiscadas na mente. Tenho dependências. Tenho alguns "ses".

Aguardo a chegada do ano que vem.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Li e senti...

"Não gosto quando pingam limão nas minhas profundezas e fazem com que eu me contorça toda. Os fatos da vida são o limão na ostra?" (Clarice Lispector, Agua Viva)

Este ano, como nos anteriores, tantos pingos de limão me fizeram contorcer.

O pingo é só instante, que às vezes volta como memória tão vívida que pinga de novo e contorce de novo, até que consigamos secá-lo.

Haja Oscar, o ele analista.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

ontem fui ao supermercado

Pela primeira vez em muito tempo, estava lá apenas como compradora. Não olhei para os lados, não olhei para as pessoas. Olhei só para as prateleiras, procurando o que eu queria, direto nos corredores, às vezes desejando produtos que não coloquei no carrinho, outras vezes, decidi comprar por puro impulso, por desejo provocado pelo olhar e pela memória do sabor, na última hora.

Não temos muitas opções, além de ir ao supermercado, quando precisamos abastecer nossas casas. Como diz Shaw, a gente vai para comprar aquilo que não fazemos - e já não podemos mais fazer - em nossas próprias casas. Teve um tempo em que as pessoas faziam manteiga em casa, alguém se lembra?

É por isso que os sentimentos com relação às idas ao supermercado variam de prazer à obrigação. Quando as compras representam o trabalho de levar para casa a comida e os produtos de limpeza necessários para nossa sobrevivência, o supermercado é uma chatice insuportável.

Mas sempre damos um jeito de ter algum prazer, seja simplesmente flanando entre os corredores de bazar, seja observando os biscoitos doces ou os pães que dão água na boca, ou passeando entre os vinhos (estes, às vezes, me dão ansiedade, são marcas demais para avaliar).

Foi bom ir ao supermercado só pela obrigação de abastecer a minha casa, sem o manto da pesquisadora em ação. Opa! Impossível que eu não observasse a mim mesma. Coisa que a maior parte das pessoas não faz.

Compras em supermercado são invisíveis...tema para um outro dia.

Estas compras foram acompanhadas para a tese...não são as que fiz ontem.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Estou num daqueles dias...

Não, não, não estou menstruada!

Estou só num daqueles dias em que o passado atormenta a mente. Tudo o que está entalado na garganta quer sair. Quero falar, quero devolver para quem de direito algumas das coisas que me atormentam.

Não, não será aqui, publicamente, a devolução. A oportunidade virá...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Transformando monstros em criaturas bonitinhas...sonhos e insights sobre o mesmo tema

Passeia a semana peleando com a tese. Tamanha crise que me fez sonhar, ontem, com um monstro.

O sonho: um homem muuuuuuuito feio e possessivo me mantinha presa à casa dele. Ele era apaixonado por mim, eu não podia nem olhar na cara dele. Desesperadora a situação. Queria sair dali. As pessoas vinham (inclusive uma das professoras do PPGICH) até a casa para visitar e me diziam: você tem que sair daí! Em um determinado momento, o monstro pegou meu computador e levou-o para o quarto. Alguém disse: é a oportunidade, agora você vai sair. Mas não podia deixar meu computador com ele, não podia. Mais desespero. Acordei às quatro e meia da manhã e não consegui mais pregar os olhos.

Comecei a interpretar o sonho. Lembrei que no tempo do mestrado, costumava brincar que tinha casado com a dissertação. Ela ocupava meu quarto inteiro, minha cama era coberta de livros, eu acordava e partia para a frente do computador, sem sofrimento algum. Agora, com a tese, mesmo que ela tenha invadido a sala e o escritório, não me sinto casada...

Foi uma luz, uma libertação. Percebi que estava com medo da tese. Que me sentia presa a ela. Que não a "amava" como "amei" a dissertação. O monstro, então, ficou até bonitinho e consegui trabalhar, pensar melhor, encarar a escrita da introdução (está quase pronta), começar as traduções das citações em língua estrangeira (já terminadas - um dia de trabalho), e começar a corrigir a formatação de acordo com as normas (ainda pesquisando nas normas da ABNT).

Claro que tive a ajuda da Marina, que  veio aqui para me dar dicas de como lidar com as fotos e o textos. Mas, mais importante do que as dicas, foi o fato de ela ter vindo e eu ter podido falar da tese, discutir o que estava fazendo, ter alguém me ouvindo, dando sugestões e emitindo palavras de estímulo. Aí, de lambuja, a Rosana apareceu aqui para um café. Claro que também foi alugada pelo monstro que ficou bonitinho. Foi obrigada a ler o que eu escrevi na introdução, ouvir eu falar dos capítulos, ajudar a traduzir uma citação em francês e blablabla.

O resultado do dia de ontem é que fiquei mais tranquila em relação à tese, sem fantasmas, ela é só um grande trabalho que chega nos arremates, que ainda tomam um bom tempo. Basta persistir, com paciência, para que fique bonitinha.

Enquanto isso, espero a leitura da Carmen para os arremates que não terei visto que faltam.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Nesta reta-final, ando monotemática

Que coisa! Não consigo falar de outra coisa, não consigo pensar em outra coisa: é tese, tese, tese...tá ruim, tá boa, tá ruim, tá péssima, não, não, tá boa...e assim seguem os meus pensamentos. Concentração nenhuma para tocar a tese em frente. Ler alguma coisa? Nem pensar. Começo, leio três linhas, penso na tese, penso que falta isso ou aquilo e largo o que comecei a ler para, em seguida, tentar ler outra coisa e, de novo, pensar que não sei mais escrever...

Isso é péssimo, pq o blog também fica monotemático. Ou eu conto uma bobaginha, ou escrevo sobre o processo da tese. Parece que a mulher não tem outro assunto! e o pior é que, neste exato momento, não tem mesmo.

Além de tudo, tô numa dureza de dar dó! Nem pra falar do almoço do restaurante dá, pq tenho almoçado em casa, cozinho qq coisinha e pronto. Ah, e isso resulta que nem receitas eu posso postar aqui, pq a cozinha é qualquer coisinha mesmo.

E isso me leva a mais uma angústia do momento: preciso de trabalho remunerado urgentemente. O prazo final da tese e o fim da bolsa se aproximam e ainda não tenho perspectiva de trabalho. Preciso começar a me mexer. Vai ficar para depois do feriadão que começa amanhã e termina na terça-feira.

Se bem que, considerando que já é quase Natal, não vai ser fácil encontrar alguma coisa.

Mas "vamo que vamo" que atrás vem gente!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

É quarta feira e eu já tenho 51

Anos! Meu Deus! Que idade avançada!

Ontem, dia do meu aniversário, fiquei a pensar como eu imaginava que seria a vida aos 51 anos. Concluí que nunca tinha pensado nessa possibilidade. Agora cá estou, com cinquenta e um, e sempre terminando alguma coisa para recomeçar outra. Ao cinquenta e um, vou terminar a tese e recomeçar em algum outro lugar que ainda não sei qual é. Possibilidades existem algumas. É só uma questão de investir nelas. Mas a resistência à mudança é cada vez mais forte, conforme o tempo passa. Por isso, pensar nas possibilidades provoca tensão e ansiedade.

