sábado, 30 de abril de 2011

Eu entre um milhão

Atendendo a pedidos das minhas amigas Marta e Dina, e de meu primo Lavard, fui ao casamento real em busca de manifestantes indignados com a gastança. Saí de casa cantando: não me convidaram, pra essa festa pobre (viva, Cazuza!)...mesmo assim, fui.

Acordamos às seis da manhã e às sete e pouco já estávamos em frente ao Palácio de Buckinghan,entre a cerca de segurança e uma superestrutura montada para a imprensa, em um espaço mais ou menos bom para ver, de longe, o entra e sai de carros, cavalos, guardas, convidados, príncipe, rainha e noiva. Assim que encontramos o espaço, não desgrudamos mais de lá. Nem para o banheiro, nem para comprar uma água. Cinco horas na seca total.
Fila do banheiro, 7h da manhã
No caminho entre a estação Green Park e o Palácio, conversamos com duas adolescentes vestidas de noiva, com um cartazinho colado nas costas que dizia "it should have been me". Elas chegaram lá ao meio dia da quinta-feira, dormiram em frente ao Palácio, passaram muito frio, mas estavam se divertindo com os amigos que fizeram no local.

Em torno de nosso posto de observação, muito movimento de gente de todas as idades. Algumas enfeitadas, outras fantasiadas, parecia carnaval. Enquanto isso, duas meninas dormiam tranquilamente na grama.
Mãe e filha na maior elegância
Um grupo de Filipinos
Fizemos amizade com Aaron, um inglês, londrino, de 26 anos e Lynn, uma americana, do Oregon, de 64. Aaron chamava Lynn de "mummy". A intimidade entre os dois era tanta que cheguei a acreditar que eram parentes. Descobri, depois, que tinham se conhecido ali mesmo e, por solidariedade, dividiram alimentos, agasalhos e planos de chegar o mais perto possível do espetáculo.
Lynn e Aaron, nossos vizinhos e amigos instantâneos
Pedimos as opiniões deles sobre o casamento. Para Aaron, que diz ter crescido junto com William, o casamento era um pouco exagerado (over the top), mesmo assim, bom de ver por ser parte da história da Inglaterra. Ele tem orgulho de William por ser filho de Diana, uma princesa do povo, e por estar se casando com Kate, que também é do povo.  Já Lynn diz que foi à disneylândia, mas que são incomparáveis os espetáculos, pois esse casamento era da vida real.

Lynn e Aaron nos ajudaram muito, cuidando de nosso espacinho quando precisávamos mexer as pernas. Solidariedade e sociabilidade eram perceptíveis entre todas as pessoas que estavam ali. Um casal com uma minitv permitia que todo mundo espiasse a transmissão do casamento. Vi uma mulher fazer amizade com um casal que estava com dois filhos pequenos e ajuda-los a tomarem conta das crianças. As pessoas conversavam umas com as outras. Muito legal o clima.
Tinha que grudar, mesmo, pra não perder o lugar
Alf entrevistando o Guarda
O que essas bandeiras estão fazendo ali? 
Cronologicamente, o evento aconteceu assim:

- Convidados saem do palácio e microonibus
- Bandas saem do palácio tocando
- Mais carros saem do palácio 
- Saída do príncipe (não tenho certeza)
- Passagem da cavalaria
- Mais cavalaria
- Sobe a bandeira que avisa que a rainha vai sair do palácio
- Sai a rainha - multidão delira! Grita, abana bandeirinhas!
- Passa o carro com a noiva - uma fotógrafa que estava perto de nós conseguiu fotografa-la e perguntou pra multidão "vocês querem ver a Kate?" As pessoas se reuniram em torno da máquina da orgulhosa fotógrafa. 
- Começa a cerimônia, transmitida por alto-falante, onde a gente estava, e por telões no Hyde Park, no Saint James Park e em Trafalgar Square.
- Sentamos e esperamos o fim da cerimônia e a volta nas carruagens...
- Voltam as carruagens, os cavalos, as bandas, os microonibus com convidados (vi de longe)
- Sentamos e esperamos o beijo no terraço do Palácio...Enquanto isso, carrinhos limpam a rua em frente. Uma guerra disfarçada entre fotógrafos, cinegrafistas e público começa. Motivo: melhor lugar para ver o beijo.
- A multidão recebe a permissão para avançar para a frente do palácio. Esse momento é (in)tenso, mas sem tumulto. A polícia domina a situação. É impressionante! Fomos parar lá no meio, de cara para a cena.
- Os noivos aparecem, em seguida a rainha, Charles e Camila, os pais da noiva e as criancinhas que acompanharam a noiva.
- Abanam
- A multidão grita: "kiss, kiss, kiss!"
- Eles dão um selinho e continuam abanando.
- Sobrevôo dos aviões da Força Aérea.
- A multidão grita "again, again, again" para o selinho
- mais um selinho
- A rainha cansa, e entra, todos seguem deixando os noivos novamente sozinhos. Abanam mais um pouco e acabou o espetáculo...momento de voltar.


Durante todo o tempo, a cada carro que saia, ou cavalaria que passava, o povo agitava as bandeirinhas animado. Teve lá seus momentos de ironia explícita, como quando vibraram com a passagem do carrinho que limpa o chão e, em seguida, cairam na gargalhada.

Aaron me explicou que o beijo, no terraço, simboliza que o casamento foi consumado. Lembrei que, em Portugal, num museu, aprendi que a corte ficava no quarto, na noite de núpcias, para testemunhar a relação sexual. Muito hilário! O beijo é, então, o momento alto do evento. Aquele que todo mundo quer testemunhar e todo o mundo quer fotografar. Até o Alf tava lá, louco para fotografar o beijo...mas é um momento KitKat...impossível de registrar se não for com máquinas super poderosas que fazem milhões de fotos por segundo ou um fotógrafo muito atento.
Esperando o beijo - Aaron fotografou
Para fotografar 1 beijo! Torci por um momento KitKat.
De forma geral, o evento e a sua segurança foram super bem organizados. Os policiais, sorridentes, educados e bem humorados, conversavam com as pessoas e opinavam sobre os acontecimentos numa boa. Aaron me ensinou a diferenciar um guarda comum de um chefe pelo chapéu. Com ironia, ele contou que os chefes são como políticos, ficam nos escritórios sem fazer nada e saem depois dizendo que fizeram muito.

