segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ando tão envolvida com as coisas...

Pois é. Período de mudanças radicais, de mexer em coisas, de pensar sobre as coisas.
As coisas são importantes. Elas têm um papel preponderante nas nossas vidas. São objeto, resultado e significação de nossa cultura. Contam histórias, circulam na família, nas redes de amigos.

Ao circularem, as coisas criam novas redes.

Como a cama que mandei fazer quando casei, há 33 anos, e que me acompanhou em diversas mudanças durante 27 anos. Depois de uma reforma no meu quarto, por ser grande demais, a cama foi mandada para a  casa de uma amiga, que dormiu nela por cinco anos. Quando minha amiga se mudou, mandou a cama para ser guardada na garagem de outra amiga nossa que, depois de um ano, perguntou se poderia emprestar a cama para uma amiga dela. E lá foi a cama, servir a outra casa, a outro casal.

O interessante, neste caso da cama, é que não quero vendê-la, nem perdê-la de vista. A cama vale muito mais do que qualquer quantia que alguém possa se dispor a pagar por ela. Porque é bonita, porque conta histórias, porque representa meu ingresso na vida adulta, sei lá porque não quero me desfazer da cama. Talvez porque nela eu tenha criado meus filhos: viamos TV em baixo de cobertores, juntos, nos invernos portoalegrenses. O Daniel, pequeno, deitava na cama para ouvir música clássica na rádio da universidade. Nela, outras aventuras foram vividas (imagine-se). Mas é só uma cama, diriam uns, aparentemente menos materialistas...Não, não é só uma cama.



Pensar sobre as coisas é tão importante que muitos autores escrevem sobre isso, como o Danny Miller e o Apadurai...Danny escreveu o livro "stuff" e o "The confort of things", falando justamente que as coisas não são só coisas. Influenciada por ele, enquanto acompanho o desmonte da casa dos pais do Alf, no Rio, penso nas coisas. Enquanto planejo minha própria mudança, penso nas coisas.

Danny, no encerramento do livro Stuff, escreveu:

"As an anthropologist my method could best be described as ethnographic involvmentes intended to lead to empathy; the desire to see things from other people's points of view. But I guess, at the end of my quest, I have not just empathetic to people, but even empathetic to the things them selves...the way things are constantly humilated as the mere symbolic representation of person and society. Because denigrating material things, and pushing them down, is one of the main ways we raise ourselves up onto apparent pedestals." (2010, p. 156)


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