Mas deixemo-las de lado para contar que a comemoração foi simples. Fui pro IEGA - bar aqui perto que já foi "meu escritório" - e recebi o carinho de amigos avisados de última hora que haveria o encontro ali. No dia do aniversário a gente recebe tanto carinho que chega a transbordar de satisfação. Muitos brindes, muitos parabéns, muitas risadas e muitos causos animam os encontros.

E, como de vez em quando preciso falar de cultura material, vou falar das lembrancinhas que recebi. Beth Linder me deu um kit ansiedade da tese - uma garrafa de vinho  branco, um bolinho, um pacote de suspiros, uma latinha de castanha de caju e um pote cheio de damascos. Isso tudo pra comer e aliviar a agonia. Marta, minha irmãzona, como não poderia deixar de ser, me deu um par de tulipas com escritos de "filosofia de bar". Foi um sucesso. Ana Paula, mais comedida, me deu uma caneca para chá ou café. Três estímulos para a ingestão de alimentos e bebidas. Três formas carinhosas de preencher, através dos alimentos, o vazio deixado pela tese que suga as energias. Finalmente, ou primeiramente, já que comecei de trás pra diante, um colar de pedras azuis foi o presente da Marina. Vesti o colar na hora e meus olhos ficaram da mesma cor das pedras.

Estiveram lá, na mesa: Marina, Dimitri, Breno, Alfredo, Rosana, Marta, Irene, Carmen, Ana Paula, sua mãe e sua tia, Beth Linder, Jania e Pádua.

Além, é claro, dos 100 cumprimentos no Facebook e emails de parabéns...

Foi bem bom

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Mais uma segunda feira

De pura ansiedade!

Desde que entreguei parte da tese para a orientadora ler, estou ansiosa, insegura, tensa.

A tensão é tanta que no sábado me deu uma dor de cabeça forte que não passou com aspirina. A única maneira de aliviar a dor foi chorar.

É preciso continuar o trabalho, mas cadê a possibilidade de parar e concentrar? Agora mesmo, coloquei roupas na máquina de lavar, fui para o banho e fiquei tentando planejar o que faria depois: arrumar as unhas? arrumar o texto para o livro sobre cultura material conforme as normas? reler a tese? ler o Giddens ou as feministas pra ver se tem mais coisas para colocar lá? Parar tudo e sair de casa?

Aí que decidi escrever no  blog. Não que seja para alguém ler, pois acredito que as minhas angústias sejam pouco interessantes para os outros. Angústias normais de quem está em fase de término de tese, sem saber bem o que vem depois disso.

Mas escrever aqui, de forma quase solta - quase porque sempre é público e tem coisas que não se pode tornar público já que podem ser usadas contra você num tribunal heheh -, me faz bem, anima meu dia, me faz sentir como se estivesse produzindo. Como uma sessão de análise, serve para organizar ideias e sentimentos.

Aliás, já acordei tendo que enfrentar um desacordo que me deixou bem irritada - é o tipo de coisa que não se pode contar aqui, pelo menos, não se pode dar nome aos bois. Razões suficientes para a raiva existem. Mas o importante é eu aprender a lidar com a raiva e saber que o que não tem solução, solucionado está. Há que se ter paciência, há que se compreender as limitações dos outros e as nossas próprias. Mas tem horas que só de pensar que o outro é incapaz de um ato de solidariedade ou de olhar para si mesmo, já é suficiente para me deixar irritadíssima.

Assim, vou dar um exemplo: alguém escreve pra vc uma série de instruções, vc não entende bem e pede explicações, quem escreveu as instruções responde que está explicado no primeiro email, vc insiste dizendo que não entendeu bem, tenta aliviar, colocando a responsabilidade pelo mal entendido na sua própria estafa, o outro continua insistindo que está tudo explicado lá. Vai email, volta email, tês ou quatro vezes, e a resposta a uma simples pergunta que poderia ser só "sim" ou "não" não vem.

É praticamente inacreditável!

Gente, sei lá se eu sou louca de pedra, excessivamente crítica comigo mesma, mas se fosse o contrário, se eu tivesse mandado um email com instruções e alguém tivesse dúvidas, eu acreditaria que não tinha sido clara e  gastaria cinco minutos para explicar o que não está claro.

Mas, cada um cada qual, não se pode esperar que as pessoas reajam como você às situações. Então, só resta respeitar e desistir!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

deletar e adicionar

Ontem entreguei a primeira versão da tese pra Carmen. Sem introdução, sem considerações finais. Eu precisava de uma leitura crítica...agora é aguardar, ansiosa, pelos comentários e, enquanto isso, continuar produzindo para não perder tempo.

Aí resolvi dar uma geral no meu armário de roupas. Empolgada, continuei a geral na papelada...e não é que encontrei mais coisas para dizer na tese? ai, ai, ai...isso nunca acaba!

Enquanto isso, o Lula com câncer gera mil debates na internet. Não pela doença, mas pela ignorância de alguns que, como praga e preconceito, sugerem que ele se trate pelo SUS. Tão triste e frustrante ver tanta ignorância em gente de classe média, com acesso à informação e que, baseada no que diz a D. Globo, sai alardeando pragas e destilando venenos sem fundamento.

Alguns amigos decidiram deletar "amigos" do facebook por conta dessas demonstrações de ignorância. Eu resolvi perdoar, por enquanto, os desavisados e deseducados.

Mas essa ideia de deletar pessoas quando elas passam do nosso limite do tolerável ficou na minha cabeça. Quantas vezes, na vida, eu senti que o melhor seria deletar, mesmo... Fico pensando que conviver com pensamentos tão diferentes dos meus não vale pena, especialmente quando esses revelam que do outro lado existe alguém que não quer buscar novas informações, fazer exercícios de reflexão, pensar, em suma. As vezes, desisto de me fazer entender. Compreendo que o outro pensa daquela forma e ponto final, sem qualquer disposição para aceitar a diferença e, até, recapitular...sei lá...

Gosto de um bom debate, um debate com bons argumentos, mas não tenho paciência para burro empacado...para quem diz (e acredita) que as coisas são assim e ponto.

Este ano, deletei alguns, adicionei outros e a vida segue...(tipo, to fazendo um balanço pré-aniversário)

sábado, 29 de outubro de 2011

Pra relaxar e matar a saudade

O dia ontem estava glorioso. Céu azul, sol, calorzinho gostoso.

Como não há dia em que eu não sinta saudades de Londres e como, na reta final da tese, a tensão tomou conta de mim, peguei o Alfredo, o tapete de "picnic" comprado lá e fui passear no parque do Córrego Grande. É um parque bonito, que não se compara com o Hampstead Heath, o Primrose Hill ou qualquer outro parque londrino, mas dá pro gasto. Lá, depois de uma caminhadinha pela trilha dos palmitais, deitamos sob as árvores e ficamos a olhar o céu...foi bom!