Ir ao casamento real é como ir a um jogo de futebol, um show de rock ou qq outro evento com grande público. Se para Lynn aquilo é como a disneylandia só que melhor por ser a vida real, para mim é vida real relativa à realeza, mas não à realidade. Vamos combinar. Me senti num filme épico, fazendo figuração (sem as recompensas em cachê ou lanche).

Mais tarde, vi na tv que foram "some dozens of arrested" durante o evento. Muitos por simples bebedeira, outros por suspeita de tentativa de algum ato contra a família real. Assim que talvez tenha havido algum tipo de tentativa de manifestação contra o "abuso" deste casamento, mas de onde estava, entre um milhão de pessoas (conforme estimativa da polícia), eu só testemunhei a admiração e a diversão do povo com o espetáculo e os dois selinhos do casal real.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Royal Wedding - temporários moradores de rua.

Eu não estava muito empolgada com esse evento. Tem-se falado nele, mas para mim parecia algo distante que só provocaria mais um feriado em Londres. Hoje, porém, depois de ter ido até o Palácio de Buckingham e passado na frente da Westminster Abbey e ter visto aquele amontoado de gente acampada para esperar o grande dia, bem como jornalistas do mundo todo entrevistando e dando entrevistas, até que me empolguei. Me deu vontade de ir pra lá no dia, só pra ver o movimento do público em volta.


Fomos para a região por acaso. Primeiro fomos andar na London Eye que tem uma interessante vista de quase toda a cidade. Depois, assistimos um filme sobre a roda gigante em 3D. Bonito, me emocionei com a tecnologia. Comemos um sanduíche sentados em um gramado ali perto e partimos em direção ao outro lado do rio. Alf tinha falado em ir para a National Gallery, mas eu não estava a fim. Já fui praqueles lados várias vezes e achei que o melhor seria combinar um passeio que nenhum dos dois tivesse feito nos últimos tempos. Decidi seguir em direção ao Palácio de Buckingham, passando pelo Saint James Park e, depois, ir até a Westminster Abbey e o Big Ben. Não lembrei que era véspera do casamento real, o que fez com que a surpresa do movimento - as bandeiras enfeitando as ruas, os jornalistas entrevistando até os esquilos do parque sobre o casamento (até nós demos entrevista para a BBC), as estruturas montadas para a televisão e as pessoas na maior expectativa com o acontecimento - fosse maior. Tudo muito interessante e fervilhante por causa do casamento.
Vamos fazer uma fézinha?
Alf veio para me visitar, mas também vai fazer reportagem de rua durante o casamento. No final da tarde de ontem chegou Aline, repórter da Contigo que veio especialmente do Brasil para o grande dia. Fomos encontrá-la no hotel, jantamos com ela e depois encontramos André, o fotógrafo que foi contratado pela revista para acompanhar os dois repórteres. Resultado: voltamos para a região da Abadia de Westminster para que eles combinassem os locais em que ficariam para a cobertura. Aline e André vão viver a experiência de acampar em frente à Abadia durante a noite, enquanto Alfredo vai acampar hoje durante o dia e amanhã fica na The Mall para ver o movimento do público nas proximidades do Palácio.
Moradores de rua temporários. Desde quando será que essas pessoas estão ali?
Quando chegamos a Westminster, na segunda vez, havia um grande movimento de jornalistas, populares e polícia porque os noivos estavam na Abadia ensaiando para o casamento e se aproximava a hora de deixarem o local. Um ohhhhhhhh se ouviu quando passaram 4 carros com uma moto na frente e outra atrás. Teve fotógrafo que conseguiu um nice shot da noiva dentro do carro. Aline jura que a viu pela janela. Eu juro que só vi quatro carros em velocidade alta passando por mim...hahahah não tenho o olho treinado para essas coisas.
E se acham que só jovens estão acampados, engano!
No caminho de volta, passamos novamente pelo local onde eles tinham planejado montar acampamento e já havia uma barraca. Era de duas mulheres vindas da Florida, EUA, para ver de perto o vestido da noiva.

Uma  outra temporária moradora de rua me pediu fogo. Ela é da Estônia, mas mora em Londres há seis anos. Contou que estava pensando em qual desculpa daria para seu chefe para justificar que não trabalharia hoje. Decidiu que era melhor falar a verdade e ver no que ia dar, afinal estava ali para testemunhar uma parte da história. Falou que havia montado acampamento há pouco tempo e que já tinha feito amizade com alguns "vizinhos". Está dividindo a barraca com um brasileiro que não estava lá na hora em que conversamos pois tinha ido buscar cobertores para enfrentar a noite fria.

Vale um estranhamento: como pode um casamento ser parte da história atualmente? Que força ainda tem a realeza hoje em dia? Pensei em mim mesma e concluí que preferiria mil vezes ter ido à posse da Dilma em Brasília a assistir um casamento "conto de fadas", tratado pelo mundo como uma "história de amor" entre uma plebeia e um príncipe. Plebeia milionária, o que faz dela, já, uma princesa contemporânea. De qualquer maneira, público comovido sempre me comove e eu gostei de viver e sentir esse clima em torno do evento.

Dali fomos beber em um pub e voltamos para casa.

A parte chata do dia foi que eu esqueci de colocar o cartão de memória na máquina fotográfica - fiquei só com a memória da própria máquina e fui obrigada a fotografar e deletar o tempo todo. Tudo bem, contava com as fotos do Alf - demoraaaaaaaadas, bem estudaaaaadas...pois não é que o cara deletou todas as suas 150 fotos por acidente? Ficou bem chateado.

Para informações sobre o casamento real na web, o blog do meu amigo Juliano dá um belo resumo: http://www.naozero.com.br/

terça-feira, 26 de abril de 2011

Bluebells in the country side

Danny entre bluebells.
Danny convidou-nos para almoçar na casa dele e depois fazer uma caminhada pelo campo para ver bluebells. Uma florzinha linda que cobre o chão entre árvores só neste período do ano.

Além de nós, também foi convidada Guliz, ex-vice reitora da Bilkent University, da Turquia. Simpática e divertida, Guliz contou histórias de sua vida, do casamento do filho com uma brasileira e de suas velejadas pela costa Turca - estas me deixaram com água na boca, fazendo ferver meu lado náutico.

Depois do almoço, partimos, de carro, para Aldbury, vilarejo com história que começa na idade média ou antes, por onde começou a caminhada. Aprendi que as estradas abertas pelos romanos na inglaterra são mais retas do que as que foram abertas pelos anglo-saxões. Danny, antes de seguirmos para a trilha, leu a parte do guia que fala do vilarejo e do que veríamos pelo caminho. Bela maneira de começar uma trilha.

