Acabei de chegar do Rio de Janeiro que continua lindo e quente!
Minha ida, desta vez, não foi a passeio ou trabalho. Fui dar uma força para o Alf que está lá tomando conta de sua mãe que está doente e de seu pai que está precisando muito do apoio dos filhos neste momento de decisões importantes na vida.
Um dia, quando eu era criança, acreditei que a idade adulta era aquela em que encontrávamos o equilíbrio necessário para levar a vida sem problemas. Do alto de minha sabedoria infantil, pensava que ficar adulta era igual a não ter limites e obrigações. Santa ingenuidade da infância!
Os ciclos da vida são inevitáveis e cada momento vem com limitações contra as quais lutamos e, ao mesmo tempo, às quais nos adaptamos. Observar os pais do Alfredo e a minha própria mãe, todos com mais de 80 anos, me faz pensar sobre tantas coisas. Refletir sobre mim mesma, sobre os significados das coisas, sobre acúmulo, sobre desapego, sobre o significado da expressão super falada "qualidade de vida", sobre as coisas em que acredito e aquelas em que deixo de acreditar.
Percebo a importância da segurança das rotinas domésticas para uma boa "qualidade de vida". Crescemos e vivemos em um mundo que valoriza mais o que está fora do doméstico, que reserva para as rotinas básicas como dormir, alimentar-se e banhar-se um lugar sem o mesmo valor que dá às "grandes" realizações, às 'grandes" conquistas, sejam elas concretas, como o acúmulo de dinheiro, objetos e bens, sejam elas abstratas como prêmios, no sentido de ser "melhor" em alguma coisa. Estas são importantes pois nos mantêm como pessoas ativas na sociedade, já que ela gira em torno destes valores.
No final da vida, porém, o que vale mesmo, o que dá qualidade de vida para as pessoas, é o cotidiano organizado, a comida na mesa, a casa limpa, o banho agradável.
Engraçado, vale aquilo que as mulheres, historicamente, são responsáveis por prover. E quando elas já não podem providenciar o almoço, o jantar, a roupa limpa, a casa organizada, perdem as referências e, finalmente, parecem perder o valor que tinham. Ficam mais chatas do que "já eram" e a vida se desorganiza totalmente.
Alguns recebem a idade melhor do que outros. É o caso do Arturo. Está bem, segue ativo mentalmente, cansado é certo, mas, bastante racional, se impõe sobre os filhos. Nele, ninguém manda. Meu pai foi outro: morreu em Recife, apesar de anos de insistência da família para que ele voltasse para o sul para ser cuidado. Ele não queria ser mandado, queria mandar.
Parece haver uma marcação de gênero, muito evidente, e que rende muita pesquisa das feministas.
Mas falemos do "mandar"...
A tendência a querer "mandar" n@s velh@s só pq el@s já não sabem se expressar direito, pq fazem tudo bem mais devagar, pq insistem em suas manias é grande. Esta tendência é resultado da preocupação, eu sei. Mas talvez se a gente reconhecer que ali tem uma pessoa como a gente, a relação fique mais fácil de ser negociada. Ali tem uma mulher vaidosa, um homem que foi provedor a vida toda, uma mulher que cuidou de uma casa sozinha, que trocou nossas fraldas, que limpou nossas bundas, que nos levou pro colégio e foi a todas as reuniões de pais, que nos levou e buscou em festas e que fez tudo isso pq amava e queria ser amada.
Não é fácil reconhecer que estes nem sempre heróis e heroínas já não podem mais o que podiam.
Minha ida, desta vez, não foi a passeio ou trabalho. Fui dar uma força para o Alf que está lá tomando conta de sua mãe que está doente e de seu pai que está precisando muito do apoio dos filhos neste momento de decisões importantes na vida.
Um dia, quando eu era criança, acreditei que a idade adulta era aquela em que encontrávamos o equilíbrio necessário para levar a vida sem problemas. Do alto de minha sabedoria infantil, pensava que ficar adulta era igual a não ter limites e obrigações. Santa ingenuidade da infância!
Os ciclos da vida são inevitáveis e cada momento vem com limitações contra as quais lutamos e, ao mesmo tempo, às quais nos adaptamos. Observar os pais do Alfredo e a minha própria mãe, todos com mais de 80 anos, me faz pensar sobre tantas coisas. Refletir sobre mim mesma, sobre os significados das coisas, sobre acúmulo, sobre desapego, sobre o significado da expressão super falada "qualidade de vida", sobre as coisas em que acredito e aquelas em que deixo de acreditar.
Percebo a importância da segurança das rotinas domésticas para uma boa "qualidade de vida". Crescemos e vivemos em um mundo que valoriza mais o que está fora do doméstico, que reserva para as rotinas básicas como dormir, alimentar-se e banhar-se um lugar sem o mesmo valor que dá às "grandes" realizações, às 'grandes" conquistas, sejam elas concretas, como o acúmulo de dinheiro, objetos e bens, sejam elas abstratas como prêmios, no sentido de ser "melhor" em alguma coisa. Estas são importantes pois nos mantêm como pessoas ativas na sociedade, já que ela gira em torno destes valores.
No final da vida, porém, o que vale mesmo, o que dá qualidade de vida para as pessoas, é o cotidiano organizado, a comida na mesa, a casa limpa, o banho agradável.
Engraçado, vale aquilo que as mulheres, historicamente, são responsáveis por prover. E quando elas já não podem providenciar o almoço, o jantar, a roupa limpa, a casa organizada, perdem as referências e, finalmente, parecem perder o valor que tinham. Ficam mais chatas do que "já eram" e a vida se desorganiza totalmente.
Alguns recebem a idade melhor do que outros. É o caso do Arturo. Está bem, segue ativo mentalmente, cansado é certo, mas, bastante racional, se impõe sobre os filhos. Nele, ninguém manda. Meu pai foi outro: morreu em Recife, apesar de anos de insistência da família para que ele voltasse para o sul para ser cuidado. Ele não queria ser mandado, queria mandar.
Parece haver uma marcação de gênero, muito evidente, e que rende muita pesquisa das feministas.
Mas falemos do "mandar"...
A tendência a querer "mandar" n@s velh@s só pq el@s já não sabem se expressar direito, pq fazem tudo bem mais devagar, pq insistem em suas manias é grande. Esta tendência é resultado da preocupação, eu sei. Mas talvez se a gente reconhecer que ali tem uma pessoa como a gente, a relação fique mais fácil de ser negociada. Ali tem uma mulher vaidosa, um homem que foi provedor a vida toda, uma mulher que cuidou de uma casa sozinha, que trocou nossas fraldas, que limpou nossas bundas, que nos levou pro colégio e foi a todas as reuniões de pais, que nos levou e buscou em festas e que fez tudo isso pq amava e queria ser amada.
Não é fácil reconhecer que estes nem sempre heróis e heroínas já não podem mais o que podiam.
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