terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ah, tecnologia que facilita a vida! (ironia mode on)

Desde o ano passado estou na casa do Alf. Levei computador, alguns livros e roupas e fiquei por lá, tentando trabalhar. Como comentei, ontem consegui alguma coisa e hoje a manhã rendeu. Mas tive que vir em casa para pagar a faxineira, pegar as contas do mês que devem ser pagas também, buscar outros escritos para a tese e, especialmente, rever o Fredinho...

Enquanto espero o Alf chegar, resolvi tentar pagar as contas pela internet, no site do Banco do Brasil. O netbook, entretanto, não está cadastrado no banco e, por isso, não posso fazer os pagamentos. Decidi ligar para o suporte técnico do BB para entender e tentar resolver o assunto, já que vira e mexe eu preciso fazer pagamentos por este computador aqui.

Não consegui resolver o problema. O procedimento para cadastrar o computador é (1) ir até um terminal de auto-atendimento, (2) cadastrar o celular, (3) receber uma mensagem de sms com uma senha (acho que é isso), (4) voltar para casa e cadastrar o computador.

Ora, até entendo que seja por questão de segurança, mas se a internet e o telefone 0800 existem para que a gente tenha a vida facilitada, não sair de casa para fazer os pagamentos e outras transações bancárias, por que cargas d'água não existe um procedimento de cadastramento do computador direto de casa?

Outro dia a conta de uma amiga foi invadida e limpa no BB virtual...para este tipo de problema eles não têm solução. O negócio, então, é complicar a vida de clientes honestos que só querem pagar suas contas sem sair de casa. Desta forma, o banco quer nos fazer acreditar que está fazendo alguma coisa por nossa segurança!

Vou te contar...fico imaginando minha mãe, velhinha, tendo que lidar com todas essas exigências tecnológicas. Impossível!

E por falar nela...minha mãe adorava fazer palavras cruzadas. Comprava aqueles livrinhos em papel jornal cheios de quadradinhos, pegava seu dicionário e la ia ela, aprendendo novas palavras e exercitando o cérebro. Um dia ela parou. Disse que cansou. Achei uma pena, já que exercitar o cérebro é sempre bom. Aí, quando fui leva-la para Porto Alegre, decidi comprar um desses livrinhos para ocupar o tempo de espera no aeroporto (esqueci de levar um livro para ler).

Finalmente, entendi pq a Amparo parou de fazer palavras cruzadas. O que tem de referência a termos da informática nestes quebra-cabeças não é pouco... "del", "mouse" "shift", "site", e assim vai! Ora, como uma pessoa de mais de oitenta anos, que não aprendeu (nem quis) a mexer com computadores pode responder essas questões?

Minha mãe parou de fazer palavras cruzadas provavelmente desde que as palavras e a linguagem em geral mudaram e a contemporaneidade baseada na informação tomou lugar do mundo analógico que ela conhecia.

Será esta a ordem "natural" da nossa cultura? Seá que não seria bacana oferecer aos velhos oportunidades de continuarem se sentindo inseridos na sociedade? Do jeito que as coisas são, velhos são, em vez de sábios por sua experiência, apenas estorvos, a não ser que se dediquem a ser eternamente jovens, o que é humanamente impossível!

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