Juro que pra escrever a tese, li muito mais do que isso... Agora, em 2024, é bom ler as pequenas resenhas que fiz dos textos. Pena mesmo que não coloquei outros aqui.
LEFEBVRE, Henri. The production of space. Oxford: Blackwell Publishing Ltd, 2003
Li no google books (quando chegar lá, quero ler inteirinhos!):
MILLER, Daniel. The dialetics of Shopping. (pedaços)
_____________. Shopping, place and identity. (pedaços)
E mais o texto da Vivi Kraieski para o nosso livro!
Leituras em Londres:
LEFEVBRE, Henri, RÉGULIER, Catherine. Le projet rythmanalytique. In: Communications, 41, 1985. pp. 191-199.
Segue uma breve resenha, sem a mínima pretenção, até pq esse texto está em francês e ler em francês não é bem a minha praia.
Os autores propõem a análise baseada no ritmo, ou ritmoanalise.
Três categorias de tempo convivem e as relações entre elas configuram o ritmo da vida cotidiana: tempo ciclico, tempo linear e tempo apropriado (aquele que esquece o tempo, dos jogos, por exemplo). As negociações e conflitos entre essas categorias, no nosso cotidiano, vão definindo uma hierarquia no emprego do tempo. O espaço é também parte do ritmo, que, em geral, nos passa desapercebido.
O que percebemos é um ritmo geral e o resultado do mesmo para a nossa vida. Por exemplo, quando caminhamos pelas ruas temos um ritmo para nossos passos, mas outros ritmos estão ali envolvidos, como os batimentos cardíacos e o dos carros pelas ruas. Não prestamos atenção, não temos esses diferentes ritmos no nível consciente e nem mesmo conhecemos sos ritmos. "Os corpos são um pacote de ritmos", dizem os autores. E são as relações entre esses diversos ritmos, o micro, o macro e o percebido, no tempo e no espaço, que devem ser estudadas, de acordo com eles, para a construção de uma teoria geral do ritmo, isto é, a simultaneidade e o sincronismo, os cortes e interrupções, as interrelações entre os ritmos que formam o todo da vida social. É possível imaginar a quantidade de ritmos que estão em jogo no supermercado: as ondas sonoras variadas, as ondas luminosas, o caminhar dos clientes, etc.
APPADURAI, Arjun. A vida social das coisas: as mercadorias sob uma perspectivas cultural. Niterói: Editora Federal Fluminense, 2008
O título já dá uma boa resumida no conteúdo do livro. No primeiro capítulo, Appadurai defende a ideia de que as mercadorias têm uma vida cultural e uma história social. Segundo ele, é preciso examinar o fluxo de circulação das mercadorias e suas transformações ao longo da história para compreender melhor a política, a economia e a sociedade contemporâneas. Entretanto, ele diz que o consumo e a vida social das coisas não é uma prerrogativa moderna. Usa exemplos e estudos da história e da antropologia, sobre sociedades pré-modernas e menos complexas para realizar suas análises e categorizações.
Todas as coisas são potencialmente mercadorias, segundo o autor. Assim mercadoria é uma fase na biografia de qualquer coisa.
Destaca-se a predominâcia da demanda como determinante da produção e não o inverso no seu entendimento. Para ele, a demanda é política e não baseada apenas em gostos e desejos individuais. Há uma competição entre comerciantes e governantes no sentido de controlar as demanadas.
No texto, são bastante discutidas as semelhanças e discrepâncias entre leis suntuárias e moda em sua função no controle das demandas. Sendo um pouco crítica, me parece, no decorrer do texto, que o autor se prende bastante à ideia de status e significados das coisas quando trata de consumo. Até pq a maior parte das análises apresentadas têm relação com bens de luxo. Aliás, luxo, para Appadurai é apenas um registro especial de consumo e não uma classe de bens. Diversos fatores vão determinar se uma mercadoria é de luxo ou não. O importante, no texto, é pensar justamente nas biografias culturais e nas histórias sociais das coisas como passíveis de explicar as mudanças políticas, econômicas e culturais.
(coloquei aqui ideias soltas e não necessariamente uma resenha)
MILLER, Daniel. Chapter One of Consumed by Doubt. Not published.
Este capítulo de um livro ainda não publicado de Daniel Miller é bastante interessante pela forma como é montado, mais do que pelo conteúdo, já que é introdutório para os estudos do consumo. Apresenta um diálogo entre três professores universitários, reunidos por um deles já que os três trabalham com consumo em suas disciplinas. Cada um deles tem um ponto de vista bastante diferente sobre o tema. O primeiro é um professor "verde", parte da classe média intelectual londrina, cuja preocupação é como parar o consumismo que é, segundo seu ponto de vista, responsável pelo aquecimento global. A segunda, uma imigrante filipina que conseguiu terminar os estudos e tornar-se pesquisadora, tem um ponto de vista bastante diferente, de acordo com o qual, o consumo é inclusivo e o grande problema reside no fato de que nem todos têm acesso aos bens de consumo. O ponto de vista dela e os argumentos que usa são os que mais me agradam. O terceiro, segue uma linha marxista e acredita na intervenção do estado para gerar diminuir as diferenças sociais. Para introduzir o tema do consumo e os diferentes pontos de vista a respeito do mesmo, o texto é bastante interessante, com linguagem simples e objetiva, praticamente coloquial.
