segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Primeiro dia na Science Library, Jewish Museum e Camden Town - Experiências Sensoriais.

Gente, a science library da UCL é lotada e barulhenta. No saguão principal, pelo menos. Tem muito estudante e forma-se uma enorme fila para usar os computadores. A sala da antropologia, onde está a maior parte do material que procuro, é silenciosa, mas não menos lotada.

Fui logo pedir ajuda. Não sabia como começar a procurar os livros, nem como se processa o empréstimo de material. O sistema é bem diferente das nossas bibliotecas, a princípio. Para emprestar e devolver livros, tudo é automatizado. A conversa fica entre o computador e quem está emprestando ou devolvendo. A máquina lê qual livro vc tá tirando e imprime o comprovante. Para devolver, vc coloca o livro num escaninho e a máquina lê qual livro está sendo devolvido e te dá outro comprovante. Supermaneiro, sem filas, apesar da quantidade de gente circulando :)

Mas, como em qualquer biblioteca, o sistema diz que o livro está disponível e vc vai até a prateleira certa para buscar e, surpresa!, ele não está lá. Aconteceu com dois dos que procurei, que eram os mais importantes para hoje. Saco!

Estou lendo o que posso sobre a antropologia dos sentidos, já que quero escrever um capítulo sobre os  sentidos no supermercado. Até agora, o que percebi da turma dos sentidos é que, por ser a visão o sentido mais badalado da modernidade, eles deixam meio de lado e vão estudar o tato, o olfato, a audição e, um pouco menos, o paladar. Aí, pra eu falar da visão, vou ter que procurar outras referências. De qualquer forma, é bem interessante o ponto de vista deles sobre os sentidos serem, também, culturais, com sociedades que privilegiam diferentes sentidos e como o estudo das relações entre eles permite a compreensão das relações nas sociedades em questão. É possível pensar com o nariz? Para algumas das sociedades citadas como exemplo, sim. E pra nós? Pelo que percebo até de mim mesma, também! Nossos sentidos são culturalmente educados e esses códigos culturais dos sentidos variam de sociedade para sociedade e com o tempo.

Mas o nariz pode fazer parar de pensar tb! Estava lá eu sentadinha na sala da antropologia, folheando livrinhos que podem ser interessantes quando alguém na sala deixou escapar um poderoso flato. Me perdi nos raciocínios! Sacanagem!

Ah, nem contei de ontem. Falando em sentidos, fui visitar o Jewish Museum. Pequeno e aconchegante, todo interativo - vc toca nas telas de computador e vê e ouve a história sendo contada ou a tradição explicada, vc também pode tocar em vários dos objetos expostos. Só faltou poder experimentar as comidas que aparecem nos vídeos. Humm, deu uma vontade!

As quatro salas do museu mostram (1) as tradições judaicas do nascimento até a morte, incluindo explicações sobre as datas festivas; (2) a história do judaísmo na Inglaterra;  (3) uma exposição fotográfica sobre os judeus marroquinos - essa sala, pelo que entendi, varia as exibições, e (4) uma sala para falar do holocausto. Esta, aliás, bem interessante na forma de expor o terror. Conta a história de apenas um judeu britânico que voltou dos campos de concentração, desde o seu casamento, o nascimento do filho, a ida para o campo, objetos de uso pessoal dele e da família (que ele perdeu durante a guerra) de antes, durante e depois do período. Num telão, este homem conta as agruras por que passou. Uma citação dele, estampada na parede, me fez lembrar do livro O que resta de Auschwitz, do Agamben, em que ele discute o sobrevivente que não é testemunha. Longo assunto para um blog. Bom, a forma de contar a história é triste, mas não é chocante.

Um dos computadores dá a possibilidade de fazer perguntas (pré-determinadas) a cinco rabinos de diferentes tradições. Nos divertimos - Thaís e eu - fazendo as perguntas referentes à participação das mulheres na vida religiosa e à sexualidade. Cada um dos cinco tem uma maneira de encarar. Do mais radical ao mais liberal.

Quem sabe é verdade?
Porque fui no Jewish Museum? Por causa do Alf - sempre é bom saber mais um pouco sobre as origens e pq a Rickie, esposa do Danny, é a diretora do museu. Não a encontrei lá, mas posso já dizer que visitei.

Do Museu, seguimos para a feira de Camden Town. Andamos, experimentamos casacos, olhamos coisinhas, tomamos um chai red, comemos um bolo de chocolate delicioso, olhamos mais, experimentamos mais e, já noite, voltamos cada uma pra sua casa. Estava muito frio. Esqueci as luvas e minhas mãos congelaram.


Tudo muito colorido na feira...as comidas, as lojinhas...uma experiência sensorial e tanto.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A rua em que moro, para Marina

Da frente do prédio para a Esquerda
Tem um pub bem na esquina
Para a direita
Chega na St Cross Street













A rua é mínima, quase não passa carro.Tem escritórios mais do que residências. Fotografar o movimento urbano, aqui, não dá. Mas dá para imaginar que é uma ilha calma em meio a um centro movimentado.
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Sábado de chuva. Nem queria sair de casa. Mas para o bem do meu humor, insisti comigo mesma e saí.

Peguei um ônibus por pura preguiça de caminhar para ir até a National Gallery. Em frente ao ponto de ônibus tem uma igreja bem discreta. Não é que bem na hora que parei lá uma cerimônia de casamento acabava de acontecer e os noivos e convidados faziam pose para o fotógrafo que, para que todos coubessem na foto, foi para o meio da rua e parou o trânsito. 

