sábado, 30 de julho de 2011

Apresentei o trabalho na SBS e foi bem recebido. Sinto uma tese crescendo dentro de mim! hahhhahaha

Na verdade, quando se trata de falar de compras, tudo fica divertido, pois todos temos essa experiência e, conforme vou apresentando meus achados, as pessoas começam a se identificar. Aí chovem histórias, sentimentos, pensamentos. Muito bom!

Respondendo à Miriam e à Val: qualquer história de supermercado me interessa. Nada é banal, quando se trata desse assunto tão mundano. :)






quinta-feira, 28 de julho de 2011

Em Curitiba, para a SBS

Então, cá estou, novamente, desde terça feira para participar do Congresso da Sociedade Brasileira de Sociologia.

A pessoa aqui conseguiu sair para viajar sem trazer a câmera fotográfica. Está ou não está fora da casinha?

Mas o congresso tem sido interessante, especialmente o GT Consumo e Cidadania, cujas discussões acompanho há bastante tempo e tem a ver com o meu campo de pesquisa.

O consumo como objeto de estudo acadêmico é relativamente novo e todos os esforços devem ser empreendidos no sentido de legitimá-lo. O que, em geral, não é fácil.  Por isso admiro o trabalho da Fatima Portilho, da Lívia Barbosa e de outras pesquisadoras como a Letícia Veloso, a Gisella e outr@s que se dedicam à causa da legitimação deste "campo" de estudos.

Mesmo eu, quando vou falar sobre meu trabalho com quem não é da área, fico um pouco constrangida e com a sensação de que é visto como uma discussão de superficialidades. Mas, garanto, não é!

Por ser "novidade", o GT apresenta algumas disparidades entre os trabalhos que são apresentados, com discussões que são de base, mas que, para mim, já estão ultrapassadas. Quer dizer, é preciso ter paciência, pois se elas ainda aparecem é pq precisam ser elaboradas por pesquisadores recém ingressados.

Hoje apresento o meu trabalho, sobre o qual já falei aqui. Ele segue um caminho diferente dos trabalhos discutidos ontem no GT. Exceto pelo trabalho da Denise Barros, da FGV, que tem achados relativamente similares aos meus. Estou curiosa com as reações.

Mudando de saco pra mala: estou hospedada na casa de minha amigona e colega Adalgisa. Ela e João Luiz tem sido fantásticos! Tratamento 10 estrelas. É muito bom ser recebida com carinho e generosidade.


terça-feira, 26 de julho de 2011

Xô, Baixo Astral!!

A pessoa fica horas, dias, um tempão remexendo em coisas doloridas, fica no maior baixo astral. Aí basta um toque de objetividade pra levantar a autoestima.

Ufa!! Vou poder escrever a minha tese quando voltar de Curitiba...


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Tem dias que a gente se sente..

Grande Chico Buarque. Esse é o meu estado de espírito hoje.
Diferentes ditaduras, mas sempra ditaduras.

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Um dia, a gente acorda e o que estava não está mais. É preciso elaborar o vazio, limpar o espaço para colocar coisas novas no lugar.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dezembro de 2011

É esse o prazo para ter a tese pronta!

Ontem conversei com Carmen, minha orientadora, e determinamos este prazo. Ela sugeriu que eu trabalhasse 10 horas por dia... Ai, medão!! Ai, preguiça!! Ai...

Se você, leitora ou leitor, tiver casos interessantes para me contar sobre suas idas ao supermercado, ou opinião sobre compras em supermercado, por favor, não se acanhe e deixe aqui em baixo, nos comentários! Pode me ajudar.

Até dezembro, com uma pausa para ir para Curitiba na semana que vem e mais uma viagem que está programada para agosto, tenho que estar concentrada na escrita. Depois disso, é partir pro abraço. (Tomara que tenha abraço!)




quarta-feira, 20 de julho de 2011

Post pra explicar pq não tem post! hahaha

Pois é, gente. Eu queria escrever um bom post aqui hoje, mas tá difícil. To tri baixo astral, meio chateada com os choques de realidade que tenho tomado desde que voltei de Londres.