HOWES, David. Hyperesthesia, or, the sensual logic of late capitalism. http://www.david-howes.com/senses/Hyperesthesia.pdf
Este autor me foi indicado pelo Daniel Miller, pois eu procuro referências para escrever (não sei se vou conseguir escrever) sobre os cinco sentidos no supermercado.
No texto, o Howes procura desenvolver uma "história materialista dos sentidos". Para tanto, ele retorna à Marx e examina as raízes filosóficas do materialismo marxiano, traça o papel dos sentidos na transição do capitalismo industrial para o capitalismo de consumo, explora um pouco da ideia de subconsciente sensorial e tenta estender a prática da análise materialista para abranger a vida social dos sentidos nas margens da sociedade de consumo global. Objetivos bastante abrangentes os que ele se propõe num texto de poucas páginas. Como o texto é bem escrito, é possível seguir o raciocínio do autor. Os sentidos, tema ainda a ser mais explorado nas ciências sociais, são tratados pelo autor como cruciais. Ao retornar à Marx, Hower salienta algumas citações que são bastante claras sobre o assunto: "man is afirmed in the objective world not only in the act of thinking, but with all his senses". Como o autor trata do tema do marketing, grande parte do texto é dedicado a relatar as estratégias utilizadas pelo mercado (designers, publicitários) para seduzir consumidores através dos sentidos, e como foi através dessas estratégias que passamos para um capitalismo de consumo em vez de capitalismo de produção. No final, entretanto, o autor ressalta que os usos que os consumidores de diferentes lugares fazem dos produtos em geral são diferentes daqueles intencionados pelo mercado, baseado em Featherstone, ele abandona um pouco da teoria crítica que vinha usando até então (Foucault, Baudrillard, Debord, Bauman).
MILLER, Daniel. Chapter One of Consumed by Doubt. Not published.
Este capítulo de um livro ainda não publicado de Daniel Miller é bastante interessante pela forma como é montado, mais do que pelo conteúdo, já que é introdutório para os estudos do consumo. Apresenta um diálogo entre três professores universitários, reunidos por um deles já que os três trabalham com consumo em suas disciplinas. Cada um deles tem um ponto de vista bastante diferente sobre o tema. O primeiro é um professor "verde", parte da classe média intelectual londrina, cuja preocupação é como parar o consumismo que é, segundo seu ponto de vista, responsável pelo aquecimento global. A segunda, uma imigrante filipina que conseguiu terminar os estudos e tornar-se pesquisadora, tem um ponto de vista bastante diferente, de acordo com o qual, o consumo é inclusivo e o grande problema reside no fato de que nem todos têm acesso aos bens de consumo. O ponto de vista dela e os argumentos que usa são os que mais me agradam. O terceiro, segue uma linha marxista e acredita na intervenção do estado para gerar diminuir as diferenças sociais. Para introduzir o tema do consumo e os diferentes pontos de vista a respeito do mesmo, o texto é bastante interessante, com linguagem simples e objetiva, praticamente coloquial.
HOWES, David. Hyperesthesia, or, the sensual logic of late capitalism. http://www.david-howes.com/senses/Hyperesthesia.pdf
Este autor me foi indicado pelo Daniel Miller, pois eu procuro referências para escrever (não sei se vou conseguir escrever) sobre os cinco sentidos no supermercado.
No texto, o Howes procura desenvolver uma "história materialista dos sentidos". Para tanto, ele retorna à Marx e examina as raízes filosóficas do materialismo marxiano, traça o papel dos sentidos na transição do capitalismo industrial para o capitalismo de consumo, explora um pouco da ideia de subconsciente sensorial e tenta estender a prática da análise materialista para abranger a vida social dos sentidos nas margens da sociedade de consumo global. Objetivos bastante abrangentes os que ele se propõe num texto de poucas páginas. Como o texto é bem escrito, é possível seguir o raciocínio do autor. Os sentidos, tema ainda a ser mais explorado nas ciências sociais, são tratados pelo autor como cruciais. Ao retornar à Marx, Hower salienta algumas citações que são bastante claras sobre o assunto: "man is afirmed in the objective world not only in the act of thinking, but with all his senses". Como o autor trata do tema do marketing, grande parte do texto é dedicado a relatar as estratégias utilizadas pelo mercado (designers, publicitários) para seduzir consumidores através dos sentidos, e como foi através dessas estratégias que passamos para um capitalismo de consumo em vez de capitalismo de produção. No final, entretanto, o autor ressalta que os usos que os consumidores de diferentes lugares fazem dos produtos em geral são diferentes daqueles intencionados pelo mercado, baseado em Featherstone, ele abandona um pouco da teoria crítica que vinha usando até então (Foucault, Baudrillard, Debord, Bauman).
SIMMEL, Georg. Essay sur la sociologie des senses (falta o resto da referência)
Eu já tinha lido este texto no Brasil, mas esqueci de trazer o fichamento, portanto tive que ler novamente e fichar novamente. Interessante a forma como o autor, escrevendo no início do seculo XX, é tão atual. Apesar de dar maior valor ao sentido da visão, no texto. hoje, com o excesso de apelos visuais, os outros sentidos passam a ser reconhecidos com tanta importãncia quanto o da visão, tanto por profissionais da área de marketing quanto pela antropologia dos sentidos.