Bom pra ver as modas

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Cada vez que saio por esta cidade, mais me dou conta de que grande parte das atrações turísticas estão a poucos passos (nem tão poucos) de casa. Delícia de lugar. Sou uma sortuda! Mais sortuda ainda pq a chuva parou e o sol abriu para iluminar a vista da frente da National Gallery.

O sol não foi suficiente para secar o chão.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ensaio de Primavera - animação!

As ruas de Londres, ontem, estavam mais coloridas. Um sol menos acanhado apareceu e encorajou a população a vestir roupas amarelas, verdes, azuis, cor de rosa. Alguns corajosos em manga de camisa. Tinha mais gente nas ruas e nos parques. Alegrei-me com a vista no caminho até a UCL.

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A partir de ontem tornei-me, finalmente, um membro do staff da universidade pelos próximos três meses. Acesso à wireless, biblioteca e todos os journals possíveis, aos prédios. Senti-me privilegiada. Tivemos, João (colega na mesma situação) e eu, uma aula de como acessar as facilidades. Chris, nosso instrutor, era todo explicadinho. Um dos poucos profissionais de TI que eu conheço com paciência para mostrar passo a passo os caminhos para se chegar onde se quer. Até demais. Foi um exercício de paciência para nós.

Ah, tenho um email da universidade! Chique no úrtimo! Não vou divulgar, pois continuo preferindo usar um email só.

Depois, aula do Danny. Ele fala muito em uma hora. Era uma introdução aos estudos do consumo. Ele passou por todos os textos que estavam na lista, pela economia neoclássica e pelo marxismo, citou Simmel, Bourdieu e outros autores. Falou que consumo não é, como quer o senso comum, o ponto final do capitalismo, que consumo sempre existiu na história...Uma hora depois, mudança para o pub. Mais divertido com ele do que com a moça da aula passada. Terminada a hora de debates no pub, ele convida todo mundo a ficar mais um pouco e beber mais.

Alessandra, João, Luiz Gabriel, eu

Três pints mais tarde, parti com os colegas brasileiros para um restaurante tailandês, na Charlotte Street. Ruazinha simpática, cheia de restaurantes de diferentes etnias, muita gente na rua e nos restaurantes. Momento ótimo de integração.

Para voltar, eu tinha uma ideia do caminho, mas não certeza absoluta. Juliano consultou seu smartphone - isso é fantástico aqui, se vc pede a alguém uma indicação, a pessoa logo vai para o smartphone e procura no mapinha - e ele, Tati e Lida (uma menina grega super querida que faz o curso do Danny) me acompanharam até o início da parte conhecida por mim - Tottenhamcourt Street.

Hoje, sexta-feira, é o dia de eu mandar para o Danny o que produzi. E, em vez de estar trabalhando, estou aqui descrevendo os acontecimentos de ontem! Mas posso garantir, tanto eu quanto a árvore estamos nos desenvolvendo, devagarinho!


Acabou de abrir sol novamente. Dá para ver sua luz batendo nas plantinhas do terraço. Pé que é um leque pra ir pra rua bater perna. De tarde, eu vou!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Prá Alegrar o Alf e Enquete

Clareei a foto e publiquei grande... Tivemos uma pequena discussão sobre mexer ou não mexer nas fotos. Ele sempre acha que minhas fotos estão escuras e eu sempre acho que devo publicar o que a câmera registrou...e agora? Quem tem opinião sobre o assunto, por favor manifeste-se!

Sem outras novidades por hora. A não ser que meu acesso à biblioteca não funcionou. Vim estudar em casa.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cinza e simpatia...resumo do dia.


Início do caminho errado. Lindo passeio.

"Corre pra polícia, mulher!" Foi o que eu disse a mim mesma quando acordei. Saí com as indicações do Google Maps na mão. Claro que errei o caminho. Lá pelas tantas dizia: vire à direita na Victoria Embankment. Fiz isso. Andei duas pontes até desconfiar que estava fazendo o caminho errado. Tinha que ter atravessado uma ponte, virado à direita, depois à esquerda e depois à esquerda de novo. Aí já dá pra perceber que nem todo o caminho indicado pela tal ferramenta é o mais reto entre dois pontos. Cheguei mais de uma hora e meia depois onde, de acordo com o Maps, eu chegaria em 36 minutos. Não foi de todo ruim. Passeei pela beira do Thames em um dia frio e meio enevoado, mas gostoso para caminhar.

Estava morrendo de medo de levar um esporro da polícia por não ter me apresentado no prazo. Qual nada, todas as senhoras que me atenderam foram muito simpáticas. A primeira, que eu vi ser grosseira com uma moça que estava na minha frente, abriu um sorriso depois que eu dei good morning! pra ela. Simpatia gera simpatia, quase sempre. E foi tanta que, quando foi me fotografar, ela disse: nesta foto pode sorrir. Perguntei como eu estava e ela disse: está muito bem.

Com o dever cumprido, meu plano era seguir, de metrô, até a universidade para buscar meu cartão de acesso à biblioteca. Porém, como de manhã não consegui acessar a internet para ler o email com as instruções, voltei para casa. Nova tentativa de acesso à internet frustrada, resolvi ir até a UCL de qualquer maneira, lá alguém me informaria onde eu deveria pegar o tal cartão. Tirei mais uma fotinho e agora tenho, orgulhosa, meu crachá da UCL.

Trabalho, hoje, só em pensamento - e foram muitos, o problema é acessar todos eles de novo.