Bem conservada, essa timbered house é das antigas
Fizemos uma bela caminhada de 3 horas com Danny, Rickie, Guliz (que também trabalha consumo e marketing) e Alf.
Guliz, eu e Rickie subindo uma morreba! 

No final, também jantamos na casa deles, já que é passover (a páscoa judaica) e, por isso, eles não podem fazer refeições fora de casa. Alf adorou, pois no almoço serviram Matza com salmão defumado e no jantar foi omelete de Matza. Ele estava em casa! 

Foi uma forma super interessante de integrar lazer, natureza e trabalho.
Não são só as casas que são bem conservadas.
Essa moto deve ser do tempo da segunda guerra.

domingo, 24 de abril de 2011

Estranhos negócios

Domingo de Páscoa. Acordei cedo. Desci até a frente de prédio enquanto Alf dormia.

Encontrei Delila, uma marroquina de 52 anos, escrutinando as sacolas de lixo produzido pelos meus vizinhos, todos moradores temporários do prédio número 64 da Fellows Road.

Perguntei o que ela fazia. Procurava mercadorias para vender em carboot sales. Delila explicou que, em função de sua idade, não consegue emprego e que os objetos que encontra no lixo podem ser vendidos por 1 a 5 pounds. Disse que Londres é uma cidade muito cara e me convidou a visitar o Marrocos. Contou que no Marrocos tudo é barato, por isso eu deveria ir visitar.

Enquanto conversava comigo, Delila enchia sua sacola de rodinhas com verdadeiros tesouros encontrados no lixo: um par de tênis, um par de chinelos de couro, bermudas, toalhas, um casaco tipo parca, uma bolsa, um vidro de xampu que ela mesma usaria, uma caixa de lenços de papel...fora o que já estava lá quando cheguei. Pelo que pude observar, de longe, produtos novos mesmo. Nenhum furo nos tenis, nenum puído no casaco. Apenas não serviam mais para o ex-proprietário e, por isso, foram para o lixo.

Perguntei se ela lavava os produtos antes de vender. Lava quando é para uso próprio, afinal é rubbish. Vende assim para que o comprador lave.

Estranhos lixos de coisas novas que poderiam ser doadas. De certa forma são doadas...Estranhos negócios de catadores de lixo.

Ah, havia no lixo latas de alumínio, ela não pegou...esse negócio de catador de latinhas não existe aqui.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Boa Páscoa!

Sem inspiração para escrever.
Só vou contar que aqui tá um calorão! Caminhamos pela Portobello Road debaixo de um sol digno de Florianópolis (na primavera). 

No mais ,este post é para desejar a todos os meus familiares e amigos uma Feliz Páscoa!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Casinhola organizada, respirei aliviada

Ontem foi dia de descanso, depois de resolver as questões relativas ao nosso micro apartamentico.
Dando uma de Poliana, ter ficado num studio menor uma noite fez com que a gente desse valor ao meio metro quadrado a mais que tem neste aqui.


De manhã, enquanto esperávamos que as cleaners viessem arrumar a bagunça, fomos ao supermercado fazer comprinhas básicas para viver confortavelmente por 12 dias no apartamentinho. Tipo: tapetinho pro banheiro, detergente e esponja para lavar a louça e pano de prato.

Tem objetos que são tão óbvios em nossas vidas, aos quais não damos valor (não tem glamour comprar pano de prato e detergente de louça), mas sem os quais tudo fica mais difícil e, até, menos glamouroso...

Por volta de duas da tarde, as moças brasileiras terminaram de arrumar nosso quartinho e fizemos a mudança, acomodando tudo nos armários e deixando o espaço relativamente "vivível". Fizemos um lanchinho e eu fui DORMIR!! Estava exausta da viagem, da tensão, de tudo.

No final da tarde, fomos ao parque aqui perto - o Primrose Hill. Deitei no gramado e fiquei olhando o céu, enquanto Alf fotografava as vidas que aconteciam em volta, e um grupo composto de violão, contra-baixo e violino fazia uma jam session bem perto de nós.


Rendeu um belo relax, belíssimas fotos que estão no meu facebook e no do Alf e uma significativa melhora no humor.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Londres again

A viagem para Londres foi tranquila. Gilda foi bem competente e nos trouxe até o local de entrega do carro.
Depois de passar na casa do Gustavo - no meu quartinho alugado -  para lavar umas roupas e pegar outras, viemos para nossa morada pelos próximos 13 dias. Foi uma maratona de metrô com malas até chegarmos.

A chegada não foi nada agradável. O quarto estava com as marcas do morador anterior, ou seja, limpeza não passou por ali. Tive que ligar e reclamar. Colocaram-nos em um temporário para amanhã arrumarem o nosso. Esse temporário é menor ainda, e o box do chuveiro está entupido, o banho tem que ser em pretações para não inundar o banheiro e como teremos que nos mudar novamente amanhã, não pude organizar as coisas.

O resultado de tudo isso é que eu estou muito irritada. Muito irritada mesmo. Melhor nem escrever muito hoje!

Ah, e para melhorar mais o meu humor, descubro, hoje, que a universidade ficará fechada por uma semana para os feriados de páscoa. Ou seja, sem biblioteca pra mim até a próxima semana.

Tomara que amanhã tudo melhore!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cotswold

Demorei pra satisfazer minha expectativa em relação a essa região. É que pra curtir tem que entender primeiro quais os villages interessantes a serem visitados e nós demoramos um pouco pra isso.

Nossa primeira parada foi em Chipping Campbel. Achei frustrante. Nada de charme, nada de nada. Fomos ao local de informações turísticas atrás de orientação e saímos mais desorientados ainda, além de termos pago 1,50 por um guia da cidade que era bem sem graça. Tá bom, serviu pra gente ir nas casas mais importantes e históricas, mas eles deveriam dar o mapa de graça, como aconteceu, depois, em Broadway.

Este Village é interessante, um pouco mais charmoso do que o anterior, mas, ainda assim, fiquei frustrada. No centro de informações turísticas, o senhor que atendeu era muito simpatico, mas não nos foi muito útil. Queria nos vender outro mapa por dois pounds. Abrimos mão da nova aquisição, compramos pão e frios, fizemos um lanchinho na pracinha em frente ao supermercado e fomos ver a Broadway Tower.

Agora estava começando a ficar interessante. Uma linda vista para um vale, com essa torre construída no século 18, em um local que foi utilizado durante a segunda guerra para identificar aviões, onde posteriormente foi  construído um bunker anti nuclear, que não visitamos, mas achamos interessante existir ali.