MILLER, Daniel. Stuff. Cambridge, UK e Malden, USA: Polity Press, 2010
Neste livro, Daniel faz uma revisão de seus trabalhos sobre cultura material e compras. Primeiro livro de uma série de dois (o outro ainda não publicado, comentei acima o primeiro capítulo: Consumed by Doubt). Em stuff, o autor mostra uma lado otimista dos estudos do consumo, defendendo a ideia de que o estudo da cultura material é uma forma bastante eficaz de compreender as pessoas e as relações sociais que garante uma profundidade que estudos mais diretos não permitem.
BOURDIEU, Pierre. The aristocracy of culture. In BOURDIEU, Pierre. Distinction: a social critique of the judgement of taste. pp 11-96. London: Routledge, 1984
Este é um dos textos da próxima aula do Daniel, que eu li, não até o fim, ainda e fiquei bem contente por ler um Bourdieu mais fácil. Até pq este tema da distinção e do capital cultural, social e econômico, na obra de Bourdieu, eu já domino um pouco.
BOURDIEU, Pierre. The aristocracy of culture. In BOURDIEU, Pierre. Distinction: a social critique of the judgement of taste. pp 11-96. London: Routledge, 1984
Este é um dos textos da próxima aula do Daniel, que eu li, não até o fim, ainda e fiquei bem contente por ler um Bourdieu mais fácil. Até pq este tema da distinção e do capital cultural, social e econômico, na obra de Bourdieu, eu já domino um pouco.
CLASSEN, Contance. Foundations for an anthropololy of the senses. in Internaticona Social Science Journal. Vol 49, issue 153. Spt 1997. pp 297-447
Neste artigo, Classen faz uma defesa da Antropologia dos Sentidos, bem com dá uma visão geral deste sub-campo da antropologia. Parte da premissa de que as percepções sensoriais são um ato cultural tanto quanto físico. Nas palavras da autora ,com tradução minha, "Visão, tato, paladar e olfato não são apenas meios de apreender um fenômeno físico, mas também avenidas para a transmissão de valores culturais."
A autora fala dos diferentes simbolismos sensoriais que formam o modelo sensorial de uma sociedade de acordo com o qual os memtros daquela sociedade "fazem sentido" do mundo.
Destaca-se: "a percepção sensorial não é um aspecto da experiência corporal, mas a base para esta experiência."
Assim, se eu estou estudando as práticas de compras de mulheres em supermercados, o que consiste em considerar também suas performances (Warde), impossível deixar de passar pelos sentidos que são a base da experiência corporal/performance.
HOWES, David. To summon all the senses. in HOWES, David. The variety of sensory experience: a sourcebook in the anthropology of the senses. Toronto, Buffalo, London: University of Toronto Press, 1991 Introdução.
Este livro é uma coletânea de artigos de antropólogos e historiadores sobre os sentidos. Na introdução, Howes afirma que a estética ocidental contemporânea dissocia os sentidos, supervalorizando a visão. Cita e, de certa forma, critica diversos antropólogos por terem desconsiderado os sentidos em suas etnografias e interpretações. Geertz, por exemplo, ele critica por ter pensado na antropologia interpretativa como interpretação de textos o que suprime os aspectos dialógicos e interativos do encontro etnográfico. Segue com Clifford que, mesmo que tenha trabalhado com a ideia de antropologia dialógica, fica preso ao paradigma do discurso. Assim, ele segue para afirmar que, para esses autores, falta a dimensão sensorial.
Segundo o autor, pensar os sentidos, observa-los, permitiria uma interpretação da cosmologia - "it is possible to conceive the world as constracti in an accustica scaffolding", ele diz, por exemplo, em contraposição a uma visão do mundo espaço-visual. Quanto às implicações metodológicas da antropologia dos sentidos, Howes diz que é necessário prestar mais atenção aos meios atravez dos quais, juntamos informações. "Se as pessoas podem pensar em sons, podem pensar em toque?" Para defender seu ponto de vista, ele usa a ideia de multiplas inteligências, de Gardner (1983).
CLASSEN, Constance. Worlds of sense: explorin the senses in history and accross cultures. London: Routledge, 1993 (introdução)
O objetivo do livro, que é uma coletânea de artigos, é desvendar a interação entre percepção sensorial e cultura. Segundo Classen, no ocidente estamos acostumados a pensar os sentidos com um ato físico em vez de cultural. Com uma extensa discussão da história da compreensão dos sentidos, Classen mostra como a própria definição dos cinco sentidos é uma construção cultural do ocidente moderno. Ela passa por Platão e Aristóteles, creditando a este a estipulação dos cinco sentidos.
Ela também diz que concebemos os sentidos como receptores passivos de informaçõa e como faculdades naturais, já os antigos, eram capazes de pensar nos sentidos como meios de comunicação. Foi no iluminismo que nossa concepção objetivista dos sentidos se solidificou, especialmente a supervalorização da visão que tem sua origem no cientificismo realista e empirista.
A autora cita Simmel como um dos primeiros a perceber a crescente importância da visão como resultado da diminuição da comunicação interpessoal na vida urbana, onde as pessoas passaram a só olhar. Foucault, também, explora o desenvolvimento da visão como meio de controle nas instituições públicas.