Desde o passeio da manhã que fiquei prestando atenção nas cores das roupas. Pra ser bem honesta, estou sempre ligada nisso. Arriscando uma estatística, para cada 20 pessoas em preto ou cinza, tem uma em vermelho. Em toda a jornada, hoje, vi apenas uma de casaco amarelo, uma de casaco pink (bem pink) e uma de casaco tigrado. Poucas em bege - entre estas, eu. Com o dia cinza, as construções cinza, marrom ou vermelho acinzentado e as roupas em preto e cinza, fiquei morrendo de saudade das cores. Me deu uma vontade louca de seguir o conselho da Beth Linder, comprar um casaco amarelo ouro para colorir Londres.




domingo, 20 de fevereiro de 2011

Dominguinho Preguiçoso

Tudo o que fiz hoje foi cozinhar. Preparei um almoço para Gustavo, Marcus e eu. Um risoto que, surpreendentemente, ficou até que bom. Saí cedo pra comprar os ingredientes que faltavam: vinho, manteiga e queijo para ralar. O resto tinha em casa: funghi secchi, arroz arbóreo e caldo de legumes. Deu trabalho pq tem que ficar mexendo o tempo todo. Foi o exercício do dia. E eu nem fotografei a minha obra.

O tempo estava o mais feinho desde que cheguei em Londres. Talvez não o mais feio, mas o que me deu mais preguiça. Por isso, depois do almoço, deitei pra dar uma dormidinha de 30 minutos que se transformou em 3 horas.

Seguindo as orientações de meu supervisor, não trabalhei hoje, preparando para a semana que deverá ser cheia de atividades intelectuais. Assim espero. Já que agora me bateu uma culpa enorme por não ter produzido no domingão, digo, dominguinho.

No parque, outro dia.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Sábado chuvoso.

De manhã, ou melhor, de tarde já, porque de manhã todo mundo dormiu até quase meio dia, fui com os meninos tomar café no Paul's, uma boulangerie perto de casa. Mais tarde, metrô em direção à casa do Daniel, que reuniu os estudantes brasileiros, ofereceu caipirinhas e um pão feito por ele mesmo e depois levou todo mundo pra jantar em um restaurate brasileiro.

Daniel e Rickie moram no norte de Londres, numa vizinhança super tranquila, com casas bonitas, árvores e jardins. Pena que cheguei já estava escuro, não deu pra fotografar o lugar. A casa deles é bem aconchegante e a gata é linda, fiquei com saudades do Fredinho.

Tempo agradável, pessoas legais.

Fiquei apavorada só com uma coisa: eu tinha que ter ido na polícia fazer meu registro e não fui. Agora estou atrasada. Segunda tenho que correr lá!! Medo! hehehe vai que pela primeira vez alguém vai ser grosso comigo em Londres!
Da esquerda para a direita: Thais, Clarissa, Marcelo, Alessandra, João, Rickie, Daniel, eu.
Fotografando estava o Juliano.

Ontem bateu uma certa solidão. Sexta à noite, nada para fazer. Fiquei sozinha em casa. Resolvi tomar o vinhozinho (literalmente) que tinha comprado há alguns dias. Foi bom. Tem sido um exercício e tanto isso de ficar só, passear comigo mesma. Porém, mesmo que o exercício seja bom, prefiro companhia. Por isso, hoje, propus aos colegas brasileiros e suas esposas, muito simpáticas, que combinássemos alguns passeios juntos. Tomara que aconteçam.

Vinhozinho...acabou rápido demais!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Acabou a moleza!

Acordei decidida a por a mão na massa. Comecei lendo um texto do Daniel Miller que o Juliano me passou. É o primeiro capítulo de um livro que ainda não está pronto e se chama "Consumed by doubt". Bem introdutório para quem já está discutindo consumo há bastante tempo. Mesmo sendo fácil, a leitura foi cansativa por ser em inglês, o que exige o dobro de atenção.

Terminada a leitura, depois do almoço, estava bem cansada e resolvi que hoje, excepcionalmente, não iria passear. Deitei para meia horinha de descanso com o firme propósito de continuar a trabalhar depois.

Exatamente meia hora depois, o telefone tocou. Era o Daniel perguntando se eu tinha esquecido de nosso encontro hoje, às 3 da tarde. Fiquei meio atordoada, pois eu não sabia desse encontro. Disse que poderia ir assim mesmo e remarcamos para as 5 horas (depois ele viu que tinha escrito o email me chamando mas não tinha enviado. Coisas de professores que vivem no mundo das ideias).

Pois bem, fui ao encontro dele e ele propôs que nos mudássemos para um pub. Lá fomos nós. Tomamos uma pint cada um enquanto discutíamos o meu trabalho.

O resultado é que a moleza acabou pra mim. Ele deu vários conselhos e opiniões, assim como estabeleceu regras para nosso relacionamento. O mais importante: todas as sextas-feiras devo enviar o que quer que tenha escrito, em português mesmo. Ainda que ele não entenda o que escrevi, poderá ver os resultados em termos de quantidade. Além disso, devo enviar um sumário dos escritos em inglês com algum exercício de reflexão. A cada quinze dias, nos encontramos para conversar sobre a evolução da tese.

Entre os conselhos, destaca-se trabalhar como se fosse um emprego pelo qual eu estivesse sendo paga, cumprindo horário de nove às cinco, com pausa para almoço e café. Relaxar depois das cinco. Não trabalhar em finais de semana, estes existem para a gente se divertir. Esse Danny é figura!

Outros detalhes da conversa apenas deixariam este post longo e chato, já que versam sobre o conteúdo da tese (que tese?! heheheh).

