quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Defesa da Vivi (assunto sério) e outras escritas (as bobaginhas do cotidiano)

Ontem foi a defesa da tese da Vivi Kraieski sobre alimentação de migrantes brasileiros em Boston: onde a comida não tem gosto...Ela foi extremamente competente na apresentação, objetiva e completa.

Depois a banca fez seus comentários: cinco membros, cada um com 30 minutos para falar, alguns falaram muito mais. Durou das 14 as 19h... e foram só elogios e sugestões sobre como seguir para o pós-doc! Muito bacana mesmo. Aprendi um monte, fiz montes de anotações já pensando na minha...

Mas assistir a banca e ver como os membros fizeram uma leitura detalhada da tese me deixou meio apavoraaaaaaaaaaaaaaaada!! Tenho que ser muito cuidadosa (tá, eu já sei disso há tempos, mas bah), cada palavrinha pode gerar décadas de comentários...cagaço! hahaha Apesar de que uma coisa é certa, gera comentários quando o trabalho é bom...então, tomara que o meu gere tantos comentários da banca qto o da Vivi! :)

Bom, depois de tudo, Vivi foi aprovada com louvor. Merecidíssimo. Fiquei super orgulhosa da minha amiga!

Hoje passei o dia aqui em frente a esta máquina, produzindo e tentando produzir. Até que rendeu, mas falta um longo caminho ainda. Aí chegou a noite e eu pensei que bem que podia ter um vinhozinho pra tomar uma taça e relaxar...A cabeça fica ligadona, mas cansada, não consegue juntar A com B...
Vão passando pedaços de textos, parágrafos inteiros pela cabeça e não dá tempo de escrever...já escrevi e reescrevi, na imaginação, umas trocentas vezes só a introdução. Qdo chegar a hora em que eu realmente quiser escrever, esses textos fantásticos que me vieram a mente vão sumir...medo!!

Então, resolvi ligar pro Dani pra ver como ele vai. Prá variar, celular desligado. Ele não está no gtalk e eu não consigo saber do meu filho de quem estou com saudades.

Pra distrair, fui cortar as unhas do Fredi...ô dificuldade cortar unha de gato, consegui cortar todas as de uma pata e quatro da outra pata, ambas da frente, pq nas de trás eu nem me arrisco. E o mais louco é que ele fica p da vida qdo lhe corto as unhas e some de perto de mim...haha me põe no freezer!

Agora dúvida: assisto essa seleção brasileira meia boca jogar contra a Argentina ou tomo um banho e vou dormir! Dúvida cruel!

domingo, 25 de setembro de 2011

Aniversário da Betina

Há 28 anos nasceu Betina, minha filha.
Guria de fé, batalhadora, sonhadora, realizadora.
Sou puro orgulho do que ela já fez acontecer nesse tempo que nem é tão longo.
Nós e o mediterrâneo. Grécia 2011. Filha e companheira!
Te amo, Betina!

sábado, 24 de setembro de 2011

Coisas que acontecem nos mercados, mercadinhos, supermercados e afins

Fui ali na esquina de casa - não é bem na esquina, mas é assim que me refiro ao minimercado que fica aqui perto e ao qual recorro quase diariamente - e assisti uma cena "chocante".

Um homem adulto, professor da universidade (eu o conheço), estava na fila do caixa com três batatas e uma garrafa de coca-cola, aguardando a sua vez de efetuar o pagamento. Seu filho, de uns três ou quatro anos, veio do interior da loja e se encostou nas pernas do pai. Chegada a hora de pagar (tudo muito rápido), o pai perguntou ao filho o que ele tinha nas mãos. O menino, com um sorrisão, mostrou um pacote  de balas de  goma em forma de carros. O pai, então, falou, em tom grosseiro mesmo: "isso aqui é porcaria. É um nojo! Você nem sabe o que é isso". O menino, já meio amedrontado, respondeu "é bala de goma de carros!" O desejo visível em seu rostinho. O pai, então, perguntou à moça do caixa se era bala de goma mesmo. A moça confirmou. "Quanto custa?", perguntou o pai. "Três reais", respondeu a moça. O pai virou-se para o filho: "você quer levar isso? isso é nojento!" e outros impropérios que agora não lembro. O menino com cara de quem quase ia chorar fez que sim com a cabeça. O pai pagou o produto, junto com as outras compras. Virou pra mim e comentou: "faço terrorismo". Saiu dizendo pro menino: "você levou isso, você vai comer isso. isso é um nojo. todo mundo vai ter nojo de você!" A criança, humilhada em "praça pública", mesmo com o pacote de balas na mão, seguiu o pai com um olhar triste, de dar dó.