Assim, na opinião dela, "by focusing all our attention on visual symbolism we remain ignorant of the symbolic function of the other senses."
Como Howes, ela cita uma frase de Marx: the forming of the five senses is a labour of the entires history of the world down to the present."
Em seguida, Classen introduz o capitulos do livro, que tratam desde uma história do odor, passam pelo recondicionamento dos sentidos de acordo com a cultura e assim por diante.
Capítulo The odour of the others, do mesmo livro.
Neste capítulo, Classen explora as várias maneiras em que cagorias sociais são construídas por códigos olfativos em diferentes culturas. Fala da relação entre odor e classe social e afirma que o cheiro muitas vezes funciona como uma espécie de "bode expiatório" para certas antipatias em relação ao outro, como uma metáfora potente para a separação social do temido outro. Muito da literatura sobre os sentidos, especialmente o que Classen escreve, tem um caráter linguístico, isto é, ela vai trabalhando os termos da lingua inglesa, mas poderia ser do português também, que se referem aos sentidos como metáforas - "não fede nem cheira", por exemplo, é uma metáfora para falar de alguém que é pouco ou nada importante.
Ela segue falando da hierarquia social do cheiro, com exemplos de outras sociedades e da nossa também. Por exemplo, o cheiro da prostituta que é dito diferente do da virgem, da dona de casa e da mulher fatal.
Assim o odor passa a ser entendido como essência. Classen sugere que vejamos as sociedades diferentes das nossas a partir do "point of smell" do outro, em vez do "point of view".
SEREMETAKIS, Nadia. The Senses Still: perception and memory as material culture in modernity.
O livro de Seremetakis, uma autora grega, fala sobre as relações entre os sentidos e a memória. Uma parte interessante do livro, no primeiro capítulo, é a forma como ela segue, através da memória do sabor de um tipo de pessego específico da infância, até os dias de hoje, mostrando o quanto o sumiço daquele sabor pode falar sobre a história, não só a micro-história das vidas pessoais, mas também das mudanças sociais e econômicas do período - a globalização que fez sumirem tipos de alimentos regionais, definindo sabores "hegemônicos", por exemplo. Assim, ela defente que a memória é um "meta-sentido" que transporta, liga e cruza todos os outros sentidos. A memória é parte inerente a cada sentido, bem como seu horizonte.
Assim, como os outros autores da antropologia dos sentidos, ela critica a separação dos sentidos uns dos outros, bem como sua transformação em intrumentos utilitários, meios e objetos mercantilizáveis.
Quanto ao consumo, a autora diz que cada episódio de consumo é relativamente absoluto e rapidamente totalizável por que nunca dura o suficiente nos sentidos e nas memórias sociais para ser incluídos em um tecido histórico. Essa afirmação é bastante relevante para aqueles que têm como objeto de estudo e como bandeira a ideia de consumo político. Se as sensações do consumo não duram o suficiente para entrarem na memória, impossível pensar que serão incluídos na história.
CLASSEN, Constance; HOWES, David; SYNNOTT, Anthony. Aroma: the cultural story of the smell.
Para esta obra, dei especial atenção ao último capítulo, chamado The Aroma of The Commodity.
Aqui os autores exploram a ideia de que as mercadorias passaram a ter uma aura e que essa aura significa transforma-las em fantasias que vai além de qualquer proposta prática.
Começam falando sobre a propaganda de desodorantes - explicam de que forma a propaganda separou o homem de seu próprio cheiro no início do século XX. Eles chamam de Olfatory Management os esforços das áreas de marketing e propaganda para vender produtos, seja através dos anuncios que propõem que o cheiro é de limpeza, ou que é necessário não ter cheiro, até a adição de cheiros aos produtos que não têm nada a ver com sua efetividade prática. Citam pesquisas de mercado que mostram a importância do cheiro nas mercadorias, bem como a identificação dos cheiros com marcas específicas, como o talco johnsons e outros. Segundo os autores, os consumidores assumem o aroma dos produtos com parte integral dos mesmos sem perceber que os aromas são adicionados.
SCHAFER, R. Murray. The soundscape: our sonic environment and the tuning of the world. Rochester: Destiny Books, 1994
Este livro eu já conhecia dos tempos em que trabalhei na Unisul e orientei projeto de rádio. É uma visão muito interessante do ambiente sonoro que nos cerca. Comecei a ler ontem à noite. Murray Schafer não é um antropologo, por isso, a abordagem que ele faz do sentido da audição é um pouco diferente, apesar de beber da fonte da antropologia para fazer uma espécie de levantamento histórico das paisagens sonoras do mundo. Destaca que pouco damos atenção aos sons, hoje em dia, mas que a poluição sonora é um dos grande problemas da sociedade ocidental moderna, desde a revolução industrial. Como Seremetakis que fala dos sabores que desaparecem sem que percebamos e que, por isso, acabam se tornando lendas ou mitos, como aquela fruta da infância que nunca mais conseguimos provar, Schafer fala do desaparecimento de sons sem o mínimo comentário, mesmo dos mais atentos historiadores. Ao falar da paisagem sonora da revolução industrial, ele faz uma assertiva interessante sobre poder e som. Segundo ele, a associação entre poder e som nunca foi quebrada na imaginação humana. Os sons pertencem aos deuses, aos padres (que tocavam os sinos das igrejas quando desejavam), ao industrial (barulhos das maquinas e das sirenes) e, mais recentemente, às emissoras de rádio e televisão. Assim tem o som sacrado não é só fazer o barulho mais alto, é matéria de ter a autoridade para fazer o som, sem sensura. (Lembrei daquelas promoções que fazem na praia, colocam barracas, som alto e nós pobres viventes somos obrigados a ouvir, quando o mais agradável seria ouvir o barulho das ondas). Tem mais.