Farei o que ele pediu, mas não quero me despedir das caminhadas por Londres. Falando nisso, to ficando tão ambientada que hoje, indo pra UCL percebi que não prestei atenção no caminho. Apenas fui.
Esta árvore pode ser vista do terraço em frente ao meu quarto. Vou acompanhar o crescimento dos brotos, fotografando-a toda semana. Tomara que tanto minha tese, quanto a árvore, cresçam bastante enquanto eu estiver aqui. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Blues - seria o fundo musical

Amanheci meio angustiada, não sei bem se esse é o termo correto. Não sei como descrever o sentimento, apenas sei que ele me fez recordar tempos remotos, algo que eu sentia com frequência na infância. Um nó na garganta, um vazio no estômago (não era fome), sei lá. Talvez seja o fato de que vim para Londres para estudar e, como o meu vínculo com a UCL ainda não foi formalizado, fico meio que em compasso de espera, por vezes, agoniante.

linda curva na Regents street
Para afastar o sentimento, reli alguns capítulos do livro Trabalho de Campo e Subjetividade. Uma delícia de leitura que fala justamente das agonias do pesquisador, no caso das antropólogas, em campo. Me identifiquei tanto, mesmo não sendo antropóloga, com as agruras, digo, dificuldades e sentimentos ali descritos que a dorzinha passou e se transformou na expectativa do "anthropological blues."

Percebi que minha rotina, por enquanto, está boa: pela manhã leituras e/ou trabalho, à tarde passeios para conhecer ou revisitar lugares turísticos da cidade.

A verdade é que não há processo de escrita de uma tese sem dor, assim como não se passa pela experiência de ficar fora de casa por um período mais longo do que simples férias sem que isso gere algum tipo de mal-estar.

Tomei outra decisão: amanhã mesmo começo a mexer no capítulo metodológico da tese. De manhã, claro. Porque à tarde, vou passear de novo.

não podia faltar essa foto!
|Antes de partir para minha caminhada da tarde, passei na estação de metrô mais próxima para recarregar meu Oyster Card (to top up the oyster). Dali segui a pé até a região de Picadilly Circus, com direito a uma passada pela frente do British Museum, pela Regents Street, depois pela frente da National Gallery, pelo Museu da Cavalaria (não sei o nome exatamente), pelo Saint James Park e de volta para Picadilly para começar o caminho de volta pra casa. Uma boa caminhada de três horas sem parar, fotografando de tudo um pouco, olhando vitrines, observando o caminho. Estou em Londres, afinal. Só faltava estar ouvindo blues.
  

A beleza dessa luz e o pássaro no céu afastam todo e qualquer mal-estar.


  

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Cinema - The King's Speech

Um daqueles dias de não sair de casa, de novo. Frio, 6 graus, chuva fina, tudo cinza. Terminei de ler o que tinha me colocado como meta, cozinhei o suficiente para dois dias, lavei mais umas roupitchas e fiquei perambulando até decidir que o melhor seria sair um pouco, para evitar mau humor.

Com a cabeça em qualquer outro lugar, talvez na leitura, talvez na tese, sei lá, entrei no elevador, desci e saí de casa. Fui até uma lojinha de conveniência comprar cigarros e achei que realmente o melhor seria voltar para casa. Quase chegando, dei-me conta de que tinha deixado a chave em casa e não conseguiria entrar. E agora? Voltei a caminhar meio perdida até que percebi que havia esquecido o guarda-chuva na lojinha. Fui busca-lo e resolvi caminhar em direção à UCL para procurar uma livraria e dar uma olhada em livros. Estava muito frio na rua para ficar zanzando.

No caminho, um cinema. Ahá! Boa ideia para fazer hora num dia como hoje. O Gustavo só chegaria às 17h30min, eram 15h. Queria ver Biutiful, mas não havia sessão naquela hora. O único filme em exibição era O Discurso do Rei. No melhor estilo "se não tem tu vai tu mesmo", comprei o ticket. Não me arrependi. O filme é bem gostoso. Romântico mas bem feito. Emociona e envolve. Sempre gosto dos filmes com Colin Firth.

http://www.imdb.com/title/tt1504320/

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Portobello Road, Covent Garden e as botas.

Chovia sem parar e estava muito frio ontem. Um daqueles dias para ficar em casa, em baixo do edredon, fazendo absolutamente nada. Mas como sou nova na cidade, fui obrigada a sair! Liguei de manhã para Roberta, que conheci naquela feijoada na casa de um colega brasileiro, e combinamos um passeio por Nottinag Hill e Portobello Road. Lugar fofo, tenho que voltar lá em uma dia sem chuva. Foi bacana, mesmo assim. Andei toda a Portobello Road com meu guarda-chuva transparente, olhando vitrines e experimentando botas. Quando encontrei Roberta, depois de caminhar a rua inteira, tomamos um café em uma simpática confeitaria e jogamos conversa fora por umas duas horas.

Hoje amanheceu um dia lindo demais. Plena segunda-feira. O tipo de "sacanagem" que também acontece no Brasil. Chove no domingo para abrir sol na segunda quando quase todo mundo tem que trabalhar.  Ainda bem que é quase todo mundo. Eu não preciso. Não que me falte o que fazer. Apenas que posso gerenciar o tempo, por enquanto, para passear em dia de sol.

Por isso, de manhã fui até uma loja aqui perto comprar um varal, voltei pra casa, lavei as roupas e almocei e, em seguida, saí caminhando para Covent Garden. Pertinho daqui, uns 20 minutinhos de caminhada. Lugar divertido, fiquei curtindo os artistas de rua. Cantores, malabaristas e estátuas enfeitavam o local. Muitas antiguidades e velharias sendo vendidas. Confesso que não são a minha praia.


