Tenho refletido, sem método, sobre o envelhecer e, principalmente, sobre o que se fala e os significados do que se fala e se define sobre o tema. Hoje, na análise, Oscar me perguntou: por que não escreves sobre isso? Respondi que já tenho escrito aqui meus soltos pensamentos e que já penso em colocar um método nos meus escritos. Para isso preciso ler, preciso aprender o que se tem falado sobre o envelhecer, sobre a velhice, sobre a pessoa idosa. Já encontrei algumas coisas, a Simone de Bauvoir, a Guita Debert, alguns blogs e artigos na internet. Preciso organizar os lidos e os aprendidos (muito poucos ainda). E preciso organizar minhas questões.
Dos lidos e aprendidos, por enquanto vale destacar o fato de que, para variar, são a medicina e o mercado que influenciam diretamente nosso modo de envelhecer, tornando a velhice uma responsabilidade quase exclusiva do sujeito que envelhece, como se não fosse um processo natural. Assim, se aparece uma nova ruga na face, a culpa é do sujeito que não cuidou da pele, se aparecem doenças e dores específicas do envelhecer, a culpa é do sujeito e da vida que levou antes de chegar à velhice.
Já as políticas públicas com relação ao envelhecer, das quais ainda sei muito pouco, embora sejam um ganho para a sociedade, são ainda baseadas no conhecimento médico/biológico e em definições arbitrárias de tempo/idade. Eu quero ir além, mas ainda não sei como, nem se dá.
Vou dar um exemplo: a expressão melhor idade caiu, pois se sabe que de melhor não tem nada. Assim como a expressão terceira idade. Acabe-se com os eufemismos! O que é muito correto. Substitui-se por "pessoa idosa", que é inclusivo! Legal, bacana, fantástico! Mas aí me coloco a pensar: quem é a pessoa idosa? É tudo e é nada. São homens, mulheres, população LGBTQIAPN+, pobres, ricos, remediados, brancos, negros, amarelos e marrons...
Ao colocarmos tudo no mesmo balaio - pessoas idosas - fica tudo misturado ou homogeneizado - gênero, classe, raça e esquece-se das especificidades das diferentes velhices. Nos movimentos de gênero - Feminismos, LGBTQIAPN+, há uma afirmação de identidades, mas onde está a interseccionalidade desses movimentos com relação à velhice e, se há, como essa interseccionalidade ganha visibilidade?
Se alguma das poucas leitoras desse blog souber, me ajude. Estou só começando a procurar.
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