Lembrei do passeio para ver BlueBells...mesmo que seja só o mato, é bonito.
Agora com flores, o mato colorido. (by Afl)
Trilha dos palmitais...(By Alf)
De baixo para cima...ficar olhando o ceu entre as árvores..sensação das melhores.
De cima pra baixo...
Só na fruição do momento.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

e agora, as considerações finais

Não é fácil, não...mas acho que agora só faltam as considerações finais, a introdução e as ilustrações...
tá quase.

mas não ta facil escrever as considerações...o mundo do supermercado é tão abrangente e as práticas de compras em supermercado tão reveladoras que fica complicado sintetizar. Além disso, o cansaço que bateu depois de semanas sentada na frente do computador torna a tarefa mais árdua.

As compras em supermercado são parte da rotina, e, por isso mesmo, invisíveis...tornar visível o invisível é a essência do trabalho acadêmico. É parte do meu trabalho com um objeto, a princípio, tão mundano, tão sem charme e, em geral, considerado sem importância. Mas vá lá, pense bem. Falar da sociedade e da cultura sem falar em consumo, hoje em dia, é impossível, né não?

Mulheres em compras no supermercado são prato cheio para antropólogos, sociólogos, psicólogos e filósofos...nem eu imaginava tudo isso qdo comecei.

Prometo que depois da tese entregue, coloco algumas conclusões aqui. Por enquanto, só uma palhinha, tirada do Danny, para defender a minha ideia:

"...encontramos um preconceito ao mesmo tempo acadêmico e coloquial - preconceito que permanece como responsável pela difamação do ato de comprar e pela má vontade de enxergá-lo como uma prática que revela desenvolvimentos mais profundos do que triviais nos valores e crenças humanas. Essa é a acusação genérica do fetichismo que supõe que qualquer ênfase sobre a cultura material per se tomará necessariamente o lugar das relações sociais, em vez de se tornar um meio apara intensificar os valores sociais." (Miller, 2002:141)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Supermercado virou uma abstração teórica

Gente,
escrevo, penso, reescrevo, penso de novo, acho que to escrevendo bobagens...não é fácil não.

Sábado fui almoçar na casa de Zau, para comemorar o desfecho de uma história chata pela qual ela estava passando. Antes passei no supermercado para comprar cerveja e alguma carne para contribuir com o churrasco. Tinha também um almoço de domingo na casa da Jania, com o qual eu também precisava contribuir. A cabeça só na tese e eu circulando pelo supermercado, sem saber o que comprar. Aí me dei conta que a dificuldade consistia no fato de que, para mim, até essa tese terminar, o supermercado se transformou numa abstração teórica....hahahha pode?

Assim que, ontem, com a geladeira vazia, produtos de limpeza faltando para a faxineira que veio hoje, e outras pequenas necessidades do cotidiano que a gente preenche sempre indo ao super, lá fui eu de novo fazer comprinhas. Tinha que fazer hora para buscar Alf no aeroporto. Fiquei a perambular pelo Bistek. Mais um pouco de campo para quem já está atolada na lama. Foi bom. Todas as coisinhas que escrevi estavam lá, entre os compradores do Bistek: família, sociabilidade, negociações, cheiros e gostos...

Concentrei-me, comprei, pensei, observei... e consegui fazer do supermercado um híbrido entre o lugar que preencho minhas próprias necessidades cotidianas e o meu objeto de estudo do doutorado durante mais ou menos uma hora.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Como é bom ter amig@s!

Hoje a Marina veio aqui para me ajudar com as ilustrações da tese. Querida! Gastou a tarde toda no computadora, montando mapinhas, baixando figuras e filmes, tudo sobre um tema que nem interessa a ela. Nem sei como agradecer.

Ontem, tomei café com a Marta no início da tarde e cerveja com a Ana Paula no início da noite.
Segunda, acompanhei Zau em um compromisso chato e logo depois fomos pro mercado público tomar chope.

Todos os dias, falo com pelo menos uma das minhas amigas pelo msn ou gtalk. Todas tem seu lugar marcado e guardado na minha vida. Elas me dão força. Eu, se posso, dou força a elas.

A gente nunca se sente sozinha se tem amigas. Parece papo nhenhenhe, mas é mais do que sério!

Agora, imagina a quantidade de pessoas que precisam ser citadas nos agradecimentos da tese....Dá uma tese!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Semana produtiva!

O tempo passa voando...ai, que clichê! vivo dizendo isso aqui...
mas em geral, no segundo semestre do ano a gente tem a sensação de que ele vôa mais e não dá pra deixar de registrar isso.

Tenho trabalhado bastante e, finalmente, to achando que a tese tá ficando com cara de tese e mais perto do fim do que do começo... ufa, alívio... mas vai que qdo eu mandar pras orientadoras elas achem que não tem cara de tese.... ai, medo!

O ritmo de trabalho para as próximas semanas, até o dia 13 de novembro, está programadinho na minha cabeça. o que vou fazer em cada semana...ah, tranquilidade....

Mas nas horas vagas, aquelas em que não estou trabalhando direto na frente do computador ou não estou na  biblioteca (é legal ir na biblioteca aqui também, eu curti, acho que vou mais vezes ainda),tenho sentido tanta saudade dos meus dias em Londres.

Ah, que vontade de viajar!


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Relembrando (especial pra Miriam)

Uma das coisas que mais me impressionam nos céus europeus, e na Inglaterra, é o tráfego aéreo.

Não há vez que a gente olhe pro céu, em dia muito claro, sem ver uma enorme quantidade daqueles riscos brancos dos aviões a jato. Nunca está completamente azul.

Uma vez, indo de Londres para Paris, no trem, olhei para o céu avermelhado do por do sol e as marcas dos aviões tinham formado um xadrez...Eu estava com as mãos ocupadas pelo sanduíche que comia vorazmente, eu realmente estava com fome. Pensei que quando terminasse o sanduíche, fotografaria...não deu. O sanduíche terminou quando já estávamos atravessando o Eurotunel.

Desde aquele dia, fiquei olhando para o céu e procurando novas formas nas marcas dos aviões no céu. Não tive muita sorte...

sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre a experiência

Paulinha, minha amigona, acaba de voltar de sua bolsa sanduíche na Itália.

Encontramo-nos durante a semana, lá em casa, e hoje eu passei na casa dela para uma visitinha de boas vindas.

Voltar realmente não é fácil. Ela está lá, há menos de uma semana no Brasil, morrendo de saudades da experiência que teve.

Ela está como eu fiquei na volta. Perdidona.

Ela fala assim: "ali na Italia" e conta mais uma história de seus quatro meses viajando.

Eu fico até aliviada de ver como ela está se comportando. Eu achava que era só eu. Ainda tenho muita saudade do tempo que passei em Londres. Que experiência!