Caminhei, olhei vitrines e, finalmente, comprei as botas que estavam planejadas desde o Brasil. O problema foi que me encantei por dois pares de botas. Resultado: comprei botas que não estavam planejadas desde o Brasil. A gente passa tanto tempo pensando e teorizando sobre desejos e não consegue resistir a eles. Também teoriza e critica o pensamento moralista sobre o consumo, que enche de culpa quem "gasta dinheiro" e, mesmo assim, fica morrendo de culpa quando se "descontrola".

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sabadão, atravessei oThames pela primeira vez (desta vez)

Saí para caminhar e "desbravar" mais um pouco a city por volta de meio dia, voltei pra casa às 5h da tarde.

De casa direto para St Paul's Cathedral - 15 minutos de caminhada. Andei em volta da catedral, entrei para dar uma olhada, mas não fiquei muito tempo. Tem que pagar pra visitar. Tô fora. Só o que for free!



Adoro ver noivas quando estou passeando!
 E é espetáculo for Free
Passei na lojinha de informações turísticas para comprar uma mapa da cidade. Não que eu olhe muito o mapa, mas adoro ter um!

Dali desci até o Thames, o dia estava frio, mas com sol. Bom para passear. Muita gente por todos os lados. Atravessei a Milenium Bridge  (da foto acima) e fui caminhar lá do outro lado.

Resolvi seguir o fluxo de pessoas e fui parar no Bourrough Market, que se pronuncia Bârá (com erre de inglês). Lembrei muito das minhas amigas e dos meus amigos que  gostam de comprar comidas diferentes (não vou citar, pq são muitos, tenho amigos e amigas de bom gosto).

 O mercado é uma espécie de feira direto do produtor. Parece pequeno logo que vc chega, mas é capaz de se perder lá dentro. Provei queijos, suco de maçã e sopas diferentes. Tem vinhos, comidas que dão água na boca, frios, uma grande variedade. Senti falta de companhia para comentar, provar e comprar.

Peixes Frescos, quase nadando e pela metade do preço!
Olha o tamanho deste queijo!











Porque havia fila em todas as barracas que vendiam comida, decidi não comer ali. Ainda estou atrapalhada com as moedas, fiquei com medo de embaçar as filas. Almocei em um Pret a Manger (me senti igual ao "turista acidental", lembram do filme? O cara escrevia livros com dicas de viagem para quem queria se sentir em  casa.)

Comecei o caminho mais ou menos de volta. Parei para um café com leite - adoro os cafés com leite daqui! - antes de entrar na Tate Modern e ver quase todas as free exhibitions. Quase porque depois de uma hora e meia lá dentro, comecei a correr entre uma salinha e outra. Percebi que estava cansada e não conseguiria mais fruir obra alguma.

Chamou-me a atenção, especialmente, o trabalho de um artista português chamado Julião Sarmento. Especialmente um ensaio fotográfico que me lembrou a Rosana Cacciatore e a Marina Moros. São várias fotos de uma mesma mulher, na mesma posição, em que o que varia é a luz. Muito bonito. Vi alguns Miró e Picasso e outros artistas cujos nomes não lembro. Esse é o problema de ver muitas obras ao mesmo tempo. Vc gosta, lê o nome do artista e, em seguida vê outra e esquece o anterior.

Saí da Tate e fiquei perambulando ali em volta, observando as pessoas por um tempinho antes de iniciar o caminho de volta para casa.



Brincando na beira do Rio,  com frio
gostoso!
 
 


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

dia de chuva, experiência acadêmica

Amanheceu chovendo. Finalmente vi Londres como em geral é descrita - chuvosa.

Passei a manhã em casa corrigindo aquele paper para mandar, de novo, para o professor.
Bem bom pensar que se está em uma cidade diferente na condição de moradora, sem pressa para nada. Choveu, fica em casa mesmo.

À tarde fui assistir uma aula da disciplina que o Daniel está ministrando este semestre, para o master degree: Mídia e Consumo. Dei uma olhada antes nos textos da disciplina e ela realmente me interessa, especialmente a partir da próxima aula, quando ele começará a falar de consumo.

Hoje não foi o Daniel que deu aula. Era uma apresentação da pesquisa de doutorado de uma ex-aluna dele, atual colega na UCL, sobre novas tecnologias e migração. Deu até vontade de voltar a estudar comunicação. Ela apresentou a etnografia que fez na Sérvia entre pais e avós de jovens migrantes que usavam o computador, especialmente, para se comunicar com seus familiares distantes.

As aulas são divididas em duas partes. A primeira hora, em sala de aula, é uma lecture. Na segunda, em um pub perto da universidade, acontece o debate. Assim foi hoje, mesmo sem a presença do Daniel. É uma dinâmica interessante e divertida.

Mas divertido mesmo foi perceber que os alunos aqui também não lêem os textos das aulas. Assim, no debate, a conversa girou em torno das experiências pessoais deles com as tecnologias, comparações entre eles e seus pais e relatos de realidades de outros países a partir dos pontos de vista individuais.

Pela primeira vez, entrei num pub e não bebi! :)

Só a partir de segunda, se tudo correr bem, terei livre acesso às facilidades da UCL. Enquanto isso, sem biblioteca pra mim. Vou passear! hahahah

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Em plena city!

Passei a manhã em casa fazendo uma versão em inglês de umas notas sobre a tese para mandar para o Daniel. (mandei. Fui ler de novo e que vergonha!!! Cheio de erros!! agora já foi! preciso aprender a controlar a ansiedade).
À tarde fui até a universidade falar com o secretário para cuidar da minha vida burocrática por lá. Tive que fazer hora enquanto ele não chegava.
Um café na praça para fazer hora.