Bom, são tantas coisas possíveis de pensar a partir desse rápido acontecimento num mercadinho...primeiro: noções de saudável e não saudável (nojo e porcaria). segundo: as incoerências dos adultos - coca-cola pode, bala de goma não pode; xinga, mas leva o produto. formas de educar os filhos. formas como o desejo das crianças é ativado por embalagens e formatos de produtos e assim vai...

Esse lugar de administração da vida privada, que também é um lugar público - o mercado, o minimercado ou o supermercado -, realmente serve para pensar...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

primeiro dia da primavera e trabalho que rende

Amanheceu chovendo, seguiu choviscando intermitentemente o dia todo. É o primeiro dia da primavera. No facebook, todos comemoravam a chegada da estação, mas quem mora em Florianópolis não pode deixar de reclamar da chuva.

Ontem, Jania e Cláudia Passos vieram para cá. Elas me ajudariam na tese. Mas aí, vinho vai, vinho vem, três garrafas e meia depois, elas perguntaram: tá, em que podemos te ajudar? E lá eu tinha condições de pensar em trabalho? Mas foi divertido, mulheres jogando conversa fora é sempre divertido. Maridos com orelhas quentes, amigos também. Mas se alguém pensar que falamos mal de alguém, está muito enganado. Foram só elogios e filosofia de botequim sobre relacionamentos em geral.

E a tese? Vai bem obrigada. Esta semana foi produtiva, não em número de páginas, mas em quantidade de leituras que dão um pouco mais de densidade ao conteúdo. Além disso, a tese ganhou nome e começou a ficar mais clara na mina cabeça. To satisfeita. Mergulhei de verdade. Tenho acordado de manhã bem cedinho para trabalhar, já com a tese na cabeça. Gosto quando chego neste ponto.

Sobre o processo da escrita, no caso desta tese que versa sobre supermercado visto a partir de diferentes enfoques: tempo, sentidos, relacionamentos etc, percebi que a cada pedacinho sobre um desses enfoques que termino, me sinto esvaziada. É como se começar o próximo pedacinho fosse começar do zero.

Agora é tempo de descansar um pouco, é sexta-feira,dia de pizza e dia de Alfredo.

domingo, 18 de setembro de 2011

Mais um domingo cinzento em Floripa

O que fazer num domingo desses? Sempre cinza.

De manhã, caminhamos pelo Campeche, ladeando a lagoinha pequena. Depois, preparamos um almocinho com os restos do frango de TV de cachorro comprado ontem, lá perto da minha casa.

Agora, enquanto o Fluminense joga, eu deveria estar estudando. Qual nada, fico enrolando, enrolando, enrolando e nada de pegar nos livros que trouxe.

O netbook no colo, navego pela internet, jogo paciência e penso que poderia dormir. Afinal é domingo, está cinza.

Escrevo no blog sem muito para contar. A cabeça meio vazia ou muito cheia. Sei lá. Apenas quero não deixar morrer. Vai que daqui a um tempo eu tenha coisas interessantes pra escrever aqui, né?


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Chega uma hora que não sai mais nada

Aí é melhor parar!

Passei o dia em cima da tese, entre máquinas de lavar cheias para aproveitar o sol. Evoluiu poucas páginas. Cada parágrafo um parto. Cada volta aos parágrafos anteriores, uma arrumadinha, uma pesquisadinha, uma lidinha. E lá  vou eu, ou vai ela, a tese. Pra onde?



sábado, 10 de setembro de 2011

Nativos e estrangeiros - transformações

Fui até Santo Antônio de Lisboa, ontem, para assistir uma apresentação do projeto Tem piano no samba, da minha amiga Cláudia Passos. Bem bacana, recomendo.

Santo Antônio de Lisboa, para quem não conhece, é um calmo lugarejo do lado oeste da ilha de Santa Catarina, com vista para o continente. Tem construções do tempo da colonização ainda preservadas. O mar ali é calmo e se come muito bem por lá. Perto do centro mas parece outro lugar.