Resolvemos rumar para Stow-on-the-Wold, que estava, também, no guia da Folha que o Alf trouxe. Um village um pouco mais simpático, mesmo assim... Fomos ao centro de informações turísticas de novo e, finalmente, tivemos informações! Ufa! O senhor que nos atendeu nos orientou a ir para Bourton-on-the-water e, no caminho, passar por Lower Slaughter. Chegamos, afinal, à parte charmosa das Cotswold.

Agora, falando em geral: o grande barato aqui são as contruções em pedra amarela, típica da região. São efetivamente lindas. Nos dois últimos vilarejos que visitamos hoje, além das construções lindinhas, havia rios. Tudo fica mais bonito quando tem água perto! As construções mais bem cuidadas, com jardins coloridos também deixavam os lugares mais enfeitados.

Em Lower Slaughter tem um moínho d'água com um museu e uma lojinha que tem produtos bem diferentes, a ponto de o Alf comentar que foi a loja mais interessante que ele entrou na Inglaterra. Eu provei o sorvete feito ali mesmo de baunilha com pedaços de pão preto. Soa estranho, mas é bem bom!

 No último vilarejo visitado, Alf tomou o café que estava desejando há algumas horas, caminhamos pela beira do riozinho, curtimos os patos que voam e nadam livres por ali, as crianças brincando nas águas do rio...Achei um barato a família que, ao lado do rio (entre o rio e uma estrada que corta o vilarejo), montou sua mesinha com cadeiras de picnic e fazia um lanchinho que parecia bem servido.

O tempo nos brindou com sol quase o tempo todo, apesar de haver sempre uma bruma que dificultava as fotos de paisagens.

Chegamos ao fim de nosso penúltimo dia de viagem e último de passeios. Amanhã, Gilda, a GPS, nos leva de volta a Londres, onde recomeço os estudos e começo uma nova aventura de 13 dias com o Alfredo vivendo em um studio mínimo.

domingo, 17 de abril de 2011

Tchau, litoral!

Voltamos para o centro da ilha. Antes, passamos por Lynmouth para últimas fotinhos e curtições do ar marinho, que ainda nos acompanhou na estrada por algumas milhas.


A maior parte do dia foi passada no carro, a caminho de Cotswold. Lugar nas montanhas, marcado pelas construções em pedra amarela, que todos os ingleses com quem conversamos citaram como a lovely place to visit.

É muito interessante, como eu já tinha dito, perceber as mudanças das paisagens. De hills para altiplanos. De jardins nem tão bonitos, para lindos e coloridos e de volta para secos e, por isso, feios. Plantações são substituídas por ovelhas e gado e de volta para as plantações. Mas a maior parte do tempo, vimos mesmo foram ovelhas, vacas e cabras nos campos.

Nosso último B&B foi muito mais caro do que o esperado e, por isso, em vez de dormir bem em um lugar relativamente caro, fiquei preocupada e tive uma noitezinha bem mais ou menos. Acordei antes das sete da manhã para procurar, pela internet, um lugar de preço decente em Cotswold. Encontrei um hotel em promoção, fiz a reserva e fiquei satisfeita comigo mesma pelo achado.

Parte das instalações do Hotel – Crown Inn – fica em uma construção de 1575, o que torna o lugar interessante. Nosso quarto, porém, fica numa parte um pouco mais nova e é horroroso, apesar de espaçoso (especialmente quando comparado com os bem decorados quartos dos B&Bs) – como esta é a última etapa de nossa viagem, vamos ficar aqui duas noites. É administrado por um casal húngaro, bem jovem, que, pelo que entendi a partir de uma faixa na fachada, recém comprou o hotel e está tentando se organizar. São eles que fazem tudo, recepção, atendimento no pub, organização dos serviços. Só vi mais um empregado ajudando a servir as mesas e, provavelmente, tem alguém na cozinha. Assim que, em função da trabalheira, eles não são muito simpáticos (especialmente se comparados aos donos dos B&B em que nos hospedamos anteriormente).

Para ser barato, claro, o hotel não fica no principal Village de Costwolds. Mas isso não é problema. Amanhã pegamos o carro e passeamos pelos arredores sem problema. Tudo é pertinho. Dá para ver tranquilamente.

Já estou triste porque a viagem de “férias” está no fim. Por outro lado, continuo em Londres por mais um mês e meio. Assim, continuo “viajando”. Fora os planos para depois que o período do sanduíche terminar – sobre os quais, falarei conforme forem acontecendo. 

Sai da Cornuália, entra em Devon. Mais litoral.

Roteiro de sábado:
1 - Boscastle - uma hora basta para conhecer, é uma paradinha no meio da viagem, mas é imperdível! Tem um clima de montanha na beira do mar.
Boscastle

2 - Bude - surf beach, maior pinta de Joaquina. O termômetro do carro marcava 13 graus e os surfistas de todas as idades estavam a caminho do mar. Fizemos comprinhas aqui. Fui obrigada a comprar uma bota nova, pq a minha se abriu. Tomamos um café e partimos em direção a...

3 - Clovelly - cidade privada. Pertence a uma família. É uma pequena vila de pescadores bordada na montanha. Com uma descida íngreme pra caramba. Paga-se para entrar 6 pounds mais ou menos, mas vale cada um deles. Segundo o Alf, parece uma cidade de Minas, mas com mar.

Desci e depois subi...

4 - Bideford - cidade grande. Chegamos no final da tarde de sábado. O centro já estava fechado. Não me encantei pela cidade. Fizemos um lanche e partimos para...

5 - Lynton e Lynmouth, onde resolvemos procurar um B&B pq as cidades irmãs são muito bonitas. Foi o B&B mais caro de nossa viagem. É um lugar bem transado e ainda por cima um casamento lotava as possíbiliades de hospedagem da cidade. Assim que agora vamos passar parte do domingo conhecendo melhor o lugar pra valer a pena! heheh

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Tintagel, a terra do Rei Arthur.

Chegamos a Tintagel vindos de Paignton, com uma passada por Dartmouth para visitar um castelo. A viagem foi longa. Era para levar umas duas horas e acabou levando em torno de 4 horas por conta de nossos desentendimentos com Gilda, a GPS.