Ah, comprei este livro. Não sei pq cargas d'água. mas desde o tempo em que li no Brasil, fiquei meio apaixonada. Mesmo que som não seja o centro das minhas atenções.
LABELLE, Brandon. Acoustic Territories: sound culture and everyday life. New York: The Continuum International Publishing, 2010
Também comprei este, como não encontrei em nenhuma biblioteca aqui, por ser novo, a Amazon me sugeriu...hahah adoro o "Hello, Maria, we have suggestions for you".
MILLER, Daniel. The dialectics of shopping. Peguei na biblio pra ler inteiro, mas é só uma semana que posso ficar com ele, e como é tão básico pro meu trabalho, decidi compra-lo... interessante pq eu vou ter que procurar diferenças entre as coisas que vi no brasil, enquanto fazia etnografia das compras e as coisas que Daniel viu em Londres. Me parece uma tarefa difícil! APesar das grandes diferenças entre a forma dos supermercados. Já as lojas não são tão diferentes assim...
BOWBLY, Rachel. Just looking: consumer culture in Dreiser, Gissing and Zola. New York: Methuen, 1985
Este livro é apaixonante. Bowbly desenvolve uma história do consumo no século XIX baseada nos três autores de romances que estão no título do livro. Comecei a ler e não queria largar, pois fala do surgimento das lojas de departamento, do Flaneur e da Compradora. Na introdução, ela é muito detalhada nas descrições das transformações sociais e econômicas que resultaram do surgimento das lojas de departamentos. o livro desenvolve bem a questão de gênero que diferencia o flaneur da compradora, isto é, compras são femininas, enquanto o observar é masculino. O passeio do masculino é diferente do passeio do feminino por essas lojas...
mas, para desvendar melhor o flaneur, gastei dois dias nas bibliotecas...li outras duas obras (claro que não inteiras) que nem vou colocar aqui...por enquanto, por absoluta preguiça de buscar as referências agora.
HOWES, David. To summon all the senses. in HOWES, David. The variety of sensory experience: a sourcebook in the anthropology of the senses. Toronto, Buffalo, London: University of Toronto Press, 1991 Introdução.
Este livro é uma coletânea de artigos de antropólogos e historiadores sobre os sentidos. Na introdução, Howes afirma que a estética ocidental contemporânea dissocia os sentidos, supervalorizando a visão. Cita e, de certa forma, critica diversos antropólogos por terem desconsiderado os sentidos em suas etnografias e interpretações. Geertz, por exemplo, ele critica por ter pensado na antropologia interpretativa como interpretação de textos o que suprime os aspectos dialógicos e interativos do encontro etnográfico. Segue com Clifford que, mesmo que tenha trabalhado com a ideia de antropologia dialógica, fica preso ao paradigma do discurso. Assim, ele segue para afirmar que, para esses autores, falta a dimensão sensorial.
Segundo o autor, pensar os sentidos, observa-los, permitiria uma interpretação da cosmologia - "it is possible to conceive the world as constracti in an accustica scaffolding", ele diz, por exemplo, em contraposição a uma visão do mundo espaço-visual. Quanto às implicações metodológicas da antropologia dos sentidos, Howes diz que é necessário prestar mais atenção aos meios atravez dos quais, juntamos informações. "Se as pessoas podem pensar em sons, podem pensar em toque?" Para defender seu ponto de vista, ele usa a ideia de multiplas inteligências, de Gardner (1983).
CLASSEN, Constance. Worlds of sense: explorin the senses in history and accross cultures. London: Routledge, 1993 (introdução)
O objetivo do livro, que é uma coletânea de artigos, é desvendar a interação entre percepção sensorial e cultura. Segundo Classen, no ocidente estamos acostumados a pensar os sentidos com um ato físico em vez de cultural. Com uma extensa discussão da história da compreensão dos sentidos, Classen mostra como a própria definição dos cinco sentidos é uma construção cultural do ocidente moderno. Ela passa por Platão e Aristóteles, creditando a este a estipulação dos cinco sentidos.
Ela também diz que concebemos os sentidos como receptores passivos de informaçõa e como faculdades naturais, já os antigos, eram capazes de pensar nos sentidos como meios de comunicação. Foi no iluminismo que nossa concepção objetivista dos sentidos se solidificou, especialmente a supervalorização da visão que tem sua origem no cientificismo realista e empirista.
A autora cita Simmel como um dos primeiros a perceber a crescente importância da visão como resultado da diminuição da comunicação interpessoal na vida urbana, onde as pessoas passaram a só olhar. Foucault, também, explora o desenvolvimento da visão como meio de controle nas instituições públicas.
Assim, na opinião dela, "by focusing all our attention on visual symbolism we remain ignorant of the symbolic function of the other senses."
