sábado, 25 de maio de 2013

Bem coisa de carioca...

O Rio de Janeiro é uma cidade especial. Linda à primeira vista, encantadora pelos recortes do litoral, a cor do céu e do mar em contraste com as cores da vegetação que sobrevive exuberante nos morros que cercam a zona sul.

Mais de perto, porém, como qualquer lugar, tem lá seus problemas. Alguns eu já falei aqui: como ser uma cidade sem lei, uma cidade suja, uma cidade difícil, apesar da fácil sociabilidade de seus habitantes.

O lixo, por exemplo, é um grande problema na cidade. Pelo tamanho, por ter sediado pelo menos duas grandes conferências sobre o futuro do planeta, deveria ter já encaminhado a questão da coleta seletiva do lixo. Qual nada! A gente separa o lixo em casa e depois ele vai todo para o mesmo caminhão. E do caminhão para o lixão, para ser catado por personagens de novela...

Aquela anedota já clássica de que o carioca convida você para a casa dele mas não dá o endereço é meio verdadeira. E a gente vai aprendendo a pedir o endereço e, objetivamente, marcar a data da visita.

Mas a "coisa de carioca" que eu queria evidenciar hoje, que me parece bastante instigante, é o quanto, aqui, se sentem o centro do Brasil. Efetivamente, durante muito e muito tempo, o Rio foi a capital do Brasil, império e república. Daí a origem deste entendimento de centro. "Natural" que seja assim. Além disso, a maior rede de comunicação do país, orgulho entre cariocas, mesmo que a critiquem, tem sua sede aqui e dissemina para o mundo o jeito carioca, a cultura carioca, os problemas cariocas, as favelas cariocas e os cariocas como síntese do Brasil.

Esta centralidade se revela nas falas dos habitantes, mesmo os mais esclarecidos. O que é feito e pensado por gente daqui é que é importante e digno de reconhecimento ou leitura. E como pode alguém (de fora do Rio) não conhecer algum carioca famoso? Este que não conhece é um "ignorante". Em verdade, mal prestam atenção à existência de outros "brasis".

Continuo amando a cidade, mas entendo um pouco como minha responsabilidade mostrar que há vida inteligente e interessante fora do Rio de Janeiro.