Aí só consigo pensar em escrever sobre a condição da mulher ou sobre as diferenças de classes. Os dois assuntos têm mexido muito comigo e estou tão emocionalmente envolvida nos dois que não consigo ter a distância necessária para produzir um bom texto sem que nele eu esteja completamente implicada e ele soe mais como um desabafo do que como uma reflexão. Mas dá pano pra manga. O que ando vivendo e pensando dá, perfeitamente, para fazer a ligação entre a micro experiência do cotidiano com a realidade macro da sociedade. Tenho conseguido ver e sentir a teoria na prática. Só não cheguei ainda ao distanciamento necessário, à elaboração clara dessas experiências, para poder escrever sobre elas.

Na verdade, não é nada de tão grave, mas é (mais) um despertar da consciência.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Exclusão

quem nunca se sentiu excluíd@ nessa vida?

Estava aqui a reler o trabalho que vou apresentar na SBS, em Curitiba (de novo), na semana que vem, e fiquei a pensar sobre o tema. No trabalho, falo que o supermercado, apesar de uma aparente inclusão - qq um pode entrar em qq supermercado -, é um espaço de exclusão, pois mesmo que seja possível entrar, parte daqueles produtos expostos nunca poderão ser comprados por tod@s.

Outro dia, uma amiga percebeu, no Angeloni, um refrigerador com caviar e outros produtos de luxo cujos preços eram impraticáveis para a maioria dos mortais. Eu mesma nunca nem percebi - não poder é já um filtro para a percepção que nos protege da sensação de estar excluído.

Porém, quando a nossa própria exclusão, por n possíveis razões, vem à consciência, a dor é grande. Um misto de frustração, raiva, vontade de se rebelar e tristeza. Não ter o poder aquisitivo, não ter a mesma condição financeira dos outros não deveria nos tornar sujeitos de menores direitos, mas torna. Somos excluídos, sumariamente. Nós mesmos nos vemos como sujeitos de menores direitos por não termos dinheiro e afirmamos, conformadamente: não é para mim.

Obviamente a exclusão mais perceptível é a que se relaciona ao poder aquisitivo, mas há outras formas de exclusão em nossa sociedade e que são praticadas disfarçadamente, com base em argumentos racionais. Essas bem mais difíceis de racionalizar: o machismo, a desqualificação de crianças e velhos, os preconceitos em geral que nos colocam em lugares que não merecemos. Esses não são tratados no trabalho que vou apresentar, mas já provei deles e, provavelmente, já os pratiquei.

Quem quiser ler o trabalho completo, que trata de cidadania no supermercado, pode acessá-lo em
http://www.sistemasmart.com.br/sbs2011/arquivos/22_5_2011_8_1_47.pdf

sábado, 16 de julho de 2011

inundações

Ontem a máquina de lavar estragou. Este ano já estragou várias vezes, pelo que me disse a Marina. Está na hora de trocar. Afinal, esta tem a idade da Betina. Para uma máquina de lavar, é velha! Mas ela estragou bem no meio da lavagem de toalhas. Coloquei-as no tanque e abri a torneira para deixa-las de molho até hoje e, então, dar um jeito no assunto. Enquanto o tanque enchia, vim para o escritório e me distraí no computador. Quando dei por mim, a casa estava inundada. Duas horas gastei para secar, empurrar a água pelo ralo, recolher a que estava no meu quarto, embaixo da minha cama, e fazer um levantamento dos estragos nos móveis da cozinha. Que m!

O que me preocupa é que quando começo a ter esse tipo de desatenção é pq estou inundada também. Em pensamentos, sentimentos, angústias, fantasmas. Preciso dar um xô nessa tristeza. Um "agora basta" para os fantasmas que, por muito tempo, escondi em algum canto de minha mente e agora me assombram e inundam, impedindo que eu trabalhe. Estou numa sucessão de insights sobre mim mesma e sobre minhas relações. Quase uma enxurrada. Quase afogada.

A parte boa disso tudo é que logo que a enxurrada passar, que eu me desafogar desses pensamentos, terei menos alguns nós na minha vida, mais respostas e um pouco mais de saber sobre mim mesma. Pelo menos, até a próxima inundação!