Como Howes, ela cita uma frase de Marx: the forming of the five senses is a labour of the entires history of the world down to the present."
Em seguida, Classen introduz o capitulos do livro, que tratam desde uma história do odor, passam pelo recondicionamento dos sentidos de acordo com a cultura e assim por diante.
Capítulo The odour of the others, do mesmo livro.
Neste capítulo, Classen explora as várias maneiras em que cagorias sociais são construídas por códigos olfativos em diferentes culturas. Fala da relação entre odor e classe social e afirma que o cheiro muitas vezes funciona como uma espécie de "bode expiatório" para certas antipatias em relação ao outro, como uma metáfora potente para a separação social do temido outro. Muito da literatura sobre os sentidos, especialmente o que Classen escreve, tem um caráter linguístico, isto é, ela vai trabalhando os termos da lingua inglesa, mas poderia ser do português também, que se referem aos sentidos como metáforas - "não fede nem cheira", por exemplo, é uma metáfora para falar de alguém que é pouco ou nada importante.
Ela segue falando da hierarquia social do cheiro, com exemplos de outras sociedades e da nossa também. Por exemplo, o cheiro da prostituta que é dito diferente do da virgem, da dona de casa e da mulher fatal.
Assim o odor passa a ser entendido como essência. Classen sugere que vejamos as sociedades diferentes das nossas a partir do "point of smell" do outro, em vez do "point of view".
SEREMETAKIS, Nadia. The Senses Still: perception and memory as material culture in modernity.
O livro de Seremetakis, uma autora grega, fala sobre as relações entre os sentidos e a memória. Uma parte interessante do livro, no primeiro capítulo, é a forma como ela segue, através da memória do sabor de um tipo de pessego específico da infância, até os dias de hoje, mostrando o quanto o sumiço daquele sabor pode falar sobre a história, não só a micro-história das vidas pessoais, mas também das mudanças sociais e econômicas do período - a globalização que fez sumirem tipos de alimentos regionais, definindo sabores "hegemônicos", por exemplo. Assim, ela defente que a memória é um "meta-sentido" que transporta, liga e cruza todos os outros sentidos. A memória é parte inerente a cada sentido, bem como seu horizonte.
Assim, como os outros autores da antropologia dos sentidos, ela critica a separação dos sentidos uns dos outros, bem como sua transformação em intrumentos utilitários, meios e objetos mercantilizáveis.
Quanto ao consumo, a autora diz que cada episódio de consumo é relativamente absoluto e rapidamente totalizável por que nunca dura o suficiente nos sentidos e nas memórias sociais para ser incluídos em um tecido histórico. Essa afirmação é bastante relevante para aqueles que têm como objeto de estudo e como bandeira a ideia de consumo político. Se as sensações do consumo não duram o suficiente para entrarem na memória, impossível pensar que serão incluídos na história.
CLASSEN, Constance; HOWES, David; SYNNOTT, Anthony. Aroma: the cultural story of the smell.
Para esta obra, dei especial atenção ao último capítulo, chamado The Aroma of The Commodity.
Aqui os autores exploram a ideia de que as mercadorias passaram a ter uma aura e que essa aura significa transforma-las em fantasias que vai além de qualquer proposta prática.
Começam falando sobre a propaganda de desodorantes - explicam de que forma a propaganda separou o homem de seu próprio cheiro no início do século XX. Eles chamam de Olfatory Management os esforços das áreas de marketing e propaganda para vender produtos, seja através dos anuncios que propõem que o cheiro é de limpeza, ou que é necessário não ter cheiro, até a adição de cheiros aos produtos que não têm nada a ver com sua efetividade prática. Citam pesquisas de mercado que mostram a importância do cheiro nas mercadorias, bem como a identificação dos cheiros com marcas específicas, como o talco johnsons e outros. Segundo os autores, os consumidores assumem o aroma dos produtos com parte integral dos mesmos sem perceber que os aromas são adicionados.
SCHAFER, R. Murray. The soundscape: our sonic environment and the tuning of the world. Rochester: Destiny Books, 1994
Este livro eu já conhecia dos tempos em que trabalhei na Unisul e orientei projeto de rádio. É uma visão muito interessante do ambiente sonoro que nos cerca. Comecei a ler ontem à noite. Murray Schafer não é um antropologo, por isso, a abordagem que ele faz do sentido da audição é um pouco diferente, apesar de beber da fonte da antropologia para fazer uma espécie de levantamento histórico das paisagens sonoras do mundo. Destaca que pouco damos atenção aos sons, hoje em dia, mas que a poluição sonora é um dos grande problemas da sociedade ocidental moderna, desde a revolução industrial. Como Seremetakis que fala dos sabores que desaparecem sem que percebamos e que, por isso, acabam se tornando lendas ou mitos, como aquela fruta da infância que nunca mais conseguimos provar, Schafer fala do desaparecimento de sons sem o mínimo comentário, mesmo dos mais atentos historiadores. Ao falar da paisagem sonora da revolução industrial, ele faz uma assertiva interessante sobre poder e som. Segundo ele, a associação entre poder e som nunca foi quebrada na imaginação humana. Os sons pertencem aos deuses, aos padres (que tocavam os sinos das igrejas quando desejavam), ao industrial (barulhos das maquinas e das sirenes) e, mais recentemente, às emissoras de rádio e televisão. Assim tem o som sacrado não é só fazer o barulho mais alto, é matéria de ter a autoridade para fazer o som, sem sensura. (Lembrei daquelas promoções que fazem na praia, colocam barracas, som alto e nós pobres viventes somos obrigados a ouvir, quando o mais agradável seria ouvir o barulho das ondas). Tem mais.