Depois de acertar tudo na UCL, fui mais uma vez ao Waitrose (supermercado favorito do Gustavo) para comprar coisinhas que faltavam. Foi bacana, descobri a loja que fica no caminho pra universidade e que eu não tinha entendido até então. Estou super aventureira! Voltando para casa, eis o que encontro em plena City de Londres:

Área(zinha) rural no meio da cidade...cabras e ovelhas!
Resolvi procurar uma cesta para colocar minhas roupas sujas e fui parar na Argos. Nunca tinha visto uma loja neste modelo. Interessante, mas esquisito. A loja tem vários balcões com catálogos e uma máquina que vc consulta pra ver se tem o produto em estoque. Se tem, vc anota num pequeno formulário o número do produto no catálogo e segue até o caixa, onde vc tem a opção de pagar ou pedir para ver o produto antes de comprar. Eles dão uma senha e vc senta e espera ser chamada no balcão.  Os atendentes vão buscar o produto conforme a ordem das senhas. No caso, eu pedi para ver antes de comprar. Optei por comprar (burrada, era maior do que o espaço que eu tinha para coloca-la) e fui a um outro caixa para pagar. Como a loja estava vazia, o processo foi rápido. Mas fiquei imaginando como deve ser se a loja está cheia de gente.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dia de Sol - caminhada

Ontem fui assistir ao seminário que Daniel tinha me chamado. O tema, inovação e novas tecnologias ou os limites do design, nao era de muito interesse pra mim. A dificuldade de compreender o inglês também fez com que minha mente flutuasse durante a leitura, sim, leitura!, do paper pela professora Lucy Suchman, uma antropóloga que trabalhou no laboratório de inovações da Xerox no Silicon Valley, EUA. O estudo que ela apresentou era especialmente ligado aos designers. Problematizava o fato de que design passou a significar quase tudo e que os designers comportam-se como quem sabe como e qual será o futuro do mundo. Isso foi o que consegui entender! Pode ser que esteja equivocada. Porém, depois, conversando com alguns colegas sobre o seminário, parece que eu não estava sozinha na situação de não ter entendido muito do que ela falava.

Depois do seminário, o momento mais importante. Eles montam um bar em uma sala do departamento de antropologia da UCL e vendem a taça de vinho por 1 pound. Os amendoins são gratuitos. Depois de algum tempo, as taças entram em promoção, primeiro por 50p e, quando já está bem no final, 25p. Tomei só duas taças, não queria ficar bêbada pois voltaria para casa a pé.

Este é o momento da socialização, da troca de ideias e até de algumas discussões teóricas. Estava meio tímida, mas tive sorte. Encontrei Taís, esposa do Juliano (o da feijoada) que não estuda na UCL, e ela foi me apresentando as pessoas da sala. Daniel também me apresentou a alguns professores e estudantes de doutorado locais. Não me perguntem se eu lembro os nomes deles!

Hoje, finalmente, consegui abrir a conta no banco e enviar os documentos para a CAPES. Caminhei um monte atrás de um local para escanear passaporte, carimbo de entrada, bilhete aéreo (engraçado ainda pedirem bilhete aéreo, considerando que tudo é por e-ticket), cartões de embarque, detalhes da conta do banco, etc etc.


Por sorte, a caminhada foi ótima, o dia ensolarado, o céu azul sem uma nuvem e o tempo frio compuseram um delicioso passeio. A cada dia que passa, me entendo melhor nas ruas de Londres (aqui em volta!).

Já passei diversas vezes por esse lindo jardim. Algumas delas com a Betina que dizia: olha o teu jardim aí, mãe. Hoje, com sol, fotografei. Amanhã, se tiver sol de novo, vou lá para sentar um pouco.


Ah, fui duas vezes ao supermercado hoje! Algumas constatações comparativas: aqui os supermercados não têm música como no Brasil e os funcionários dos caixas não conversam, mesmo que a gente tente puxar assunto, como os do Brasil.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Fim de semana com a filha - inversão de papéis.

Este fim de semana foi caracterizado por uma interessante inversão de papéis.

Having a Hot Pie at EAT
Normalmente, quando alguém vai estudar fora de sua cidade ou país, os pais vão visitar logo no início para ajudar na instalação. Comigo foi diferente. Quem veio me ajudar na instalação foi a minha filha. Betina me ajudou a me localizar um pouco mais na cidade, a comprar roupas novas, foi ao supermercado comigo, sugeriu mudanças no layout do meu quarto e me deu o mais importante de tudo: muito carinho.

Para o domingão, Betina e eu tinhamos combinado de pegar um River Bus e passear pelo Thames para ver Londres de outro ponto de vista. Porém, recebi um email do Daniel Miller, logo cedo, convidando para uma feijoada na casa de um de seus alunos brasileiros. Mudamos os planos e decidimos participar da festa. Foi ótimo termos ido.

O encontro era para comemorar os 40 anos do Juliano, na casa dele. A maior parte dos convidados tinha menos de 30 anos, bem menos. Tanto que da leva dos que estavam na casa dos 20, Betina era a mais velha, com 27.  Fomos super bem recebidas e imediatamente integradas ao grupo. Betina, por partilhar a faixa etária, eu, por partilhar os interesses (ser aluna do Daniel). Assim que nenhuma de nós se sentiu fora de lugar e as diferenças de idade não foram problema. O divertido foi pensar que eu era a aluna e minha filha estava ali para me acompanhar.

Fiz sucesso na festa, entre os fumantes, por ter cigarros brasileiros. Me senti um português chegando no Brasil com presentinhos para os índios. Trocas.
Tomamos muita cerveja quente e até espumante para brindar ao aniversariante. Divertidíssimo. Minha lista de contatos no celular aumentou e a maior parte dos convivas encontrarei hoje no seminário. Inclusive o irlandês que se encantou pela Betina e nos acompanhou até o ponto de ônibus na volta. Bunitinho! Sou uma mãe muito da coruja.