A querida nos fez passar por estradas minúsculas, com espaço para apenas um carro. Nos fez errar saídas de round abouts e quase me enlouqueceu recalculating toda vez que errávamos. Mas chegamos e isso é o que importa. Pensando bem, essas tecnologias ao mesmo tempo que nos ajudam a encontrar caminhos, prejudicam nossa memória e capacidade de pensar. Às vezes, mesmo com Gilda, sinto falta de um mapa rodoviário bem analógico, para entender de onde estou vindo, para onde estou indo e que caminhos estou seguindo. O mesmo dá para dizer da câmera fotográfica. Fico sempre com a sensação de que vou esquecer os lugares que fotografei e, depois, lembrar só do que está nas fotos.

Tenho visto tantas coisas bonitas e interessantes nesta viagem. Vistas maravilhosas para rios e para o mar, os cliffs que sempre estiveram na minha imaginação ao ler histórias de princesas, as construções antigas, muito antigas e mais antigas ainda em cada cidade que a gente passa.
Saída do Rio Dart para o mar. Local de grandes batalhas navais.

Tem coisas também que não são passíveis de fotografar. São sensações e percepções que temo esquecer, como o ar geladinho batendo no rosto nas trilhas para os castelos, as pessoas nas ruas, as crianças nas praças, o canto dos pássaros, as diferenças nas paisagens. Hoje a mudança foi bem radical da costa de Devon para a North Cornwall. Enquanto a primeira é muito povoada, colorida, enfeitada com seus jardins cheios de tulipas e outras flores, na Cornuália, pelo menos em Tintagel e no caminho até aqui, é tudo mais simples, mais rústico, eu diria, mas não menos encantador.

Visitar as ruínas do castelo de Tintagel foi uma experiência e tanto. Mais emocionante, pra mim, do que Stonehenge. Talvez porque o mar estivesse lá em baixo, às vezes verde, às vezes azul claro e outras azul bem escuro. As rochas e cavernas formadas pelo mar e as próprias ruínas mexem com a imaginação. Como podem os homens terem construído na idade média um castelo sobre uma ilha lá em cima? (quase botei os bofes pra fora para subir até lá)
Tonteio de olhar a foto...


O vilarejo de Tintagel é muito atraente e dá vontade de passar o final de semana explorando as diversas trilhas. Decidimos dormir por aqui, num b&b sem banheiro no quarto, mas com uma vista ma-ra-vi-lho-sa para os cliffs e o mar. Neste exato momento estamos aqui, no quarto, esperando o por do sol nas terras da lenda do Rei Artur, do Merlin e da Morgana.
Que vista!

Os Cafés da Manhã nos B&B

Não é novidade dizer que ingleses comem muito no café da manhã. "O que vocês vão querer para o café da manhã?" é a primeira pergunta que fazem quando a gente chega nos B&B. E as opções são muitas. Tem a parte do "help yourself", formada por frutas que variam de acordo com a região, eu acho (Nos do litoral, temos encontrado ameixas e grapefruit em calda. Nos do centro eram oferecidas maçãs e bananas), mais sucos de laranja e maçã, iogurte e diversos tipos de cereais. Nas mesas, manteiga, geléias, torradas e café ou chá. Aí tem a parte quente do café, com diversas opções. Desde simples ovos pochê ou scrambled até peixes defumados.

Quem se diverte no café é o Alf, variando as escolhas. Começou pedindo só scrambled eggs. Depois comeu Haddock defumado e, hoje, não resistiu e pediu bacon, ovos, tomates e mushrooms. Uma festa pra ele. Já eu, só de pensar em comer essas coisas de manhã cedo, tenho enjôos. Cedi aos ovos. Ontem scrambled, hoje pochê, por que sinto falta de um queijinho - que era oferecido nos B&B do centro do país, e sumiu nos do litoral. Mas ovo de manhã não é a minha praia. Um café com torradas, geléias e queijos seria suficientemente bom.
Que alegria! Peixinho frito às 8 e meia da manhã!
O resultado disso é que o que eu tinha emagrecido em Londres, recuperei nesses dias de viagem. Comer com companhia e, especialmente, companhia que gosta de comer como o Alf, engorda! Precisamos caminhar mais. Ontem o dia foi no carro de um lado para outro. Hoje, pelo jeito, também será.

Ah, fica bem mais fácil escrever um post de manhã, com a cabeça descansada e o estômago alimentado.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nossas referências...Agradecimento especial

Nosso modo de organizar o passeio tem sido bastante aleatório. Carregamos fontes de informações, como o Guia da Folha sobre a Inglaterra, um mapa pequeno, a Gilda (GPS) e, especialmente, um power point elaborado pelo Marcus com muito capricho que tem sido base para muitas de nossas decisões. Não vamos conseguir fazer tudo o que está no power point. Vamos ter que guardar parte para uma próxima.

Por isso, há horas que quero postar aqui meu agradecimento ao Marcus pelo carinho!

Intensidade litorânea

Andamos, no início da noite de ontem pela região do porto de Weymouth. Sempre fui fã de barcos, portos e marinas. Algo que está no sangue, creio eu, pois meu pai amava o mar e os barcos.

Weymouth é uma cidade em obras, pois será sede da parte náutica das olimpíadas de 2012. Como todo o lugar em obras, não está bonita de se ver. O tempo nublado também não ajuda. Ver o mar é sempre melhor com sol. Por isso, de manhã partimos direto para o próximo ponto de nossa viagem: Lyme Regis.
A praia...
Tantas coisas vistas, tantas para comentar....pra começar a viagem de carro pelo litoral. Taí uma surpresa agradável. Pensar em ver o mar na Inglaterra tendo o "marão" do Brasil ao nosso dispor parece meio bobo, mas não é. Praias de pedras e não de areia são lindas também. A quantidade de barcos em cada lugar pelo qual a gente passa é impressionante. Eles realmente gostam do mar nesta ilha. Os recortes do litoral e os costões, sei lá bem se é essa a palavra, são lindos demais, coisas de cinema. As prainhas e entradas de rios cercados de casas em montanhas são cena de filme também. Só postando fotos para explicar. (preciso das fotos do Alf, pq, hoje, eu fotografei muito pouco...)
Lyme Regis...mal dá pra ver, mas tem uma escada e a foto foi tirada da praia.
O roteiro de hoje foi Weymouth (que significa a boca do rio Wey), Lyme Regis (onde foi rodada parte do filme A mulher do tenente francês), Sidmouth (um lugar mais antigo, com um centrinho bem agradável de passear). Torquay, Torbay, Paignton, Brixham (essas formam a riviera inglesa, sendo as primerias grandes cidades com jardins super bem cuidados*, a última uma tesãozinha de Village à beira mar, enquanto a penúltima é uma Balneário Camboriu sem prédios altos, isto é, um balneário bastantão), Berry Head (uma ponta em Brixham onde tem um forte da época das gerras napoleonicas e onde, pela primeira vez nessa viagem, fiquei lá em cima de um rochedo olhando o mar lá em baixo, com varios outros rochedos recortados pelo tempo visíveis, formando pequenas baías de águas profundas. O que era um dos meus objetivos nesse passeio, mas de onde não tenho fotos pq acabou a bateria da minha câmera e o Alf saiu do carro sem a dele), Dartmouth (cidade em que chegamos por acaso, pois já tinhamos riscado do roteiro pq não daria tempo**, mas que, garanto, é linda demais, onde decidimos dormir para ver melhor amanhã, mas não foi possível pq não encontramos b&b com vaga, então tivemos que voltar a Paignton para dormir....uma aventura e tanto quando o cansaço do dia rodando já está batendo!).
Fish and Chips em Lyme Regis