Quando chegamos, o trânsito estava complicado. Tivemos que estacionar o carro na estrada que leva para Cacupé. Descobrimos que o motivo para a complicação era a Festa do Divino, que acontecia na igreja. Barraquinhas na praça, cerimônia na igreja. Passamos a pé bem na hora que a procissão saía. Soltavam fogos de artifício. Um rapaz e uma moça vestidos de rei e rainha, seguidos do padre e de uma banda, fotógrafos, cinegrafistas e povo perto. Não muito povo, mas o suficiente para a gente pensar: que cidade é essa que a gente mora e não sabe das coisas que acontecem. Fomos até o  bar, onde a Claudia, carioca, ia cantar. Os donos do bar são mineiros e cariocas.

Floripa tem isso, essa aparente mistura de gente que veio recentemente para morar e trouxe sua cultura e gente que sempre viveu aqui e mantém a cultura local. Os primeiros trazem inovações, lojas, shoppings, carrões, alta velocidade. Os segundos, preservam o tempo mais lento, as tradições. Parece que vivemos separadamente. Como se os segundos não existissem, meio invisíveis. O que senti ontem em Santo Antônio de Lisboa foi o mesmo que senti e entendi no ano passado quando fizemos uma pesquisa com mulheres do Campeche e do Ribeirão da Ilha (este, mais preservado).

No Campeche também permanecem as festas da igreja, a vizinhança que se conhece desde sempre - todos são meio parentes, o tempo é lento. Ao mesmo tempo, mesmo que mais acelerado, a especulação imobiliária invade grandes espaços de terra, constroi mega condomínios com salas de cinema, ginástica, piscina.

Nos condomínios, ao contrário de seus vizinhos nativos, ninguém se conhece, não há solidariedade, não há visitas que aparecem para um café, que trazem um pedaço de bolo, que falam da vida alheia, pois as pessoas nem sabem da vida alheia (pelo menos não da vida alheia mais próxima geograficamente).

Campeche - de um lado da rua...
Nós, os estrangeiros, andamos pelo Campeche, compramos apartamentos por lá e nem percebemos a existência desses vizinhos que lá estão desde sempre. Isso acontece por toda a ilha. Na Lagoa, no Norte, no Sul...

Campeche - o outro lado da rua (foto de 2010, o condomínio deve estar nos finalmentes)
Trocamos nossas vidas em cidades grandes por uma mais calma numa ilha e trazemos junto todas as neuras que tínhamos. Transformações...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tá andando...

Devagar e sempre, mas andando...

Finalmente consegui entrar na tese, pelo menos em um dos capítulos da tese..tem que ser assim, mesmo, um de cada vez. Ainda devagar, muitas leituras por serem feitas, conceitos para serem esclarecidos, etc. Mas vai dar! eu acho...hehehe

Enquanto vou mergulhando no tema, o resto da vida fica meio em suspenso. Mesmo assim, ontem fui assistir um espetáculo de coro e orquestra, convidada pela amiga Betina Adams, que faz parte do coro. Saímos debaixo da maior chuvarada para ir até o teatro na SC 401 e valeu a pena. Enquanto ouvia as apresentações da orquestra, do coro e dos solistas, pensava na minha tese. É sempre bom sair do lugar para ver tudo melhor.

Na verdade, por ser um espetáculo de um coro amador, a minha expectativa era baixa. Mas me surpreendi. Boa qualidade dos cantores, dos solistas e da orquestra sinfonica de florianópolis. Não sou uma especialista em música, mas deu para fruir direitinho e até ajudou a pensar. (Não lembro o nome do espetáculo e o Alf levou o programa pra casa dele...sorry!)

Falando em chuva, a situação no estado tá feia. cheia de desbrigados, barreiras caídas, e ameaças de calamidades piores. Também, foram dias e dias de chuva sem parar, inclusive no feriado de 7 de setembro (pô, São Pedro podia ter dado uma folga!). Tudo molhado em casa, o gato numa agitação que não dá folga, o cheirinho de mofo que irrita e coisa e tal...

Falando no feriado, trabalhei durante o dia, mas a noite saí com minha amiga Zau e seu namorado Duda e mais o Alfredo para dar umas risadinhas e tomar um vinho. Duda, que é bahiano, disse nunca ter vindo a Florianópolis sem chuva e debochou do povo que só sabe falar do tempo no Facebook. Segundo ele, quem mora em Santa Catarina não tem outro assunto.

No domingo, fui almoçar com Alf e seu amigo David, que estava em Floripa para um congresso. Fomos para o sul da ilha e vimos baleias, tão lindas. Aliás, acredito que uma das que vimos foi a que encalhou no Pântano do Sul. Pobre bicho, que agonia. Ainda bem que se libertou!