Ah, comprei este livro. Não sei pq cargas d'água. mas desde o tempo em que li no Brasil, fiquei meio apaixonada. Mesmo que som não seja o centro das minhas atenções.
LABELLE, Brandon. Acoustic Territories: sound culture and everyday life. New York: The Continuum International Publishing, 2010
Também comprei este, como não encontrei em nenhuma biblioteca aqui, por ser novo, a Amazon me sugeriu...hahah adoro o "Hello, Maria, we have suggestions for you".
MILLER, Daniel. The dialectics of shopping. Peguei na biblio pra ler inteiro, mas é só uma semana que posso ficar com ele, e como é tão básico pro meu trabalho, decidi compra-lo... interessante pq eu vou ter que procurar diferenças entre as coisas que vi no brasil, enquanto fazia etnografia das compras e as coisas que Daniel viu em Londres. Me parece uma tarefa difícil! APesar das grandes diferenças entre a forma dos supermercados. Já as lojas não são tão diferentes assim...
BOWBLY, Rachel. Just looking: consumer culture in Dreiser, Gissing and Zola. New York: Methuen, 1985
Este livro é apaixonante. Bowbly desenvolve uma história do consumo no século XIX baseada nos três autores de romances que estão no título do livro. Comecei a ler e não queria largar, pois fala do surgimento das lojas de departamento, do Flaneur e da Compradora. Na introdução, ela é muito detalhada nas descrições das transformações sociais e econômicas que resultaram do surgimento das lojas de departamentos. o livro desenvolve bem a questão de gênero que diferencia o flaneur da compradora, isto é, compras são femininas, enquanto o observar é masculino. O passeio do masculino é diferente do passeio do feminino por essas lojas...
mas, para desvendar melhor o flaneur, gastei dois dias nas bibliotecas...li outras duas obras (claro que não inteiras) que nem vou colocar aqui...por enquanto, por absoluta preguiça de buscar as referências agora.
Miller, Daniel, Jackson, Peter, Nigel, Thrift, Holbrook, Beverly and Rowlands, Michael. Shopping, place and identity. London: Routledge, 1998
No capítulo introdutório deste livro, os autores fazem um interessante levantamento da história dos estudos do consumo, dividindo-os em três etágios. O primeiro mais crítico, usava o consumo e a propaganda para uma serie de interpretações marxistas. O segundo estágio, começa a formar o consumo como um sub-campo de uma infinidade de disciplinas e passou a ser usado para discussões sobre subjetividade e construção do self. uma espécie de redenção do consumo aconteceu. Mas os estudos se centravam apenas no consumo. Assim, no terceiro estágio, começa uma mudança de paradigma em que os estudos do consumo passam a integrar uma visão mais abrangente do processo de produção e distribuição dos bens. Este estágio problematiza, também, a relação sujeito-objeto, com uma abordagem que leva a concepção de que são co-fundadores da relação. Outra preocupação desse terceiro estágio diz respeito à ideia de racionalidade do consumo: um aproach que considera que as compras cotidianas são “basicamente repetitivas, intuitivas e inventivas” (Hermes, 1993) “Such a notion displaces the vocabulary of rationality, choice and represtentation by a vocabulary of joint action and embodiment (Thrift 1996). Thus consumption is seen as a practical-moral and contextually specific activity, rather than an intellectualised and abstract system of knowledge, which results from the intersection of numerous actor-network.”
O livro destaca que, apesar de tantas discussões sobre consumo, comprar, ou as práticas de compras raramente são estudadas. De qq maneira, traça algumas perspectivas sobre o comprar, ou "shopping". A introdução é muito importante para o meu trabalho...
ZUKIN, Sharon. Point of purchase: how shopping changed American culture. New York: Routledge, 2004
Recém peguei para olhar na biblioteca. Tem que pegar de novo, pois é uma forma de não ficar baseada apenas no Danny, já que muitas posições coincidem. Entretanto, a autora tem uma atitude até certo ponto moralista em relação às e aos compradores e afirma não se considerar uma, enquanto descreve suas próprias práticas, locais e preferências de compras cotidiana. É através dessas práticas e locais que ela introduz a ideia de mudança na cultura americana, tendo em vista a transferência das compras nas pequenas lojas locais para os centros de compras maiores - supermercados.
PINK, Sarah. Home truth: Gender, Domestic Objects and Everyday life. Oxford, New York : Berg, 2004
A proposta deste livro é explorar os sentidos, ou a experiência sensorial no trabalho doméstico, no lar, e sua relação com as identidades de gênero. A autora faz uma ampla discussão sobre os temas que estão em sua pergunta, isto é, experiÊncias sensoriais - para a qual usa alguns autores que eu já li, mas traz a perspectiva da multi-sensorialidade, ou seja, da impossibilidade de separar os sentidos para análise, bem como defende a ideia de que o pesquisador pode partir de suas próprias experiências sensoriais para compreender a experiência do informante: "Through being there, we cannot claim to have had precisely the same sensory experience as other, but we can creatively construct correspondences between experiences" (empatia); Homework, que ela distingue entre a decoração do lar (home creativity) e o trabalho cotidiano (homework propriamente dito); e Gênero (esta discussão bastante baseada em Buttler, com uma perspectiva de construção de gênero não binária).