Arriscamos boa parte do passeio de hoje sem a GPS, que agora ganhou o nome de Gilda. Demos folga a ela e fomos pelo instinto, passando por diversos lugarejos, vilarejos,mansões, estradas em meio a fazendas, lindos jardins e etc.
Isso é uma parte de estrada! Sem acostamento, com as casas na beirada. 

Coisas a serem destacadas: as estradas são lindas e surpreendentes a cada curva. Não se vê outodoors, no máximo placas bem discretas anunciando ovos, b&b, pubs. Aliás, em alguns lugares vimos placas que vinham depois do lugar que anunciavam. Elas diziam: você acabou de perder a melhor cerveja. Vai entender.

Outro destaque é para os banheiros públicos e gratuitos nas cidades do litoral: limpos e iluminados...maravilha, nem precisa entrar num café para fazer xixi! :)

Ah, também é destacável que tem muita gaivota nesse litoral. Em Sidmouth me dei conta de que todo ser humano é um possível alvo de excrementos de gaivotas. Estava eu parada na rua quando, a poucos centímetros do meu pé, caiu uma carga aérea bem pesada! Dei sorte, não caiu na minha cabeça!

Gente, com certeza teria muito mais a contar, mas to exausta. O dia foi intenso!

* não vi um jardim feio nessa viagem. como é primavera, estão todos carregados de tulipas de cores variadas. Alf tem fotografado bastante jardins. Mais adiante, quem sabe, faço um post só para eles.

** temos aprendido muito nessa viagem sobre como se organizar para viajar. Uma das coisas difíceis é calcular o tempo que vamos gastar para olhar cada lugar e para chegar nos lugares, o que dificulta a definição de onde vamos dormir. Neste caso, por exemplo, tinhamos decidido que dormiríamos em Plymouth, já que, pela pesquisa que fiz na internet era onde encontraríamos B&B mais em conta. Porém, como fomos curtindo os lugares e as vistas, acabou ficando tarde e tivemos que tentar a sorte. Gilda ajuda no planejamento, Google maps também. Porém, como estamos planejando sempre o dia seguinte, o cansaço atrapalha o raciocínio.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

De Wells para Weymouth

O caminho entre uma cidade e outra é bem curtinho, mas levamos umas cinco horas, pois paramos em vários lugarejos bem charmosos. Além disso, começou uma chuvinha, o que fez com que viéssemos com mais cuidado.

A manhã de hoje foi dedicada a passear pelo centro de Wells. Uma gracinha de cidade. Era dia de feira no centro e ficamos passeando entre as barraquinhas, fotografando e provando de tudo um pouco: cheddar de diversos tipos - sim, o queijo cheddar inglês é de tipos variados, por causa das varias formas de maturação bem como dos temperos diferentes que nele são colocados, nada a ver com o cheddar amarelo que comemos no Brasil -, falafel, terrine de truta, doce de leite...humm, delícia.

Compramos dois pedaços de queijo, um cheddar e um brie, mais um pão tipo baguete para nosso almoço, mas acabamos tomando uma sopinha na cafeteria da Linda, Antiga e Cheia de História Catedral da cidade. Os queijos e o pão estão sendo consumidos neste exato momento, dentro de nosso quarto no B&B de Weymouth.

Saímos de Wells por volta de uma hora, programamos a GPS para nos levar até Cerne Abbas, onde há o enigmático desenho de um gigante peladão com um pinto enorme. Para mais detalhes: http://en.wikipedia.org/wiki/Cerne_Abbas_giant

Antes de ver o pinto do gigante, paramos para visitar os Minterne Gardens, lindo lugar também. Porém, chovia e estava frio, não aguentamos muito tempo a caminhada e logo voltamos para o carro. Depois de ver o gigante, fomos ao centro de Cerne Abba, chamado Village para dar uma olhada no pub que existe desde 1500 e alguma coisa e que, conta a lenda, um rei autorizou a vender álcool quando ali passou, e tomar um chá com scone, assim descrito no cardápio: "Dorset Cream Tea. Home made fruit scone served with Duchy Originals Organic Strawberry preserve and a Dorset Favourite, Blackmore Vale Clothed cream! Yum!...and of course a pot of tea for one." Segundo o Alfredo, e eu também, era tudo isso...Yummm!

Depois queríamos ir a um castelo, em Portland - pq eu fiz o Alf comprar um passe para atrações patrimoniais inglesas qdo visitamos Stonehenge e agora a gente precisa usar! Colocamos na GPS o rumo do castelo e seguimos as instruções até que ela mandou dobrar à direita onde não havia uma saída...Acontece que a estrada foi reformada e o mapa que ela tem não tem a estrada nova...ela endoidou, começou a recalculate e nos mostrava fora da estrada. Perdemos algum tempo nisso. Fomos e voltamos pela mesma estrada. Ficou tarde, perdemos o horário para entrar no tal castelo e resolvemos vir direto para Weymouth procurar um B&B para passar a noite.

A parte bacana da GPS é que ela nos faz andar por estradas pequenas, pouquíssimas auto-estradas. Uma das partes ruins é que ela sabe mais do que nós dos caminhos. Assim que não sei se vamos por estradas pequenas só pq ela manda ou se é pq não tem muitas auto-estradas na Inglaterra. Afinal, não temos um mapa rodoviário. Um detalhe que chama a atenção nas estradas aqui é a absoluta falta de acostamento, por isso, parecem mais estreitas ainda.