Convrsamos, Paulinha e eu, sobre o fato de que pouco podemos contar sobre o tempo que passamos fora. As pessoas não querem ouvir muito e acham que é "arrogância", "exibição". Mas a verdade é que não é nada disso. É só que queremos partilhar nossa empolgação. Fico pensando sobre o texto de Benjamin, aquele sobre o fim da experiência...parece que o fim sobre o qual ele fala é justamente o fato de que aos outros não interessa mais ouvir experiências...


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quanto mais escrevo, menos eu sei

A tese se espalha pela casa, no quarto, na sala e, claro, no escritório....



A pilha de livros (fora os arquivos de textos no computador e os xerox espalhados por todos os lados) só cresce...



E quanto mais eu escrevo, mais preciso ler e mais me dou conta de que menos eu sei....

Agoniante!

E, às vezes, empolgante!

sábado, 1 de outubro de 2011

Pra escrever

é preciso ler, pesquisar, procurar nos guardados. Por isso, o escritório em dia de algum movimento de tese fica desse jeito:

E me perco, me acho, me perco de novo...tanto nos raciocínios quanto nos papéis...

Esta semana, combinei com Carmen, minha orientadora, de entregar a primeira versão lá pelo dia 13 de novembro. Isto significa pouco mais de um mês...Não tem saída, agora. Tem que trabalhar duro!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Defesa da Vivi (assunto sério) e outras escritas (as bobaginhas do cotidiano)

Ontem foi a defesa da tese da Vivi Kraieski sobre alimentação de migrantes brasileiros em Boston: onde a comida não tem gosto...Ela foi extremamente competente na apresentação, objetiva e completa.

Depois a banca fez seus comentários: cinco membros, cada um com 30 minutos para falar, alguns falaram muito mais. Durou das 14 as 19h... e foram só elogios e sugestões sobre como seguir para o pós-doc! Muito bacana mesmo. Aprendi um monte, fiz montes de anotações já pensando na minha...

Mas assistir a banca e ver como os membros fizeram uma leitura detalhada da tese me deixou meio apavoraaaaaaaaaaaaaaaada!! Tenho que ser muito cuidadosa (tá, eu já sei disso há tempos, mas bah), cada palavrinha pode gerar décadas de comentários...cagaço! hahaha Apesar de que uma coisa é certa, gera comentários quando o trabalho é bom...então, tomara que o meu gere tantos comentários da banca qto o da Vivi! :)

Bom, depois de tudo, Vivi foi aprovada com louvor. Merecidíssimo. Fiquei super orgulhosa da minha amiga!

Hoje passei o dia aqui em frente a esta máquina, produzindo e tentando produzir. Até que rendeu, mas falta um longo caminho ainda. Aí chegou a noite e eu pensei que bem que podia ter um vinhozinho pra tomar uma taça e relaxar...A cabeça fica ligadona, mas cansada, não consegue juntar A com B...
Vão passando pedaços de textos, parágrafos inteiros pela cabeça e não dá tempo de escrever...já escrevi e reescrevi, na imaginação, umas trocentas vezes só a introdução. Qdo chegar a hora em que eu realmente quiser escrever, esses textos fantásticos que me vieram a mente vão sumir...medo!!

Então, resolvi ligar pro Dani pra ver como ele vai. Prá variar, celular desligado. Ele não está no gtalk e eu não consigo saber do meu filho de quem estou com saudades.

Pra distrair, fui cortar as unhas do Fredi...ô dificuldade cortar unha de gato, consegui cortar todas as de uma pata e quatro da outra pata, ambas da frente, pq nas de trás eu nem me arrisco. E o mais louco é que ele fica p da vida qdo lhe corto as unhas e some de perto de mim...haha me põe no freezer!

Agora dúvida: assisto essa seleção brasileira meia boca jogar contra a Argentina ou tomo um banho e vou dormir! Dúvida cruel!

domingo, 25 de setembro de 2011

Aniversário da Betina

Há 28 anos nasceu Betina, minha filha.
Guria de fé, batalhadora, sonhadora, realizadora.
Sou puro orgulho do que ela já fez acontecer nesse tempo que nem é tão longo.
Nós e o mediterrâneo. Grécia 2011. Filha e companheira!
Te amo, Betina!

sábado, 24 de setembro de 2011

Coisas que acontecem nos mercados, mercadinhos, supermercados e afins

Fui ali na esquina de casa - não é bem na esquina, mas é assim que me refiro ao minimercado que fica aqui perto e ao qual recorro quase diariamente - e assisti uma cena "chocante".

Um homem adulto, professor da universidade (eu o conheço), estava na fila do caixa com três batatas e uma garrafa de coca-cola, aguardando a sua vez de efetuar o pagamento. Seu filho, de uns três ou quatro anos, veio do interior da loja e se encostou nas pernas do pai. Chegada a hora de pagar (tudo muito rápido), o pai perguntou ao filho o que ele tinha nas mãos. O menino, com um sorrisão, mostrou um pacote  de balas de  goma em forma de carros. O pai, então, falou, em tom grosseiro mesmo: "isso aqui é porcaria. É um nojo! Você nem sabe o que é isso". O menino, já meio amedrontado, respondeu "é bala de goma de carros!" O desejo visível em seu rostinho. O pai, então, perguntou à moça do caixa se era bala de goma mesmo. A moça confirmou. "Quanto custa?", perguntou o pai. "Três reais", respondeu a moça. O pai virou-se para o filho: "você quer levar isso? isso é nojento!" e outros impropérios que agora não lembro. O menino com cara de quem quase ia chorar fez que sim com a cabeça. O pai pagou o produto, junto com as outras compras. Virou pra mim e comentou: "faço terrorismo". Saiu dizendo pro menino: "você levou isso, você vai comer isso. isso é um nojo. todo mundo vai ter nojo de você!" A criança, humilhada em "praça pública", mesmo com o pacote de balas na mão, seguiu o pai com um olhar triste, de dar dó.

Bom, são tantas coisas possíveis de pensar a partir desse rápido acontecimento num mercadinho...primeiro: noções de saudável e não saudável (nojo e porcaria). segundo: as incoerências dos adultos - coca-cola pode, bala de goma não pode; xinga, mas leva o produto. formas de educar os filhos. formas como o desejo das crianças é ativado por embalagens e formatos de produtos e assim vai...

Esse lugar de administração da vida privada, que também é um lugar público - o mercado, o minimercado ou o supermercado -, realmente serve para pensar...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

primeiro dia da primavera e trabalho que rende

Amanheceu chovendo, seguiu choviscando intermitentemente o dia todo. É o primeiro dia da primavera. No facebook, todos comemoravam a chegada da estação, mas quem mora em Florianópolis não pode deixar de reclamar da chuva.

Ontem, Jania e Cláudia Passos vieram para cá. Elas me ajudariam na tese. Mas aí, vinho vai, vinho vem, três garrafas e meia depois, elas perguntaram: tá, em que podemos te ajudar? E lá eu tinha condições de pensar em trabalho? Mas foi divertido, mulheres jogando conversa fora é sempre divertido. Maridos com orelhas quentes, amigos também. Mas se alguém pensar que falamos mal de alguém, está muito enganado. Foram só elogios e filosofia de botequim sobre relacionamentos em geral.