Tá, mesmo assim continuo feliz com o resultado do meu trabalho...só preciso que a inundação acabe pra conseguir continuar a escrever a tese.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Satisfação

Estou de volta à Floripa. Cheguei ontem, no ônibus da UFSC que trouxe os pesquisadores da RAM, à meia noite. Fui dormir às três da manhã por pura algariação gerada pelos acontecimentos do dia:

À tarde, apresentei meu trabalho. Estava meio insegura, achando que não daria conta de falar em 15 minutos os detalhes que eram importantes do texto. Li e reli antes da apresentação. Achei que o power point que preparei estava confuso. Fiquei agoniada, pois no netbook não consigo mexer no power point, apenas ver. Também em minhas leituras, não conseguia encontrar uma linha racional e lógica para a apresentação.

Tudo pura bobagem! Na apresentação, usei o material que preparei e a "velha" Beth cara de pau e meio performática brotou fazendo com que a platéia se envolvesse no que eu estava apresentando. O que se percebia pelos sorrisos, balanços de cabeça e cochichos conforme eu ia descrevendo os sentidos no supermercado e mostrando fotos do meu campo.

Quando chegou a hora dos comentários, apenas um professor falou. Gastou a maior parte do seu tempo com o meu trabalho e ficou claro, pelos pedaços do texto citados, que ele tinha lido tudo com atenção. Fiquei contente e, claro, parte dos comentários foram úteis, outros foram bobagens. Mas ao mesmo tempo, fiquei frustrada, pois nos dois dias anteriores, dois professores comentaram os textos e, justo no meu, apenas um comentou. Eu estava "sedenta" pelas outras opiniões.

No intervalo, Renata (a nova velha amiga com a qual jantei na noite anterior e também uma das coordenadoras do GT), veio me fazer uma pergunta sobre o meu trabalho. Fiquei felicíssima com a curiosidade dela. Mas o melhor ainda estava por vir.No final da tarde, antes do fim do GT, fui para a cafeteria em frente à reitoria da UFPR bater papo com duas colegas (fugi do GT pq estava incomodada com o andamento, não vou dar detalhes aqui). Muito bem, estávamos lá jogando conversa fora enquanto eu fazia tempo para chegar ao ônibus que me traria de volta, quando os professores coordenadores e comentadores do GT fizeram uma mesa enorme ao lado de onde estávamos sentadas. Aí começou a parte boa: todos comentaram o meu trabalho, elogiaram, afirmaram que eu tinha um excelente objeto e, melhor, deram dicas para aprimora-lo ainda mais.

GT em momento de descontração. Elogios fora de hora e lugar.

Indescritível a minha satisfação com aqueles comentários fora de hora e lugar. Eles falaram tanto, contaram casos seus nos supermercados da vida, trocaram impressões sobre teorias e práticas que eu quase perdi o ônibus e, consequentemente, perdi o sono!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Encontros

O dia hoje foi cheio de atividades acadêmicas e sociais.
Das acadêmicas, nem vou falar, pois não interessam a maioria de meus leitores. Vou falar das sociais, culturais e turísticas...

Na hora do invervalo de almoço, saímos, Jimena, Viviane e eu, em direção à ICAB, uma loja de chocolates que só existe em Curitiba e que nos havia sido muito bem recomendada por uma colega. Olhei o endereço e as direções no Google maps e acreditei que seria perto...Engano. Caminhamos muito até encontrar a loja. No caminho, encontramos conhecidos e, para alguns, paramos. Isso tornou nossa caminhada mais demorada do que deveria e a sensação de distância muito maior.
Paradinha na XV pra bater papo. Encontro.

Paradinha na XV para bater foto. Novo encontro, dessa vez com o estímulo à leitura

E assim, de paradinha em paradinha, encontros em encontros, chegamos à loja. Valeu a pena! Fizemos nossas comprinhas e voltamos para almoçar perto da universidade e participar dos GTs à tarde.

Aí, no intervalo do GT, aconteceu uma coisa fantástica: conheci uma "velha" amiga da internet. Há mais de dois anos, trocamos ideias e fazemos fofocas via email e gtalk, além dos comentários em blogs que participamos para "analisar" um certo programa de televisão no qual somos fissuradas. Ops, melhor dizer que nosso interesse no programa e seu entorno (comentários na internet) é de grande interesse antropológico! (parece piada, mas é sério! a gente se diverte e estuda junto). Na verdade, já tínhamos combinado de nos encontrarmos hoje para jantarmos juntas, mas, antes da hora, quis o destino que nos encontrássemos na porta do elevador e já foi uma festa!