Hoje cedo, Be voltou para Paris.  E eu vou sentir a maior falta da segurança de tê-la por perto.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Terceiro dia: shopping!

A Betina chegou ontem à noite para me dar as boas vindas à Europa. Fomos jantar num restaurante italiano, já era bem tarde. Voltamos logo para casa.

Hoje, acordamos, nos arrumamos e saímos para as compras que já estavam programadas desde o Brasil. Minhas orientadoras me aconselharam a deixar para comprar roupas aqui e foi o que fiz hoje.

Primeiro, fomos a Tottencourt Street para comprar minha máquina fotográfica. Bem linda! Estou feliz pq logo poderei colocar algumas ilustrações aqui no blog.

De lá, partimos para Camden Town. Que loucura que é aquilo! É barraquinha, lojinha, roupas estranhas, roupas legais, sapatos, acessórios, tapetes, enfeites... que se estendem por, o que me pareceu, quilômetros. É como um parque temático que, para conhecer de verdade, é preciso gastar vários dias. Uma das pracinha de alimentação tinha barraquinhas com comidas de todos os lugares do mundo. Uma mistura de cheiros e cores de abrir o apetite de qualquer ser humano, mas acabamos não comendo ali, pq a Betina ainda não estava com fome.

Seguimos olhando lojinhas, barraquinhas, blusinhas, vestidinhos, botinhas, chapeuzinhos, calças, casacos e, no fim, gastamos todo o dinheiro que tínhamos. Não aceitam cartão. Ainda bem!

Depois de umas 3 horas perambulando por Camden Town, onde pretendo voltar mais vezes, tomamos sopa num Pret a Manger e seguimos para Oxford Street para mais comprinhas. Desta vez com cartão. Perigo!

Mais três horas entrando em lojas abarrotadas de gente, com fila nos provadores e nos caixas. Hoje é sábado, os londrinos aproveitam a folga do trabalho para comprar. E como compram!

Nossa peregrinação passou por H&Ms, Zaras e outras lojas de grandes redes. Betina me apresentou ao Primark. Uma espécie de QLojão, com tudo muito barato e em muitos andares. Vale comentar que a Zara em que entramos parecia também um QLojão, de tanta roupa espalhada pelo chão, roupas rasgadas nos cabides, uma bagunça provocada pelas hordas de consumidores que invadiaram a loja. Tudo um  grande bastantatão.

Quando chegamos no Primark,  eu já estava acabada. Não consegui comprar mais nada. Betina refez o estoque de meias calça. Já começando a voltar, entramos em mais duas lojas. Meus pés latejavam e a volta, que poderia ser a pé, foi de ônibus mesmo.

Aliás, uma delícia andar nesses ônibus de dois andares. Eles habitavam as minhas fantasias sobre terras distantes na infância, pareciam ser um brinquedo de parque de diversões. E são. Pegamos três ônibus hoje, e todas as vezes subimos para sentar bem na frente e poder apreciar a paisagem.

Interessante registrar que, até agora, só tive contato com gente muito cortez aqui. Talvez pq eu só tenha ido a lojas para olhar ou comprar! :)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Segundo dia. Treinamento e Calor.

A ação começa na segunda-feira!

Hoje falei com o prof e marcamos um encontro para segunda às 4h30min, depois, às 5h, um seminário e, de lá, vamos beber, o prof e seus alunos. A semana já começará bem. Segundo Daniel, enquanto bebermos, conversamos. Essa programação me faz pensar na Marta, cujo orientador ama beber com orientandos. A diferença é que o da Marta não mistura as coisas: ou bebe, ou orienta! :) Quero só ver que bicho vai dar esta mistura.

Hoje o dia foi tranquilo. De manhã saí para finalmente comprar o SIM Card do celular. Tenho um número, um blackberry emprestado (que chique!), mas ainda não tenho a conta no banco.

Daniel me mandou a carta necessária por email, fui ao banco conferir o que já desconfiava: a carta tem que ser assinada com caneta. Já vejo que ele vai estranhar que o banco não aceite a carta com sua assinatura, que foi salva em pdf e impressa. Aconteceu o mesmo com uma que eu precisei para o visto, ele ficou indignado de ter que usar o correio comum.

À tarde, mais uma exploradinha básica na vizinhança, desta vez aventurando-me um pouco, muito pouco, por outras ruas. Mas foi muito pouco mesmo, pq a preguiça de caminhar era grande. Diferente de uma viagem de férias, esta tem tempo. Posso conhecer a cidade mais "de verdade", aos poucos, sem a correria de visitar tudo o que está no guia de turismo. E isso é muito bom.

Perto de casa, a Hatton Garden Street só tem Jewleries, e, portanto, tem um monte de Jews ortodoxos pelas ruas. Eu acho sempre tão interessante o jeito deles se vestirem, as barbas longas, os cachinhos (tem um nome, mas não sei escrever). Sem contar que, para quem mora em Floripa, isso é bastante estranho, já que não existem judeus ortodoxos por lá. A ortodoxia e a tradição nada têm a ver com o uso das tecnologias, a maior parte estava pendurada em seu celular.

Falando nisso, pq viajando estamos com a percepção mais aberta aos estranhamentos, percebemos coisas bem esquisitas: a quantidade de gente falando sozinha no meio da rua, em Londres, é impressionante (em Floripa tem tb). Hoje vi um homem que parecia um daqueles malucos ou bêbados que f icam nos centros das cidades brasileiras pregando ou discutindo com um ser imaginário. O cara andava em círculos, falava em voz alta e gesticulava como doido. Só depois de um tempo que vi o fio do telefone pendurado em seu ouvido.