E a tese? Vai bem obrigada. Esta semana foi produtiva, não em número de páginas, mas em quantidade de leituras que dão um pouco mais de densidade ao conteúdo. Além disso, a tese ganhou nome e começou a ficar mais clara na mina cabeça. To satisfeita. Mergulhei de verdade. Tenho acordado de manhã bem cedinho para trabalhar, já com a tese na cabeça. Gosto quando chego neste ponto.

Sobre o processo da escrita, no caso desta tese que versa sobre supermercado visto a partir de diferentes enfoques: tempo, sentidos, relacionamentos etc, percebi que a cada pedacinho sobre um desses enfoques que termino, me sinto esvaziada. É como se começar o próximo pedacinho fosse começar do zero.

Agora é tempo de descansar um pouco, é sexta-feira,dia de pizza e dia de Alfredo.

domingo, 18 de setembro de 2011

Mais um domingo cinzento em Floripa

O que fazer num domingo desses? Sempre cinza.

De manhã, caminhamos pelo Campeche, ladeando a lagoinha pequena. Depois, preparamos um almocinho com os restos do frango de TV de cachorro comprado ontem, lá perto da minha casa.

Agora, enquanto o Fluminense joga, eu deveria estar estudando. Qual nada, fico enrolando, enrolando, enrolando e nada de pegar nos livros que trouxe.

O netbook no colo, navego pela internet, jogo paciência e penso que poderia dormir. Afinal é domingo, está cinza.

Escrevo no blog sem muito para contar. A cabeça meio vazia ou muito cheia. Sei lá. Apenas quero não deixar morrer. Vai que daqui a um tempo eu tenha coisas interessantes pra escrever aqui, né?


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Chega uma hora que não sai mais nada

Aí é melhor parar!

Passei o dia em cima da tese, entre máquinas de lavar cheias para aproveitar o sol. Evoluiu poucas páginas. Cada parágrafo um parto. Cada volta aos parágrafos anteriores, uma arrumadinha, uma pesquisadinha, uma lidinha. E lá  vou eu, ou vai ela, a tese. Pra onde?



sábado, 10 de setembro de 2011

Nativos e estrangeiros - transformações

Fui até Santo Antônio de Lisboa, ontem, para assistir uma apresentação do projeto Tem piano no samba, da minha amiga Cláudia Passos. Bem bacana, recomendo.

Santo Antônio de Lisboa, para quem não conhece, é um calmo lugarejo do lado oeste da ilha de Santa Catarina, com vista para o continente. Tem construções do tempo da colonização ainda preservadas. O mar ali é calmo e se come muito bem por lá. Perto do centro mas parece outro lugar.

Quando chegamos, o trânsito estava complicado. Tivemos que estacionar o carro na estrada que leva para Cacupé. Descobrimos que o motivo para a complicação era a Festa do Divino, que acontecia na igreja. Barraquinhas na praça, cerimônia na igreja. Passamos a pé bem na hora que a procissão saía. Soltavam fogos de artifício. Um rapaz e uma moça vestidos de rei e rainha, seguidos do padre e de uma banda, fotógrafos, cinegrafistas e povo perto. Não muito povo, mas o suficiente para a gente pensar: que cidade é essa que a gente mora e não sabe das coisas que acontecem. Fomos até o  bar, onde a Claudia, carioca, ia cantar. Os donos do bar são mineiros e cariocas.

Floripa tem isso, essa aparente mistura de gente que veio recentemente para morar e trouxe sua cultura e gente que sempre viveu aqui e mantém a cultura local. Os primeiros trazem inovações, lojas, shoppings, carrões, alta velocidade. Os segundos, preservam o tempo mais lento, as tradições. Parece que vivemos separadamente. Como se os segundos não existissem, meio invisíveis. O que senti ontem em Santo Antônio de Lisboa foi o mesmo que senti e entendi no ano passado quando fizemos uma pesquisa com mulheres do Campeche e do Ribeirão da Ilha (este, mais preservado).

No Campeche também permanecem as festas da igreja, a vizinhança que se conhece desde sempre - todos são meio parentes, o tempo é lento. Ao mesmo tempo, mesmo que mais acelerado, a especulação imobiliária invade grandes espaços de terra, constroi mega condomínios com salas de cinema, ginástica, piscina.

Nos condomínios, ao contrário de seus vizinhos nativos, ninguém se conhece, não há solidariedade, não há visitas que aparecem para um café, que trazem um pedaço de bolo, que falam da vida alheia, pois as pessoas nem sabem da vida alheia (pelo menos não da vida alheia mais próxima geograficamente).

Campeche - de um lado da rua...
Nós, os estrangeiros, andamos pelo Campeche, compramos apartamentos por lá e nem percebemos a existência desses vizinhos que lá estão desde sempre. Isso acontece por toda a ilha. Na Lagoa, no Norte, no Sul...

Campeche - o outro lado da rua (foto de 2010, o condomínio deve estar nos finalmentes)
Trocamos nossas vidas em cidades grandes por uma mais calma numa ilha e trazemos junto todas as neuras que tínhamos. Transformações...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tá andando...

Devagar e sempre, mas andando...

Finalmente consegui entrar na tese, pelo menos em um dos capítulos da tese..tem que ser assim, mesmo, um de cada vez. Ainda devagar, muitas leituras por serem feitas, conceitos para serem esclarecidos, etc. Mas vai dar! eu acho...hehehe

Enquanto vou mergulhando no tema, o resto da vida fica meio em suspenso. Mesmo assim, ontem fui assistir um espetáculo de coro e orquestra, convidada pela amiga Betina Adams, que faz parte do coro. Saímos debaixo da maior chuvarada para ir até o teatro na SC 401 e valeu a pena. Enquanto ouvia as apresentações da orquestra, do coro e dos solistas, pensava na minha tese. É sempre bom sair do lugar para ver tudo melhor.

Na verdade, por ser um espetáculo de um coro amador, a minha expectativa era baixa. Mas me surpreendi. Boa qualidade dos cantores, dos solistas e da orquestra sinfonica de florianópolis. Não sou uma especialista em música, mas deu para fruir direitinho e até ajudou a pensar. (Não lembro o nome do espetáculo e o Alf levou o programa pra casa dele...sorry!)

Falando em chuva, a situação no estado tá feia. cheia de desbrigados, barreiras caídas, e ameaças de calamidades piores. Também, foram dias e dias de chuva sem parar, inclusive no feriado de 7 de setembro (pô, São Pedro podia ter dado uma folga!). Tudo molhado em casa, o gato numa agitação que não dá folga, o cheirinho de mofo que irrita e coisa e tal...