Mais tarde, nos encontramos de novo e, depois de longo batepapo na cafeteria próxima da universidade, fomos jantar no Beto Batata, um lugar cheio de charme, como a cidade de Curitiba. Estávamos: Valéria (a amiga que de virtual quase concreta se transformou em concretíssima), sua filha Sofia e uma amiga dela (que se tornou minha também) chamada Renata. Foi super agradável, divertido e animado nosso jantar. Cada uma contando histórias das mais variadas de suas vidas, o que havia de comum e incomum.

Foi, mesmo, um dia de muitos encontros. Inclusive os teóricos que me ajudam a pensar a tese.

(Eu ia colocar mais fotinhos aqui, mas o sistema está lerdíssimo. Tento mais uma vez, se não der vai assim mesmo. Pena, pq queria mostrar as batatas do Beto Batata e as novas velhas amigas)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Em Curitiba, para a RAM

Bem, amigos...hum, não, isso é nome de programa esportivo com aquele chato do Galvão Bueno...melhor encontrar um jeito diferente de começar a contar o dia de hoje...

Pelo começo, talvez...

Acordei cedinho para pegar o ônibus da UFSC que traria os participantes da RAM. (não preciso contar detalhes como tomei café, escovei os dentes, fechei a mala...hahahha)

No ônibus, vim conversando com a Vivi a viagem inteira. De vez em quando prestava atenção na paisagem que é linda! Quanto tempo fazia que eu não vinha pela estrada na direção norte? Nem lembro, mas foi um barato. Ver a serra, subir a serra...mas a conversa estava tão animada que vi pouco. E pq a conversa estava animada,não me arrependi de não prestar tanta atenção à paisagem...haha repetitivo esse parágrafo, não?Acho que é o adiantado da hora...

Chegamos em Curitiba, na universidade, e fomos direto, com mala e tudo, fazer o credenciamento no evento. De lá, partimos a pé puxando as malas em busca de nosso hotel. Uma aventura rápida, mas divertida. Éramos cinco a procurar indicações do caminho. Chegamos morrendo de fome e o rapaz da recepção nos disse que domingo, às três da tarde, só encontraríamos o shopping aberto. Ok. vamos nessa. Mas Jimena e eu nos perdemos dos outros três e acabamos indo sozinhas para o tal shopping, encontramos Sandra e comemos um sanduíche do subway. ;o shopping é enorme e como todos os empreendimentos desse tipo, atordoante, apesar de muito bonito. Voltamos para o hotel e já era quase hora  de ir para a abertura do evento, no Largo da Ordem, a duas quadras do hotel. Jimena ficou dormindo, fui com Sandra.

"Look Left!...ai que saudades!
Ao chegar, babei!! O Largo da Ordem é um local recuperado no centro de Curitiba, hiper charmoso,com igrejas que funcionam como igrejas e casas antigas transformadas em museus e restaurantes e onde, aos domingos, acontece uma feira pela manhã. Poxa, pensei, pq o cara do hotel não nos mandou aqui qdo perguntamos onde comer? Seria um lugar perfeito pra comer alguma coisa e tomar uma cerveja, já que o tempo estava lindo e morno.
A foto não faz juz ao astral do Largo da Ordem, mas dá uma ideia da iluminação.

Aliás, todo mundo no ônibus reclamando do calor e da falta de roupas apropriadas para essa temperatura, já que, seguindo as orientações da organização do evento,vieram preparados para o pior dos frios.

Me senti viajando de novo ao andar pelas ruas de uma cidade que eu praticamente não conheço. Viajar é bom,né? Mesmo que seja apenas a 400 quilômetros distante de casa.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Livre contar e pensar...to pirando ou é só fome?

O tempo tem influência direta sobre nosso astral, mesmo.

Desde ontem, apesar de muito frio, o sol está brilhando nos dias Florianopolitanos. Dá outro ânimo e eu até comecei a produzir. Ontem gastei o dia preparando a apresentação do texto sobre os sentidos. Hoje revisei a tradução de um outro texto e reli o que já tinha escrito para o capítulo metodológico da tese, tendo novas ideias sobre o que devo colocar ali. Estou contente com isso.

