Estou aqui, com endereço, telefones, internet, mas ainda sem emprego.
Vim parar aqui por conta de meu espírito aventureiro, de uma série de coincidências, conjuntura astral ou seja lá o que for. Mas fácil não está, não.
Foi difícil encontrar apartamento. Vimos vários, todos horríveis, velhos, mal cuidados. Todos caríssimos. Escolhemos um bem localizado, até bem conservado, com vista para o Cristo e uma nesga de vista para o mar. Nossa ficha não foi aceita. O tempo correndo contra nós. Encontramos um outro. No desespero, não vimos os detalhes, só o astral que é bom: arejado, iluminado, com sala ampla. Alugamos. Aluguel igual a soma dos aluguéis de nossos apartamentos em Floripa, fora condomínio e outras taxas. Na chegada, um susto. Mal conservado, cheio de defeitos, um banheiro marrom, o outro cor de rosa, pias entupidas, vazamentos. Pintamos tudo (menos os banheiros e a cozinha, que merecem uma pintura também), trocamos interruptores e tomadas, instalamos plafons e ventilador de teto, colocamos os armários da cozinha abaixo para substituir por uns novos que ainda não estão prontos. Trouxemos a mudança -a primeira etapa, as coisas que estavam na casa dos pais do Alfredo que foi desmontada. Muitas coisas, coisas demais. A maior parte ainda encaixotada, esperando os armários, esperando decisões.
Desespero, medo, pavor: estamos fazendo a coisa certa?
Em Floripa temos apartamentos em bom estado, com cozinhas lindas.Cada um tem o seu. Temos amigos, muitos. Temos o Ribeirão da Ilha, Santo Antônio de Lisboa, a Lagoa da Conceição. Ah, a Lagoa da Conceição. As ruas mais limpas, as casas mais novas. Em Botafogo, as ruas são sujas, as fachadas pretas de fuligem dos carros. Estranho.
Buzinas e sirenes, música da escola de dança em frente, cantoria dos índios no museu do índio que fica na rua, som de carros, o apito do portão da garagem que se abre. Sons que invadem o apartamento pelas janelas e paredes. Movimento de cidade grande. Estranho.
A menos de 1 km, a estação do metrô. Ônibus para todos os lugares passam ali na esquina. Vou ao supermercado, ao banco e ao comércio em geral a pé. Bons restaurantes, cinemas, tudo a poucos passos de casa. Bom, sim. Dependo menos de um carro. Agora moro no fervo. Estranho. Preciso me habituar. Era o que eu queria, eu dizia.
Sinto falta do Campeche, onde morei nos últimos meses. Tédio e marasmo. Silêncio e tranquilidade. Opções.
Não há lugar em que não recebamos um cumprimento. O Rio de Janeiro é, mesmo, uma cidade sociável. Ninguém passa sem dar bom dia, boa tarde, boa noite. Comentários, chistes, simpatias por todos os lados. Pressa e mau atendimento no supermercado, na farmácia e em lojas mais povão. Contradições. Estranho.
Diferenças sociais bem marcadas: por cinquenta por mês, o porteiro lava o carro duas vezes por semana. O fornecedor de esquadrias de alumínio, só pq o contratamos para fazer uma esquadria, me chama de madame. Nas cozinhas do Leblon, no lar onde agora vivem os pais do Alfredo, não há lugar para que as enfermeiras e empregadas sentem para almoçar. Desumano. Estranho.
Saudades do conhecido sul. Um estranho sudeste para desvendar. Excitante, assustador, estranho.
E tudo é Brasil.
Vim parar aqui por conta de meu espírito aventureiro, de uma série de coincidências, conjuntura astral ou seja lá o que for. Mas fácil não está, não.
Foi difícil encontrar apartamento. Vimos vários, todos horríveis, velhos, mal cuidados. Todos caríssimos. Escolhemos um bem localizado, até bem conservado, com vista para o Cristo e uma nesga de vista para o mar. Nossa ficha não foi aceita. O tempo correndo contra nós. Encontramos um outro. No desespero, não vimos os detalhes, só o astral que é bom: arejado, iluminado, com sala ampla. Alugamos. Aluguel igual a soma dos aluguéis de nossos apartamentos em Floripa, fora condomínio e outras taxas. Na chegada, um susto. Mal conservado, cheio de defeitos, um banheiro marrom, o outro cor de rosa, pias entupidas, vazamentos. Pintamos tudo (menos os banheiros e a cozinha, que merecem uma pintura também), trocamos interruptores e tomadas, instalamos plafons e ventilador de teto, colocamos os armários da cozinha abaixo para substituir por uns novos que ainda não estão prontos. Trouxemos a mudança -a primeira etapa, as coisas que estavam na casa dos pais do Alfredo que foi desmontada. Muitas coisas, coisas demais. A maior parte ainda encaixotada, esperando os armários, esperando decisões.
Desespero, medo, pavor: estamos fazendo a coisa certa?
Em Floripa temos apartamentos em bom estado, com cozinhas lindas.Cada um tem o seu. Temos amigos, muitos. Temos o Ribeirão da Ilha, Santo Antônio de Lisboa, a Lagoa da Conceição. Ah, a Lagoa da Conceição. As ruas mais limpas, as casas mais novas. Em Botafogo, as ruas são sujas, as fachadas pretas de fuligem dos carros. Estranho.
Buzinas e sirenes, música da escola de dança em frente, cantoria dos índios no museu do índio que fica na rua, som de carros, o apito do portão da garagem que se abre. Sons que invadem o apartamento pelas janelas e paredes. Movimento de cidade grande. Estranho.
A menos de 1 km, a estação do metrô. Ônibus para todos os lugares passam ali na esquina. Vou ao supermercado, ao banco e ao comércio em geral a pé. Bons restaurantes, cinemas, tudo a poucos passos de casa. Bom, sim. Dependo menos de um carro. Agora moro no fervo. Estranho. Preciso me habituar. Era o que eu queria, eu dizia.
Sinto falta do Campeche, onde morei nos últimos meses. Tédio e marasmo. Silêncio e tranquilidade. Opções.
Não há lugar em que não recebamos um cumprimento. O Rio de Janeiro é, mesmo, uma cidade sociável. Ninguém passa sem dar bom dia, boa tarde, boa noite. Comentários, chistes, simpatias por todos os lados. Pressa e mau atendimento no supermercado, na farmácia e em lojas mais povão. Contradições. Estranho.
Diferenças sociais bem marcadas: por cinquenta por mês, o porteiro lava o carro duas vezes por semana. O fornecedor de esquadrias de alumínio, só pq o contratamos para fazer uma esquadria, me chama de madame. Nas cozinhas do Leblon, no lar onde agora vivem os pais do Alfredo, não há lugar para que as enfermeiras e empregadas sentem para almoçar. Desumano. Estranho.
Saudades do conhecido sul. Um estranho sudeste para desvendar. Excitante, assustador, estranho.
E tudo é Brasil.
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