Observação: resolvi abrir um espaço, aqui, para que o Alf escreva. Ele fica o tempo todo dizendo que tem que falar disso ou daquilo no Tatilidades. Assim, ele pode escrever sobre o que ele quer...A partir de hoje, o texto em itálico (nao as palavras em itálico no corpo do meu texto) é de autoria dele.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Well, estamos em Wells

Estou cansada pra caramba, já passa de meia noite e só agora consegui chegar no blog.
Tanta coisa acontecendo nessa viagem, tanto para contar e cadê tempo para parar e escrever?

Wells, onde estamos no momento, segundo a dona do Bed & Breackfast, é a menor cidade da inglaterra. É uma cidade mercado. Chegamos aqui já no final da tarde, vindos de Cheddar Gorge - lugar imperdível, uma  estrada estreitinha, no meio de umas rochas altíssimas, linda demais. Antes, passeamos umas cinco horas por Bath - linda cidade, também vale a pena. Antes de Bath, estávamos em Devizes, onde fomos parar por acaso, em busca de um local para dormir no caminho entre Stonehenge e Bath.
Chegamos em Cheddar Gorge e já estava tudo fechado.
Deu pra fazer essa trilhazinha e aproveitar um pouco do fim da tarde.
Uma linda vista para o outro lado, mas não dava para fotografar, era quase por do sol.
Fomos à Stonohenge no nosso primeiro dia no carro alugado. Estávamos meio assustados. Alfredo até que mandou bem na direção, apesar de ficar um pouco na esquerda demais nas estreitas estradas do interior da Inglaterra. Hoje mesmo, passamos por uma tão estreita que só cabia um carro.
Foi ela que mandou a gente ir por ali. Alfredo queria voltar, mas nem tinha onde fazer retorno...
e ela estava certa, chegamos a Cheddar Gorge.
Bom, mas para dirigir por aí e quase não errar o caminho, temos o poderoso GPS, ou a poderosa, pq a voz que vai mandando a gente turn left e turn right e outras ordenzinhas desse tipo é feminina. Assim que eu digo pro Alfredo que se ela mandou, tem que obedecer! Mas ela não é tão inteligente assim. No primeiro dia mandou que seguíssemos por uma estrada, mas  estava fechada e ela insistia em nos fazer retornar. Cada vez que viravamos para outro lado, ela começava a dizer "recalculating". Enlouquecedor! Aliás, foi por isso que paramos em Devizes, cidade sem atrações turísticas, mas com uma acomodação em um pub chamado Moonrakers, cujo dono - Russ - é muito simpático e o quarto é bem sujinho. Ela também já provocou brigas no casal. Eu quero fazer o que ela manda e, sempre que possível, dar tempo para ela pensar. Já o Alf, tende a fazer o que dá na telha, estimulando que ela comece, de novo, o enlouquecedor "recalculating".
Ela

Para embalar a voz dela no carro, Alf descobriu uma FM que só toca clássicos...e lá vamos nós, pelas estradas inglesas a ouvir clássicos, com lindos dias de sol a iluminar nossos passeios. E por falar em música, hoje, em Bath, tivemos a sorte de entrar na Abbey bem na hora em que um coral de jovens californianos estava se apresentando...sentamos para apreciar a música e, quando vi, Alf estava com lágrimas nos olhos. Que lindinho!

Em Bath, aliás, essa foi a única atração pela qual não tivemos que pagar. Pq o resto, todo...aliás, em todos os lugares por que passamos, é preciso pagar para entrar e não é pouco...Temos, portanto, entrado em poucos lugares. Um que pagamos para entrar e foi sem graça total, foi o Jardim Botânico de Oxford, ontem. Que raiva que me deu...se o Rio de Janeiro cobrasse entrada no Jardim Botânico, eu compreenderia, mas o de Oxford é minúsculo!


Tem bem mais aventuras para contar, mas esse post ficaria imenso e eu não dormiria esta noite...Assim que termino contando do tombo que levei quando paramos na beira da estrada para fotografar. O problema nem foi o fato de que não consegui subir na mureta de pedras por causa das calças jeans meio caídas. O mais grave foi que caí em cima de uma planta tipo urtiga...na hora começou a doer e coçar e arder a pele das duas mãos, das costas e de um dos meus joelhos, inchou pra caramba...passei álcool e a coisa piorou!! lavei com água, diminuiu um pouco, tomei um anti-histaminico (nada como um namorado com mania de remedinho) e o inchaço diminuiu um pouco depois de um tempo, mas a dor continua até agora. Tomara que amanhã eu esteja melhor. Mas foi um micão! Acabei rindo.

Só a última do garçon do restaurante indiano em que jantamos hoje...indiano, não, de Bangladesh como insistiu o garçon...Pedi ajuda para escolher os pratos e ele escolheu toda a combinação, não permitia que a gente fizesse perguntas e dizia: vocês vão gostar, pra vocês é isso, vocês vão gostar. A cada tentativa do Alfredo de argumantar que talvez não gostasse, ele reagia com um esse é o pedido de vcs, vcs vão gostar...ele tinha pressa de tirar nosso pedido. Acabamos aceitando a sugestão dele e não é que ele tinha razão?gostamos muitos da galinha tikka e da galinha tikka massala que ele mandou a gente pedir. Mas delicioso mesmo era o pão que o Alf nem queria mas o garçon determinou que a gente queria. Valeu!

Bom, vou dormir logo que colocar fotinhos no post. Desta vez, não vou revisar o português. Se tiver muitos erros, perdoem-me.
Em Stonehenge...é impressionante, mas não tive nenhuma experiência tanscendental.

domingo, 10 de abril de 2011

Caminhadas e mais caminhadas

O B&B fica numa região de Oxford - Kenington - que me faz lembrar da Lagoa da Conceição, especialmente do Canto dos Araçás ou do Canto da Lagoa. Silencioso, com um monte de vegetação e um ar geladinho como o da Lagoa no inverno. Em poucos minutos, saindo da casa e pegando uma trilhazinha, chegamos à beira do Rio Thames, que só aqui em Oxford se chama Isis, para a nossa caminhada até o centro da cidade.
a curva do rio

Durante o passeio da manhã, fizemos a infame piadinha: pra que vir até a Inglaterra pra caminhar pela beira do rio, se podemos fazer o mesmo na Lagoinha Pequena do Campeche? Que pequenez de pensamento, né não? Mas foi só piada, pq o passeio foi lindo demais. Fomos curtindo a paisagem, a vegetação, os patos e os cisnes no rio. O que tomaria 40 minutos, de acordo com a dona do B&B, levou uma hora e pouco.