Aqui pertinho, também, tem a Leather Lane. Uma rua que é um camelódromo a céu aberto. Não é uma feira com coisas interessantes. É um camelódromo mesmo: um monte de barraquinhas vendendo bolsas de couro, luvas, roupas, meias e todas as quinquilharias que se encontra em qq barraca de camelô no Brasil.

E por falar em ruas, hoje atravessei várias delas, várias vezes só para praticar. Tem que olhar para os dois lados,  como em qualquer lugar, mas tem também que procurar os carros que vêm e vão do lado errado da rua. Apesar dos treinos, ainda não consegui atravessá-las com tranquilidade. Outra coisa que a mão inglesa confunde, para mim, é a diferença entre esquerda e direita. Se, como canhota, sempre tive problemas com isso, agora, andando pelas ruas de Londres, fico mais confusa ainda.

E para terminar por hoje, a temperatura é de 12 graus. Tô achando que trouxe o calor comigo pra Londres!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sol, 8 graus

Pronto, já descansei. Agora quero partir para a ação!

Ontem à noite, estava tão cansada que comi uma saladinha com o Gu e o Marcus e fui dormir às 9h30min.

De manhã andei aqui por perto, bem perto, com medo de me perder. Cidade difícil para iniciantes. Viva o google maps. Saí de casa com o percurso até os bancos anotado num papelzinho. Mesmo assim, errei o caminho. Tansa! A saída foi boa para começar a desvendar o desconhecido. Mesmo que eu já tenha estado em Londres outras vezes não posso dizer que conheço e, definitivamente, não sei me localizar.

Tentei abrir a conta. Fui a três bancos diferentes, só o Lloyds aceita abrir conta nas minhas condições, porém, preciso de uma carta da universidade informando o tempo que ficarei em Londres e meu endereço. O que fez com que eu voltasse pra casa para mandar email pro Professor e pedir ajuda, mudando a ordem do que estava planejado de acordo com os conselhos que recebi em Floripa: primeiro cuidar da  burocracia e depois fazer contato.

Antes de voltar, passei num supermercado. Que difícil que é quando a gente não conhece lojas, produtos, marcas e não tem noção de preços. Comprei meia dúzia de coisinhas, cheia de receio de estar pagando mais ou de comprar "porcarias".

Meu inglês nem tá tão ruim. Consegui me comunicar em todos os lugares que fui, inclusive na loja de celular. Impossível viver sem um! Na casa do Gu não tem landline. Aliás, aqui, como em todos lugares, as pessoas estão sempre penduradas em seus telefones. Amanhã compro o chip para colocar no aparelho que o Gu vai me emprestar.

Mas vejam que sortuda: acordei com uma dia lindo de sol (tudo  bem, um sol tímido, nada a ver com o sol do Brasil) e temperatura amena. Senti calor na rua com o casacão que trouxe.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cheguei!

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Este é só pra avisar que cheguei. Estou tão cansada que não consigo pensar em nada de interessante para escrever. Deve ter, só não estou lembrando.
Está frio, mas nem tão frio quanto eu esperava. 9 graus faz em Floripa também. O tempo está, pasmem, nublado e chuvisquento...São 18h30 e já está noite desde as 17h. Mais um mês e o dia dura mais, afirma Gustavo.
Amanhã escrevo mais, quem sabe me inspiro e lembro das coisas engraçadas da viagem pra contar.
Bjins

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sobre Guardar

Recebi da Ana Paula, que lembrou do poema por causa do blog...
publico, então:

 
sobre guardar
Guardar  (Antonio Cícero)
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um  pássaro Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema
  Para guardá-lo:
  Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda
 Guarde o que quer que guarda um poema
 Por isso o lance do poema:
 Por guardar-se o que se quer guardar.
 
boa viagem
bj
paulinha

É hoje!

Acordei tranquila para quem vai viajar. Acho que a ansiedade foi vivida antes. Agora é terminar de fechar as malas e partir. Claro que antes tem uma funçãozinha. Comprei um livro pela internet e os correios dizem que estiveram na minha casa três vezes e não encontraram o destinatário. Ora, eu estava em casa o tempo todo e não recebi nem notificação. Preciso, então, procurar o livro e buscar antes do embarque. Nada melhor do que um pequeno stress pra deixar a gente mais ligada no mundo.

Falando em ligada no mundo, estive tão fora do ar nos últimos tempos, por conta da cirurgia e da viagem, que estou desinformada dos acontecimentos em geral e especificamente da ilha de Santa Catarina. Ontem, no happy hour de bota fora que fiz com meus amigos jornalistas (é sempre bom colecionar amigos jornalistas) no IEGA (cinco meses trocando o Iega por pubs londrinos, nada mal!), fui informada de vários acontecimentos interessantes. Entre eles, a demissão do Luiz Carlos Prates da RBS. Ótima notícia! Menos um reacionário com voz nesta ilha. A demissão, pelo que me contaram, foi por pressão externa e não como um desejo de melhorar o nível do conteúdo dos veículos da rede, mas o que importa é o resultado final.

Voltando às trocas, não é só o Iega por pubs que vou trocar. Tem também o calor pelo frio. Sempre disse que prefiro o inverno ao verão. No inverno, se vc pode, coloca mais agasalho até se sentir quentinha. No verão, vc tira toda a roupa e mesmo assim continua suando. Apesar dessa preferência, ontem, ao sair no final da tarde, me bateu a nostalgia das delícias das noites de verão, desencolhida, curtindo os amigos, tomando cerveja ao ar livre...humm, bom demais!

Mas vamos para o frio que também é bom demais!