Falando no feriado, trabalhei durante o dia, mas a noite saí com minha amiga Zau e seu namorado Duda e mais o Alfredo para dar umas risadinhas e tomar um vinho. Duda, que é bahiano, disse nunca ter vindo a Florianópolis sem chuva e debochou do povo que só sabe falar do tempo no Facebook. Segundo ele, quem mora em Santa Catarina não tem outro assunto.

No domingo, fui almoçar com Alf e seu amigo David, que estava em Floripa para um congresso. Fomos para o sul da ilha e vimos baleias, tão lindas. Aliás, acredito que uma das que vimos foi a que encalhou no Pântano do Sul. Pobre bicho, que agonia. Ainda bem que se libertou!

O certo é que não dá mesmo para abrir mão da vida social - deveria diminuir de intensidade, mas tá difícil!

Sem contar a preguiça. Hoje acordei, fiz meu café, ajeitei a casa e comecei a reunir bibliografia para o capítulo que estou escrevendo, ou pretendo escrever. Parei tudo para ir para o pilates - delícia de atividade física, já sinto os resultados - e depois almoçar...aí voltei pra casa com vontade mesmo de deitar e dar uma dormidinha depois do almoço...não fiz isso, vim pro computador, comecei a dar uma olhada na bibliografia, fazer pesquisa no google acadêmico e escrevi mais um parágrafo...Aí travei pq precisava procurar em um livro uma citação (ou fazer uma paráfrase). Deu preguiça. Decidi abrir o tatilidades e escrever aqui...e não dormi.

Dormir é fundamental para deixar o inconsciente trabalhar, fazer as ligações necessárias e, principalmente, para acordar sem a preguiça. Acho que vou me dar 30 minutos! "Boa noite!"

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Mexer nas coisas guardadas, mudar perspectivas, aproximar

A tese invadiu a sala. Desde sexta-feira, tenho uma mesa no escritório e outra na sala. Resolvi ampliar as possibilidades de local para trabalhar. Quem sabe, mudando a perspectiva, eu consiga desenvolver melhor. Ficar mais perto da cozinha pode me ajudar a pensar sobre o supermercado.

É bacana mexer um pouco nas coisas. Trazer a mesa que estava no quarto-depósito para a sala me fez mexer em armários que estavam intocados desde que voltei de Londres. Uma sacola de sapatos está ali, separadinha, para doar. Algumas coisas foram para o lixo, mas grande parte do que está no quarto-depósito-bagunça não me pertence. São as memórias d@s filh@s, papéis, fotos, presentinhos, skate, bicicleta, etc.

São coisas das quais eles não querem se desfazer, preferem manter na casa da mãe como forma de materializar as referências: "a casa da mãe é também a minha casa." Para mim, também, ter as coisas deles aqui é mantê-los presentes, mesmo que cada um tenha tomado o seu rumo. Sentir que a minha casa é referência para eles é senti-los bem perto.

Ao mesmo tempo, e já que passa do meio dia, dá saudade do tempo em que almoçávamos juntos. São só as coisas que estão aqui. Eles estão tocando suas vidas (que orgulho!) e eu vou ter que sair pra almoçar sozinha. Coisa que não gosto de fazer.



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Coisas de mulher

Acordei com dor de cabeça.

 Passei a manhã aumentando a dor de cabeça ao procurar e ainda não encontrar a melhor forma para minha tese. Uma hora, acho que o plano desenvolvido está bom, outra parece que não dá conta do emaranhado de ideias e achados que o campo me trouxe. A ruga que tenho entre os olhos está ficando mais profunda, de tanto pensar e repensar. Uma luz, pelamordideus!

Para piorar, ou explicar, a dor de cabeça, descobri que menstruei. De novo, depois de 21 dias, sendo que antes eu tinha ficado mais de seis meses sem menstruar. Ô fasezinha chata essa do climatério! Meus atrasos começaram há mais de quatro anos. Os calores no ano passado eram tão fortes que quase enlouqueci. A pele que enfeia, o corpo que incha e desincha, a tpm sem m, a tpm com m. Menstruar, nessa fase, é uma surpresa como foi a primeira menstruação...saco, viu?

Pra arejar a cabeça, fui passear na UFSC com a Marina, como se eu não tivesse nada para fazer. Não foi totalmente passatempo, conversamos sobre a minha tese, conversamos sobre supermercados, conversamos sobre administração doméstica. Quem conhece a Marina nem pode imaginá-la falando muito dessas coisas, né? Sempre tão envolvida em cinema, fotografia, literatura. Mas ela, como todo ser humano que é mãe e dona de uma casa e que vive nessa sociedade, também precisa administrar uma casa. E foi bem legal.

Depois, Vivi veio tomar café comigo, em casa. Conversamos bastante sobre as nossas teses, sobre as possibilidades das nossas pesquisas, sobre nossas angústias, sobre planos para o futuro. Foi bom também.

Se eu não produzi propriamente em números de páginas, produzi em raciocínio. Em raciocínio sobre coisas de mulher...





segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cinema - A Missão do Gerente de Recursos Humanos

Fazia muito tempo que não ia ao cinema. E como é bom, né?

Ontem fomos ver esse filme israelense, rodado parte em Jerusalém e parte na Romênia. Ele é uma reflexão interessante sobre "afinal o que é fazer a coisa certa?" "O que é ser humano?" Bom filme, gostei. Quase congelei vendo as cenas de inverno na Romênia. Quase morri de angústia com as aventuras e percalços do gerente de RH para entregar o corpo de uma ex-funcionária morta em um atentado. Me diverti  com a consulesa de israel na Romênia...não é o melhor filme que já vi, mas vale a pena.


Gostei mais ainda de conhecer o Paradigma, cinema que inaugurou há algum tempo em Floripa, mas eu não tinha ido ainda. É a única sala que apresenta filmes fora do circuito comercial. Ontem não tinha muita gente. Não sei se é assim sempre. Mas como é a única sala off circuit de Floripa, a gente acaba conhecendo os frequentadores. Na chegada, encontramos Claudia de Ricardo. Na saída, Joca e Val. A sala de espera fica parecendo o hall de alguma festa em que todos se conhecem.


sábado, 27 de agosto de 2011

Sopas Exquisitas, loja esquisita..

Ontem rolou um "fextinha" bem sem querer em casa. Era pequena, apenas 3 pessoas: Alf, Ro e eu.

Alf escolheu uma das receitas de sopas exquisitas - livro que compramos juntos em Buenos Aires -, trouxe os ingredientes e nos divertimos ao prepará-la: sopa de champiñones e cebada.

A receita foi corrompida, mas o resultado ficou bem bom. Trocamos o estragão por manjerona fresca , colhida da minha varanda, e, em vez de cogumelos frescos, usamos funghi secchi...na verdade, criamos uma nova sopa, ficando a original para uma outra ocasião.

Tomamos vinho e eu enchi o saco da Ro mostrando as fotos da viagem  com a Betina pela Grécia. Bem divertido!