Chegados ao centro, fomos direto comprar o ticket para fazer um Guided Walk pelos Colleges. Pagamos 8 pounds cada um. Ao sairmos do centro de informações turísticas, demos de cara com um cartaz oferecendo Free Guided Walks - "if you have a nice time, you can give a tip". disse o rapaz que estava divulgando o tour. Bom, mas aí já era tarde.

Almoçamos sanduíches e descansamos da caminhada da manhã, para as duas horas começar uma nova caminhada de duas horas.

A guia do passeio era uma senhora francesa que mora em Oxford há muito tempo, o inglês dela era perfeito, especialmente pq era fácil de entender. Ela nos deu uma aula sobre Oxford com muitos detalhes. Aprendemos um pouco sobre a história da cidade, sobre como funciona a universidade de Oxford e seus colleges e faculties. Em um determinado momento, entretanto, parecia que éramos aspirantes a estudantes na cidade, pq ela perdeu um tempão explicando como é o processo de seleção dos alunos. Aí me dei conta de que havia dois jovens com pais no tour, estes, provavelmente, eram aspirantes a estudantes.  Fiquei meio de saco cheio daquele blablabla e Alfredo também, pois depois comentamos.

Na verdade, eu fiquei imaginando o quanto um aluno de Oxford "se acha" e o quanto disso é baseado em encenação e supervalorização de rituais e tradições. Me deu uma certa agonia, sei lá.

Bom, terminado o passeio com a senhora francesa, fomos tentar entrar na biblioteca, que era o que o Alfredo queria. Mas já era tarde, não havia mais tours guiados - tudo tem que ser com tour guiado...então, voltamos ao café da igreja e ficamos por ali fazendo um tempo. Depois, fomos de novo à beira do rio e paramos no pub The Head of the River para um fish and chips e umas pints.


Meus pés dóem de tanto caminhar, especialmente meus calcanhares. Acho que vou ter que comprar um novo par de tênis com amortecedor se continuar caminhando desse jeito.

Uma correção: o bolinho delicioso que comi ontem não se chama scole, mas scone...diferencinha básica....

sábado, 9 de abril de 2011

We are in Oxford...

Já é noite. Estou pregada e pensando no que escrever sobre Oxford.

Chegamos logo depois do meio dia, de trem, pegamos um taxi para nos trazer ao B&B que eu tinha reservado pela internet. Dizia "a poucos minutos do centro de Oxford", e eu acreditei. De ônbus não leva mais do que 20 minutos, mas eu esperava algo que desse pra fazer a pé. Esse é, porém, o único inconveniente do lugar. No mais, o quarto é enorme, com móveis de madeira super bonitos, uma cama queensize, um banheiro também enorme, com banheira, na qual mergulhei quando voltamos de nossas sete horas de caminhada pelo centro da cidade. 

Olha o tamanho deste quarto...e, apesar de longe, o local é lindo.
Disse a dona do B&B que dá para fazer uma caminhada pela beira do rio até o centro da cidade.
Leva em torno de 40 minutos. Acho que será o programa de amanhã.
Quando se vai de ônibus daqui até o centro, o ponto final é o da Castle Street. A rua tem esse nome exatamente pq ali fica o castelo de Oxford que foi todo reformado e hoje abriga lojas, restaurantes e oferece tours pelo castelo com direito à resconstituição de época. Não fizemos o tour que custava 8 pounds por pessoa, mas o Alfredo se encantou por um morrinho que tem no castelo e queria subir. Pagamos 1 pound cada um, com a expectativa de, lá de cima, ver uma bela vista da cidade...hahah roubada! Nada de vista lá de cima. Mas Ok, foi divertido.
O Castelo de Oxford, visto do morrinho...
Mesmo assim, eu estava meio incomodada de perder tempo naquele castelo. Parecia que não era Oxford como eu imaginava. Já estava achando que era bem sem graça. Até que saímos do castelo para as ruas da cidade. Aì sim: vida, história -e quanta história! já que em Oxford está a universidade mais antiga da Inglaterra (construída entre os séculos XIII e XVI, de acordo com o Guia da Folha) - e cor - pq o dia estava lindo demais e quente. Muita gente pelas ruas, turistas, estudantes, uma alegria! Fomos aos lugares marcados no guia, mas não entramos em quase nenhum. Olhamos por fora, considerando que nossa viagem é econômica. 

Um dos pontos altos do passeio de hoje - foram muitos, mas esse eu lembrei agora - foi na igreja St Mary the Virgin, cuja torre foi construída em 1200 e alguma coisa. Dá para subir, Alfredo estava até animado, mas a torre estava lotada. Talvez amanhã...Mas,voltando ao ponto alto que eu ia contar, tem um café nessa igreja. No jardim, mesas, cadeiras e cobertores de picnic para que os fregueses, caso queiram, possam tomar seu lanchinho sentados na graminha, ao sol. Nós ficamos nas mesas do lado de dentro mesmo. Tomaríamos apenas um expresso cada um, mas aí vi um bolinho simpático demais e perguntei o que era. Um scole, respondeu a moça perguntando se eu ia querer um. Claro que quis. Parece uma broa e é servido com nata e geléia...gente, demais! Eu nem estava com fome, pois havíamos acabado de comer uma espécie de pastel apimentado pra caramba cada um, mas não resisti ao bolinho e não me arrependi. Recomendo! :)

Vimos tantas coisas, tantos prédios antigos, tanta história que em um determinado momento o Alfredo falou: cansei de fotografar prédio velho...morremos de rir, pq é o que vamos fazer durante os próximos dias. 
Este hotel está estabelecido neste local desde 1660...
300 anos antes de eu nascer!
Ah, vimos um restaurantezinho com uma bandeira brasileira na entrada e o povo lá dentro falando português. Entramos, pq Alfredo ia perguntar "qual era a boa da night". Admiro a falta de timidez dele. Pois não é que o dono do restaurante é brasileiro, de Criciuma e irmão de uma jornalista com quem o Alf já trabalhou? E não foi só nesse caso que a falta de timidez do Alfredo nos favoreceu...Ele vai entrando, se faz de louco, mesmo em lugares que parecem fechados...eu vou atrás, morrendo de medo de pagar o mico de ser "expulsa". Que bobagem. 

Predinho sobrevivente na Cornmarket Street. Essa rua é um agito.
Uma espécie de calçadão.
Bom, mas acabamos o dia tomando cerveja num Pub chamado Copa recomendado pelo Paulo, novo amigo relâmpago do Alfredo.

Essa foto foi tirada em homenagem a todas as minhas amigas apreciadoras de cerveja.
Importante: todas as fotos deste post são do Alfredo.