Nessa discussão entram as questões da agência e das práticas. No capítulo 3, do livro, ela defende que a agência individual, no lar, é uma força chave para a produção das mudanças nas conficugrações de gênero. Para ela, agencia e práticas, ritual e performance, são não apenas "replications of a given script" mas tecnicas de teconologias do self/selves.
JACKSON, Steve; MOORE, Shaun. The politics of domestic consumption: critical readings. Hertfordshire: Simon & Shuster International Group, 1995
DE VAULT, Marjorie. Feeding the Family: the social organization of caring as gendered work. Chicago, London: The University of Chicago Press, 1994
Esse livro é tão importante para a minha pesquisa que, mesmo que eu tenha lido os capítulos que mais têm relação com ela, resolvi comprá-lo. De acordo com o Danny, ele é mais interessante para falar de práticas do que o Warde (com quem, eu acredito, Danny tem uma certa implicância).
De Vault trata as compras cotidianas e alimentos e produtos de manutenção da vida doméstica como "provisionamento" e não "compras", tendo em vista considerá-las, como eu faço na minha tese, como trabalho invisível das mulheres. O livro tem seu lado bandeiroso feminista, porém as descrições e interpretações que ela faz dos atos de compra são super interessantes.
HUMPHERY, Kim. Shelf life: supermarkets and the changing cultures. Cambridge: Cambridge University Press, 1998
Se eu pudesse, se a mala já não estivesse lotada de livros comprados por impulso e necessidade, compraria esse também...Humphery, um historiador e analista cultural conta a história dos supermercados, com base em uma pesquisa desenvolvida principalmente na Austrália. Relaciona as transformações no comércio com as transformações culturais e sociais. Mas em vez de ater-se à análises e levantamentos documentais, o que seria perigoso tendo em vista que a maior parte dos documentos pertence ao setor supermercadista, ele usa a história oral para comparar a história oficial com a visão dos consumidores sobre essas transformações.
PINK, Sarah. Home truth: Gender, Domestic Objects and Everyday life. Oxford, New York : Berg, 2004
A proposta deste livro é explorar os sentidos, ou a experiência sensorial no trabalho doméstico, no lar, e sua relação com as identidades de gênero. A autora faz uma ampla discussão sobre os temas que estão em sua pergunta, isto é, experiÊncias sensoriais - para a qual usa alguns autores que eu já li, mas traz a perspectiva da multi-sensorialidade, ou seja, da impossibilidade de separar os sentidos para análise, bem como defende a ideia de que o pesquisador pode partir de suas próprias experiências sensoriais para compreender a experiência do informante: "Through being there, we cannot claim to have had precisely the same sensory experience as other, but we can creatively construct correspondences between experiences" (empatia); Homework, que ela distingue entre a decoração do lar (home creativity) e o trabalho cotidiano (homework propriamente dito); e Gênero (esta discussão bastante baseada em Buttler, com uma perspectiva de construção de gênero não binária).
Nessa discussão entram as questões da agência e das práticas. No capítulo 3, do livro, ela defende que a agência individual, no lar, é uma força chave para a produção das mudanças nas conficugrações de gênero. Para ela, agencia e práticas, ritual e performance, são não apenas "replications of a given script" mas tecnicas de teconologias do self/selves.
JACKSON, Steve; MOORE, Shaun. The politics of domestic consumption: critical readings. Hertfordshire: Simon & Shuster International Group, 1995
DE VAULT, Marjorie. Feeding the Family: the social organization of caring as gendered work. Chicago, London: The University of Chicago Press, 1994
Esse livro é tão importante para a minha pesquisa que, mesmo que eu tenha lido os capítulos que mais têm relação com ela, resolvi comprá-lo. De acordo com o Danny, ele é mais interessante para falar de práticas do que o Warde (com quem, eu acredito, Danny tem uma certa implicância).
De Vault trata as compras cotidianas e alimentos e produtos de manutenção da vida doméstica como "provisionamento" e não "compras", tendo em vista considerá-las, como eu faço na minha tese, como trabalho invisível das mulheres. O livro tem seu lado bandeiroso feminista, porém as descrições e interpretações que ela faz dos atos de compra são super interessantes.
HUMPHERY, Kim. Shelf life: supermarkets and the changing cultures. Cambridge: Cambridge University Press, 1998
Se eu pudesse, se a mala já não estivesse lotada de livros comprados por impulso e necessidade, compraria esse também...Humphery, um historiador e analista cultural conta a história dos supermercados, com base em uma pesquisa desenvolvida principalmente na Austrália. Relaciona as transformações no comércio com as transformações culturais e sociais. Mas em vez de ater-se à análises e levantamentos documentais, o que seria perigoso tendo em vista que a maior parte dos documentos pertence ao setor supermercadista, ele usa a história oral para comparar a história oficial com a visão dos consumidores sobre essas transformações.