Hoje, sabadão, resolvi que queria visitar a nova loja da Tok&Stok, inaugurada há pouco em Floripa. Lá fomos nós. Dia cinzento, perfeito pra se enfiar numa loja. Andamos toda a extensão do estabelecimento - não tem outra alternativa, pois entra-se por um lado e sai-se por outro, não é possível desistir na metade do caminho e voltar, e, pasmem: não fiquei com vontade de comprar coisa alguma. Cheguei à conclusão que não tinha novidades na loja, era tudo igual ao que eu já vi várias vezes em Porto Alegre...Frustração total! É tão esquisito entrar numa loja cheia de mercadorias e não ter vontade de levar uma coisinha pra casa.

O bolso agradece.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sexta-feira

A semana passou voando!

Só ontem consegui trabalhar um pouco na tese: organizei a bibliografia. Já é uma maneira de entrar no trabalho. Mesmo assim, só depois das seis da tarde. O resultado foi que trabalhei até tarde da noite e depois perdi o sono, pensando em tudo o que falta fazer.

Como eu já contei, estou cuidando do Leo, o gato de uns amigos, enquanto eles viajam. É uma delícia. Quando chego no apartamento, Leo vem me receber todo faceiro. Esta manhã, fui pra lá com um livro e li um capítulo enquanto fazia companhia para ele. O Frederico é que não tá gostando nada de eu chegar em  casa com cheiro de outro gato. Me ignora ou me morde. O ciumento.

Mas a semana foi agitada, mesmo que sem muita produção. Fui ao médico para ver se, por acaso, meu desânimo não tinha uma causa clínica. Fiz os exames de sangue, urina e feses e tudo está bem, dentro dos conformes. É resistência mesmo, ou sem-vergonhice, como diriam os antigos.

O tempo tb não ajudou muito. Choveu a semana toda, clima ruim pra caramba, que me fez pensar que em Londres era bem mais fácil encarar o tempo chuvoso e frio do que em Floripa. E aí bateu uma baita saudade dos meus dias por lá. O foco, mesmo que muitos passeios o desviassem, era exclusivamente para os estudos. Ocupava meus dias na biblioteca, lendo, escrevendo, pensando. Aqui, nem biblioteca tem por conta da greve - não que eu frequente muito, mas seria uma opção para sair de casa e ficar longe de tantos apelos de louça suja, casa empoeirada, roupas para lavar que parecem tão mais importantes e urgentes...

Mas a tese vai bem, obrigada. Vai dar certo, tenho certeza. Ontem, nessa fase de organização, agreguei ao que já tenho um outro trabalho que apresentei em um congresso...cresceu! Agora tem 80 páginas, com a bibliografia. É preciso fazer os ajustes de texto. É preciso desenvolver os capítulos que faltam. Já tenho, porém, um belo sumário.

(Ando meio sem o que contar no Tatilidades. Mas não quero deixar de publicar. Não quero que acabe. É meu diário. Pena que haja coisas que não posso contar aqui - fatos, sentimentos, pensamentos. Coisas que podem ser mal interpretadas, podem comprometer outras pessoas, podem causar mal entendidos. Também não posso ficar adiantando muitas coisas da tese aqui. E como só ando vivendo a agonia da tese, fica difícil pensar no que escrever.)








segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Segundona! É hora de levar a sério!!

Ai, ai, ai...

O trabalho de escrita de uma tese não é fácil. É preciso mergulhar, se afastar de tudo o que é mundano, cotidiano e social e entrar de cabeça no tema da tese.

Aí hoje, segunda-feira, seria um excelente dia para começar. Mas essa minha escrita está parecendo mais uma promessa de dieta....toda semana, eu digo: "começo na segunda".

E chega a segunda. E tenho dentista no meio da manhã - não há como se afastar da dor de dente -, médico à tarde - não há como negar os sintomas de cansaço e desatenção, melhor  fazer os exames clínicos e garantir que não é algum hormônio ou vitamina faltando -, e jantar na casa de amigos à noite - tenho que cuidar do gato deles enquanto eles viajam a partir de amanhã, pois fazemos parte de uma rede de cuidados com os gatos. Eu cuido do deles, eles cuidam do meu, cuidamos dos da Mari e assim por diante.

E assim, mais uma segunda vai passar e eu não vou ter escrito - e lido - muito.

Amanhã já apareceu uma reunião no meio da tarde.

Ai, ai, ai...e setembro já está logo ali!


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sem e Com

Sem produção, sem energia, sem vontade, sem fome...

Há três dias estou com dor de cabeça, com dor de barriga, com enjoos.

Sei lá se foi uma virose que me pegou ou se foi um sapo grande que estava escondido no fundo do estômago que voltou e me deixou assim...

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

De como o supermercado mudou nossas vidas 1

Estou a escrever, ou tentar descrever, como os supermercados entraram nas nossas vidas...aí lembrei de alguns fatos da infância e me deu vontade de contar aqui. É um pedacinho do texto da tese, que acabei de escrever...


Em um curto espaço de tempo, de acordo com Humphery (1998), isto é, menos de um século, os supermercados tornaram-se uma instituição social e econômica das nações industrializadas. O autor destaca que não há muito tempo, esse tipo de varejo representava um novo mundo e que, hoje em dia, para a maioria das pessoas no mundo industrializado, eles são lugares familiares.

Comecei, a partir disso, a pensar sobre as minhas primeiras relações com os supermercados, na infância, nem tão tenra...

Lembro, por exemplo, da instalação de um grande loja de supermercado no bairro onde morava, em Porto Alegre, quando pré-adolescente, o Kastelão (pq usavam K, não sei). Minhas colegas de escola e eu saíamos da aula para passear naquele mundo totalmente novo, repleto de embalagens atraentes, em que empurrar um carrinho de compras através de corredores que ofereciam produtos variados nos fazia sentir como se estivéssemos vivendo as aventuras apresentadas nas séries de televisão americanas que costumávamos assistir.

Aos poucos, depois da instalação desta loja, na década de 1970, de acordo com minha memória, foram desaparecendo do bairro o armazém em que minha mãe costumava fazer as compras do dia-a-dia, o açougue, a fruteira e a padaria. Transformações no trânsito e nas relações podiam ser observadas.

 Em situações de emergência, ou seja, a falta de algum produto para o preparo do almoço ou de um doce, minha mãe costumava pedir a algum dos filhos que “desse um pulo” no armazém para buscar o produto que faltava. Íamos sem dinheiro e o dono do estabelecimento nos entregava o produto, anotando o valor na caderneta para que, no final do mês, as contas fossem acertadas. Ele sabia de quem éramos filhos, sabia quem era quem na vizinhança.

Com o surgimento do supermercado, minha mãe, pouco afeita ainda à modernização do comércio de alimentos, ficava indignada quando, no caixa, a atendente pedia seu documento de identidade para confirmar que o cheque era dela mesma: “como assim, você não sabe com quem está falando?” esbravejava enquanto, impotente, tirava a identificação de sua carteira.