O certo é que não dá mesmo para abrir mão da vida social - deveria diminuir de intensidade, mas tá difícil!

Sem contar a preguiça. Hoje acordei, fiz meu café, ajeitei a casa e comecei a reunir bibliografia para o capítulo que estou escrevendo, ou pretendo escrever. Parei tudo para ir para o pilates - delícia de atividade física, já sinto os resultados - e depois almoçar...aí voltei pra casa com vontade mesmo de deitar e dar uma dormidinha depois do almoço...não fiz isso, vim pro computador, comecei a dar uma olhada na bibliografia, fazer pesquisa no google acadêmico e escrevi mais um parágrafo...Aí travei pq precisava procurar em um livro uma citação (ou fazer uma paráfrase). Deu preguiça. Decidi abrir o tatilidades e escrever aqui...e não dormi.

Dormir é fundamental para deixar o inconsciente trabalhar, fazer as ligações necessárias e, principalmente, para acordar sem a preguiça. Acho que vou me dar 30 minutos! "Boa noite!"

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Mexer nas coisas guardadas, mudar perspectivas, aproximar

A tese invadiu a sala. Desde sexta-feira, tenho uma mesa no escritório e outra na sala. Resolvi ampliar as possibilidades de local para trabalhar. Quem sabe, mudando a perspectiva, eu consiga desenvolver melhor. Ficar mais perto da cozinha pode me ajudar a pensar sobre o supermercado.

É bacana mexer um pouco nas coisas. Trazer a mesa que estava no quarto-depósito para a sala me fez mexer em armários que estavam intocados desde que voltei de Londres. Uma sacola de sapatos está ali, separadinha, para doar. Algumas coisas foram para o lixo, mas grande parte do que está no quarto-depósito-bagunça não me pertence. São as memórias d@s filh@s, papéis, fotos, presentinhos, skate, bicicleta, etc.

São coisas das quais eles não querem se desfazer, preferem manter na casa da mãe como forma de materializar as referências: "a casa da mãe é também a minha casa." Para mim, também, ter as coisas deles aqui é mantê-los presentes, mesmo que cada um tenha tomado o seu rumo. Sentir que a minha casa é referência para eles é senti-los bem perto.

Ao mesmo tempo, e já que passa do meio dia, dá saudade do tempo em que almoçávamos juntos. São só as coisas que estão aqui. Eles estão tocando suas vidas (que orgulho!) e eu vou ter que sair pra almoçar sozinha. Coisa que não gosto de fazer.



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Coisas de mulher

Acordei com dor de cabeça.

 Passei a manhã aumentando a dor de cabeça ao procurar e ainda não encontrar a melhor forma para minha tese. Uma hora, acho que o plano desenvolvido está bom, outra parece que não dá conta do emaranhado de ideias e achados que o campo me trouxe. A ruga que tenho entre os olhos está ficando mais profunda, de tanto pensar e repensar. Uma luz, pelamordideus!

Para piorar, ou explicar, a dor de cabeça, descobri que menstruei. De novo, depois de 21 dias, sendo que antes eu tinha ficado mais de seis meses sem menstruar. Ô fasezinha chata essa do climatério! Meus atrasos começaram há mais de quatro anos. Os calores no ano passado eram tão fortes que quase enlouqueci. A pele que enfeia, o corpo que incha e desincha, a tpm sem m, a tpm com m. Menstruar, nessa fase, é uma surpresa como foi a primeira menstruação...saco, viu?

Pra arejar a cabeça, fui passear na UFSC com a Marina, como se eu não tivesse nada para fazer. Não foi totalmente passatempo, conversamos sobre a minha tese, conversamos sobre supermercados, conversamos sobre administração doméstica. Quem conhece a Marina nem pode imaginá-la falando muito dessas coisas, né? Sempre tão envolvida em cinema, fotografia, literatura. Mas ela, como todo ser humano que é mãe e dona de uma casa e que vive nessa sociedade, também precisa administrar uma casa. E foi bem legal.

Depois, Vivi veio tomar café comigo, em casa. Conversamos bastante sobre as nossas teses, sobre as possibilidades das nossas pesquisas, sobre nossas angústias, sobre planos para o futuro. Foi bom também.

Se eu não produzi propriamente em números de páginas, produzi em raciocínio. Em raciocínio sobre coisas de mulher...