domingo, 27 de março de 2011

Dia de conhecer lugares da bibliografia

A gente lê sobre os lugares e depois fica morrendo de curiosidade.

Ontem, o que fiz foi matar esse tipo de curiosidade. Há um ano, li o livro "Faire ses courses", uma etnografia das compras em Paris que começa com a descrição de alguns compradores ou consumidores passeando pelo Le Bon Marchè e por La Grande Epicerie, fala sobre os motivos que os levam até esses lugares, o que fazem enquanto estão por lá, etc. Era uma descrição tão interessante e inspiradora para meu trabalho de pesquisa que não poderia perder a oportunidade de conhecer.

Le Bon Marchè é uma loja de departamento, com roupas, bolsas, sapatos, perfumes, tudo das mais afamadas marcas.É organizada por setores e também por marcas e qualquer um pode passar muitas horas lá dentro, olhando, tocando,cheirando. Ao contrário do que o nome quer dizer, não tem bons preços (do meu ponto de vista, claro). É tudo bem caro. Até o que está em promoção tem preços "inacessíveis"...Mesmo assim, Be e eu circulamos pela loja, olhamos bolsas e roupas, no melhor estilo "to só dando uma olhadinha". Divertimo-nos experimentando chapéus. Cada modelo mais louco que o outro, mas até eu que não fico bem de chapéu encontrei algumas coisas que me caíram bem.
Manobristas do La Grande Epicerie (chique!)

La Grande Epicerie - este é um supermercado de produtos alimentícios finos. Muitos tipos de chás diferentes, biscoitos variados, carnes, frutas, tudo o que tem num supermercado, mas com um quê de exótico  - grandes variedades de temperos, marcas e origens dos produtos. Havia promotores de vendas no local. Experimentamos um biscoito japonês que tinha uma massa verde por fora com chocolate branco por dentro, mas não era gostoso. Depois, experimentamos um chá ou um "Chai". O promotor do chá, um senhor, era muito simpático, falava inglês e francês e, provavelmente, a sua lingua natal, que não perguntamos qual era. O chá, uma delícia. Acabamos comprando uma latinha para cada uma e mais os biscoitos que ele oferecia junto com o chá. Por termos comprado, ganhamos, de brinde, cada uma, 40 filtros de chá descartáveis: uma forma de fazer o chá direto na xícara (ou chávena). Fizemos mais umas comprinhas por ali enquanto eu escrutinava o comportamento das pessoas na loja e os seus detalhes, como a organização das gôndolas, a iluminação, o som (não tinha música também, mas as geladeiras eram muito barulhentas).

Não sei pq, mas eu tenho mania de sacolas retornáveis. Talvez por tê-las discutido em artigos acadêmicos. Resolvi comprar uma da La Grande Epicerie, pra fazer charme quando for ao supermercado no Brasil (já tenho algumas do Monoprix, que tinha encomendado à Betina no ano passado).

Bom, saindo dali almoçamos e depois fomos a uma farmácia que vende cremes de todas as marcas possíveis por precinhos acessíveis. Estava abarrotada de gente, as pessoas quase se pisoteando, carregavam  enormes sacolas de borracha fornecidas pela loja, cheias até a borda com cremes, maquiagens, e outras coisas do tipo. Ficamos imaginando se as pessoas iam até ali para comprar e revender. As ofertas eram tão boas que perdi a linha! Toda a economia (?) que vinha fazendo foi para o saco...o saco de cremes que comprei...Anti-rugas, protetor solar, corretivo...no caixa levei um susto, mas não tirei nada do pacote!Tá, agora vamos à justificativa: comprei o protetor solar, o creme e o sabonete que o dermatologista me receitou no Brasil e que, lá, é muito mais caro. Assim fico com estoque. Mas comprei também uns que não tinham sido receitados, vamos ver se funcionam! :)
Felicidade é ter filha e sobrinha por perto!

Cansadas, caminhamos até o Jardin de Luxembourg. Estava lotado! Muito bonito, apesar do céu já nublado. Escolhemos duas cadeirinhas e sentamos para esperar a Isabela, minha sobrinha. O encontro foi muito gostoso. Ela continua lindona e alegre como sempre foi, talvez até mais, mais mulher, mais madura. Essas duas, Betina e Isabela, são pra lá de especiais! Viemos todas para a casa da Be para tomarmos chá e comermos biscoitos comprados na La Grande Epicerie, mais cookies que eu trouxe de Londres. Julien estava aqui e nos serviu frutas cortadinhas - quiwi e manga.

E à noite, para completar, conheci mais um lugar da literatura: um legítimo Chambre de Bonne. Eu li o texto da Carmen Rial sobre esse tipo de acomodação em Paris e sempre tive muita curiosidade de conhecer. São os quartos de empregada, que ficam no último andar dos prédios, são mínimos, em geral sem elevador e sem baheiro privativo e que as pessoas alugam por preços mais altos do que alugariam um lugar maior fora de Paris porque preferem ficar no centro. Fomos jantar num desses ontem. Entramos num prédio com uma entrada chique e caminhamos até a entrada de serviço, subimos por uma escada bem menos bem tratada do que a recepção do prédio até o sétimo andar e caminhamos em um corredor cheio de portinhas até encontrar a portinha da amiga das meninas. Dentro, diferente do ar antigo de escadas e corredores, tem um quartinho todo bem conservado, moderno com uma cozinhazinha e um box para ducha (no qual eu não caberia). O vaso sanitário fica no corredor. É para uso de todos os moradores do sétimo andar. Éramos 6 no quartinho ontem, conversando, comendo queijos e tomando vinho.

O Chambre de bonne

Da Janelinha se vê...

Um comentário: