sexta-feira, 20 de abril de 2012

Desmontar casas

Enquanto no apartamento dos pais do Alfredo, no Rio, uma equipe faz um inventário das coisas e prepara um leilão, aqui, eu empilho coisas para dar para amigas e para instituições de caridade.

Os sentimentos se confundem. A cabeça dá um nó: seria melhor fazer um "garage sale"? Não consegui vender as coisas, preferi dar. Ao mesmo tempo, sinto-me meio "trouxa" por dar em vez de vender. Onde já se viu uma publicitária que não consegue vender? Talvez por isso eu não tenha seguido bem na carreira! hahaha

Mas a verdade é que são vidas em desmonte, para remonte, reordem, re tudo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Minha vida de estudante...

Hoje fui pra UFSC entregar a tese na biblioteca e encaminhar os documentos para a confecção do diploma. Simples, não? Não, não é simples.

Depois que entreguei a tese, começou uma forte emoção. Olhei em volta, na biblioteca, os estudantes sentados em diversas mesas, com seus laptops ou netbooks abertos, livros por cima das mesas, filas nos guichês de empréstimo e devolução e eu pensei: puxa, aproveitei muito pouco desta biblioteca. Em seguida, já na rua, a emoção continuou. Ver o movimento de alunos circulando pela área aberta da universidade me fez pensar em como foi bom esse período de estudante "tardia". Foram quatro anos circulando por aquele espaço como aluna, aproveitando o que ele tinha para oferecer: os encontros com o conhecimento, os encontros com amig@s velh@s e nov@s , conquistados ali mesmo, entre livros, cafés, e gente. Peguei a câmera e comecei a fotografar os espaços e pensei: esta é a série "Minha vida de estudante".

Reitoria

Centro de Eventos, altos cafés com a galera!



pessoal da secretaria, super força pra gente

térreo do cfh...cafeteria e livraria

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ando tão envolvida com as coisas...

Pois é. Período de mudanças radicais, de mexer em coisas, de pensar sobre as coisas.
As coisas são importantes. Elas têm um papel preponderante nas nossas vidas. São objeto, resultado e significação de nossa cultura. Contam histórias, circulam na família, nas redes de amigos.

Ao circularem, as coisas criam novas redes.

Como a cama que mandei fazer quando casei, há 33 anos, e que me acompanhou em diversas mudanças durante 27 anos. Depois de uma reforma no meu quarto, por ser grande demais, a cama foi mandada para a  casa de uma amiga, que dormiu nela por cinco anos. Quando minha amiga se mudou, mandou a cama para ser guardada na garagem de outra amiga nossa que, depois de um ano, perguntou se poderia emprestar a cama para uma amiga dela. E lá foi a cama, servir a outra casa, a outro casal.

O interessante, neste caso da cama, é que não quero vendê-la, nem perdê-la de vista. A cama vale muito mais do que qualquer quantia que alguém possa se dispor a pagar por ela. Porque é bonita, porque conta histórias, porque representa meu ingresso na vida adulta, sei lá porque não quero me desfazer da cama. Talvez porque nela eu tenha criado meus filhos: viamos TV em baixo de cobertores, juntos, nos invernos portoalegrenses. O Daniel, pequeno, deitava na cama para ouvir música clássica na rádio da universidade. Nela, outras aventuras foram vividas (imagine-se). Mas é só uma cama, diriam uns, aparentemente menos materialistas...Não, não é só uma cama.



Pensar sobre as coisas é tão importante que muitos autores escrevem sobre isso, como o Danny Miller e o Apadurai...Danny escreveu o livro "stuff" e o "The confort of things", falando justamente que as coisas não são só coisas. Influenciada por ele, enquanto acompanho o desmonte da casa dos pais do Alf, no Rio, penso nas coisas. Enquanto planejo minha própria mudança, penso nas coisas.

Danny, no encerramento do livro Stuff, escreveu:

"As an anthropologist my method could best be described as ethnographic involvmentes intended to lead to empathy; the desire to see things from other people's points of view. But I guess, at the end of my quest, I have not just empathetic to people, but even empathetic to the things them selves...the way things are constantly humilated as the mere symbolic representation of person and society. Because denigrating material things, and pushing them down, is one of the main ways we raise ourselves up onto apparent pedestals." (2010, p. 156)


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lua quase cheia

E cabeça também. Estou cansada de tanta coisa por fazer, decisão por tomar, ideias por ter que nem consigo dormir direito ultimamente. É mais ou menos assim: vc termina o doutorado e pensa "e agora?"

Pois é, to no maior "e agora?", possibilidades mil, providências idem. Vai saber o que reserva o futuro.

Enquanto isso, admiro a lua que brilha no céu da calorenta Floripa pra ver se ela me inspira.