Hoje já nos acostumamos a essa relação de anonimato, baseada na total falta de confiança entre as partes.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por agora, malas aposentadas


Então, minha última viagem programada do ano acabou.

Os dois últimos dias em Buenos Aires foram de muitas caminhadas pela cidade cinzenta. O tempo realmente não ajudou a empolgar. Mesmo assim, vimos muitas coisas interessantes, compramos bobaginhas para trazer e praticamos o portunhol (eu mais do que Alfredo, que fala castellano).
Poste de Serviço

Teia de Aranha e cemitério. Tudo a ver (Recoleta)


Passeador de Cachorros - Profissão em Alta em Buenos Aires

Jardim Japonês
Ventava em San Telmo

Agora é tempo de concentrar-se. O que não está fácil. Acho que tenho que fazer um retiro espiritual para, finalmente, conseguir mergulhar na escrita da tese. Que sofrimento, né hein? Falo disso quase todas as vezes em que escrevo aqui. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Impressões




Pichações são manifestações legitimas...ou não? Mas enfeiam as cidades...

Em Atenas também as pichações enfeiavam a cidade. Agora, em Buenos Aires, me dei conta de como as pichações nas paredes pelas ruas provocam um mal estar. Me sinto pouco segura. Sei lá.

Mas não são só as pichações que geram insegurança. Há muita sujeira pelas ruas.


Além disso, os donos de nosso hotel são muito simpáticos, porém tendem a apavorar os hóspedes com sua preocupação com segurança. A seguir suas orientações, não sairíamos do quarto. Quando a gente chega, eles abrem a porta e perguntam: está tudo bem? num tom alarmado. E quando respondemos que "sim, tudo está bem", eles dizem: muito me alegra. Como se estivessem esperando pelo pior. Contam histórias assustadoras de turistas que foram esfaqueados, que perderam documentos e dinheiro, que pegaram motoristas de taxi enganadores e outras coisinhas mais. Como curtir um lugar com esses avisos todos?

Tá, a gente curte igual. Mas não pode pensar muito, nem olhar muito para a sujeira, para as paredes pichadas  e para os moradores de rua...
Parece ser um morador de rua com endereço fixo. O cachorro vestido para enfrentar o frio, a TV, uma planta e até um insenso aceso criam a atmosfera do lar.

Tá, nem só de observações negativas foi feito nosso dia de ontem.Come-se muito bem por aqui. Á noite, saímos do hotel para ir ao El Preferido de Palermo, sugestão encontrada na internet. O tal preferido estava fechado e entramos no El Penguino de Palermo. Um lugar bem mais simplinho que parece ser frequentado mais por pessoas da cidade mesmo do que por turistas. Valeu! Comemos um filé maravilhoso (de matar a saudade dos filés do Rox, em Porto Alegre), uma massa caseira na consistência certa e, para coroar, panquecas de doce de leite....hummm.

Choripan...hummm
Já durante o dia, fomos a San Telmo e perambulamos por entre as barraquinhas da feira quilométrica, fotografamos a casa Rosada, o obelisco...andamos e andamos.


domingo, 7 de agosto de 2011

Benos Aires, primeiro dia


Sair de Floripa às 4 e 10 da manhã rumo a Buenos Aires é fácil não. Acabamos não dormindo de sexta para sábado, pois tinhamos que estar no aeroporto duas horas antes, o que significa sair de casa meia hora antes das duas horas antes. Dormir às nove para acordar no meio da noite, nem pensar...bom, resumindo: estávamos exaust@s ontem pela manhã.

A chegada no aeroporto de Ezeiza foi tranquilinha, mas sair dele nos tomou um pouco de tempo: passa na polícia, passa na aduana, passa nas casas de câmbio para ver quanto estavam pagando o dolar, troca dolares por pesos, vê as possibilidades de transporte até o centro, toma café (ruim, no aeroporto), escolhe o taxi e pronto, ruma para o hotel em Palermo Soho - point atual em Buenos Aires.
Da estrada para Buenos Aires

Ficamos num hotel lindinho, chamado Sissi Haz. É uma casa reformada, transformada em hotel que, por aqui, chamam hotel boutique. Tudo novinho numa casa velha. Eu achei bonitinho e a cama é muito confortável. O que descobrimos logo na chegada ao quarto, pois dormimos das dez da manhã até a uma da tarde.
Chegamos - Entrada do Sissi Haz
SAímos para caminhar por Palermo mesmo...bem legal. Lojas, feirinha, galerias de arte, livrarias, lojas de vinho, enfim...
Sorvetinho de dulce de leche...humm
Voltamos para o hotel e dormimos mais um pouco.

À noite, teríamos o aniversário de 60 anos de um primo do Alfredo, Adrian. Esse foi o motivo de nossa vinda para a cidade: participar desta festa como representantes de Arturo e Dora (Alf representava, eu estava de acompanhante), a quem devo agradecer de coração pela oportunidade de conhecer a família animada, tomar bom vinho e jantar uma comida maravilhosa preparada por uma das primas, Claudia. Mas o destaque da festa, na parte da alimentação, ficou por conta das tortas da sobremesa! Acordei hoje arrependida por não ter conseguido provar de todas elas.

As fotos da festa estão na câmera do Alfredo.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Arrumar mala

Este ano, arrumar mala tem sido minha atividade mais frequente. Deveria ter-se tornado uma atividade banal e fácil, mas comigo não é assim. Tem algo estranho em selecionar entre roupas e coisas o que deve ser levado e o que deve ser deixado.

Para mim, sempre faz pensar que, no fundo no fundo, a gente não precisa ter tanta coisa para viver e que é possível viver em uma mala. Por outro lado, sempre bate uma insegurança, não sei se é bem esse o termo, mas é uma sensação de abandono do que se construiu e acumulou e de que alguma coisa vai faltar e, talvez, mudar durante a viagem.

Tenho ainda a sensação de que, para viajar, é preciso levar as roupas mais especiais, "arrumadas", que se tem e, daí, vem a consciência de que meu guarda-roupa não é muito variado e que nele não há roupas especiais e "arrumadas".

Por que, no dia a dia, não me incomoda não andar muito bem vestida, usar sempre as mesmas roupas (ando pouquíssimo criativa) e quando vou viajar fico com a sensação de que não tenho o que levar?

Arrumar a mala é planejar os próximos dias, prever, imaginar, criar expectativas. Arrumar mala é deixar um monte de coisas para trás.

Viajar é um estado de excessão, é estar fora do cotidiano, do esperado, do normal. É estar longe dos recursos e das rotinas que nos dão tranquilidade. É abandonar o conhecido, mudando de lugar no mundo. Eu gosto, eu desejo, mas me tira do prumo e do controle tão necessários neste momento.

Não houvesse o que fica aqui, esperando, seria bem mais fácil.

Mesmo assim, lá vou eu! Afinal, seja com uma mala pouco criativa e variada, seja com coisas deixadas para trás que talvez possam ser úteis ou que talvez eu descubra, de novo, a sua inutilidade, como resistir a quatro dias em Buenos Aires?