A noite, porém, foi estranha. Tive um pesadelo. Estávamos visitando um local turístico, com penhascos e esses começaram a desabar. Corremos para o carro. Eu estava sentada do lado esquerdo, banco do carona em carros ingleses, e Alfredo disse pra eu dirigir. Pulei para o banco da direita e não conseguia colocar a chave no lugar certo para ligar o carro. Pavor, pois o chão continuava a desabar. Acordei às 2 e meia da madrugada, antes do fim do pesadelo, como sempre acontece, e decidi chavear melhor a porta. De manhã, ouvi barulhos na fechadura e levei um susto. Era só a faxineira chegando.

Aí me dou conta de que ainda estou atrapalhada. Nem lembrava que ela viria hoje.

O que diz o sonho? Tenho uma vaga ideia, principalmente pq não estávamos só Alfredo e eu. Tentando entrar no carro, no banco de trás, estava também um conhecido que foi criticado há alguns dias por uma amiga (em um momento "fofoca") por ter ideias ultrapassadas. Fiquei pensando na idade, no tempo que passa, na minha vida de estudante aos cinquenta anos. Às vezes, isso me parece absurdo e, como diz a Ana Paula, meu superego super desenvolvido me enche de críticas. Que bobagem, respondo. Deixa eu ser jovem!

Durante os dias, no escritório, bem em cima da minha cadeira, o sol esquenta tudo. Frederico não sai de perto, para manter-se aquecido. Talvez eu continue assim, atrapalhada, por muito tempo ainda. Talvez até terminar de escrever a tese. Sei lá. A cabeça tá a mil e, ao mesmo tempo, fora do ar. Sigo o fluxo, vou fazendo, a ansiedade bate, parece que me perco. Deixo de lado algumas coisas, de tal forma que elas fogem da minha cabeça. Mais ansiedade. Medo de me perder. Preguiça de juntar tudo. Trabalheira. Faço alguma coisa, fico contente. Sobe e desce.

Leio as notícias dos amigos que ficaram em Londres. Vontade de viajar mais. O que me espera?

Acho que meu problema, no momento, é fome. Com fome, não sou produtiva, nem objetiva. Vou almoçar.


Ou pegar o trem e sair por aí!

sábado, 2 de julho de 2011

Pensar os sentidos...pra ver se entro na tese

Estamos tão acostumados a pensar textos (escritos e falados) e imagens que não prestamos atenção aos nossos outros sentidos e sua participação em nosso cotidiano. Através dos sentidos nos comunicamos, recebemos mensagens dos outros e dos objetos, construímos ideias, preconceitos, relações. Há um mundo social e cultural a ser descoberto neles.

Pensando nisso, baseada em minhas idas ao supermercado com as "minhas mulheres" ou sozinha, escrevi o começo de um dos capítulos da tese. Texto que será apresentado na RAM (Reunião de Antropologia do Mercosul http://www.ram2011.org/), em Curitiba, semana que vem. Pensando nisso, também, cada vez que vou ao supermercado, especialmente mas não só, presto atenção nos meus próprios sentidos e nos sentidos dos outros e na forma como eles participam das escolhas e decisões dos compradores.
Provocando o paladar...
Outro dia, um casal com um filho pequeno escolhia desodorante para o homem. Os adultos cheiravam o produto e trocavam opiniões, enquanto o pequeno dizia, incessantemente: "deixa eu cheirar, deixa eu cheirar". Bonitinho, queria participar das decisões da família.

Observar os sentidos em ação no supermercado é uma rica fonte de informação sobre nossa sociedade. Vou dar um exemplo: um dia, com uma de minhas informantes, escolhíamos xampu. Ela cheirou o produto de uma marca que não vou citar e disse: "tem cheiro de cabeça de pobre em ônibus".

E a audição, então? Cada vez que transcrevo as gravações das minhas viagens ao supermercado ("shopping trips") percebo como é um ambiente barulhento: as rodas dos carrinhos em atrito com o chão, os motores dos freezers e geladeiras, os bips das caixas registradoras, as conversas dos outros compradores e dos funcionários, mais o que é deliberadamente transmitido nos auto-falantes. Uma sinfornia atordoante que, aliada a todos os outros estímulos sensoriais de uma loja, é capaz de deixar a gente zonza.

Divertido pensar que além de muitas imagens coloridas de embalagens e muitos textos de slogans, os cheiros, os sabores, os sons e as texturas também "poluem" nosso cotidiano como consumidores.

Para ler o texto completo, se alguém tiver curiosidade: http://www.sistemasmart.com.br/ram/arquivos/10_5_2011_18_16_10.pdf