domingo, 16 de setembro de 2012

Semana bem movimentada

A última semana foi ótima, sem tédio algum. A única chatice é estar com o ouvido entupido e, por isso, ter dificuldade de ouvir e falar. Mas segunda vou ao médico e espero que tudo fique resolvido. Mas, vamos à semana...

Teve o ENEC - Encontro Nacional dos Estudos do Consumo. Evento que a cada edição fica maior e mais interessante. Oportunidade excelente e quase única no Brasil para se discutir, conhecer e trocar informações com outros pesquisadores da área. Muitos contatos, satisfação em ver que a minha pesquisa do doutorado gera curiosidade, satisfação em ver coisas boas sendo produzidas. Tá, claro que tem trabalhos não tão bons, frustrantes, na verdade. Mas é bom que as pessoas comecem por algum lugar. Quer dizer, os trabalhos fracos tem potencial para se tornarem bons trabalhos graças a esses espaços de discussão sobre o tema.

Por conta do ENEC, Valéria, uma amiga da UEM (Universidade Estadual de Maringá) ficou hospedada aqui em casa. Delícia de companhia, delícia ter companhia em casa. Dá ânimo para sair e para voltar!

No sábado, fui com outras amigas, a Sandra e a Michele, fazer o Tour do Museu da Favela: "Roteiro Casa Tela". Não completamos o cirucuito, mas já foi bem interessante. Eu recomendo a quem se interessar. Márcia, nossa guia e voluntária no Museu, foi fantástica e não poupou esforços para responder a todas as nossas perguntas, contando histórias e detalhes da sua vida na comunidade, desde a infância. Márcia diz que mora no "melhor lugar do mundo! Morar no morro é chique! E morar em Copacabana e Ipanema também"

Bom, exageros à parte, a vista é linda e, pacificada, a favela é um lugar interessante para se passear. Caminhar pelo Cantagalo me fez lembrar das caminhadas pelas ruelas de Santorini, na Grécia. O que, talvez, não seja uma possibilidade de comparação tão absurda assim, já que uma forte especulação imobiliária tem acontecido por ali (aliás, tema que já ouvi sobre outras comunidades cariocas). Estudantes alugam casas ali por serem mais acessíveis, estrangeiros compram imóveis, constroem albergues, etc. A questão é: para onde vai a população que hoje reside no morro? Como vão legalizar todas aquelas construções? que consequências essa legalização ou formalização têm? e por aí vai.

O lixo é um entre tantos problemas. Estavamos esperando o começo do passeio quando de algum lugar duas sacolas cheias de lixo foram arremessada para um terreno mais abaixo. Levamos um susto com o barulho e, ao olhar para o local, vimos que ali é um "lixão".

Do terraço do Museu, Marcia apontou para o espaço que pertence ao Projeto Criança Esperança dizendo: "aquilo ali é do Criança Esperança. Fica fechado o tempo todo." Não me surpreendeu a informação!

Conforme caminhávamos entre as casas, as pessoas nos cumprimentavam, sorriam, pediam desculpas por algum transtorno. Não foi difícil, com uma guia, é claro, circular por ali.

Para mais informações sobre o tour e sobre a organização Museu da Favela, consulte o site http://www.museudefavela.org/

Algumas fotos do comércio na favela (não poderia deixar de chamar a minha atenção e me dar vontade de conhecer melhor como funcionam as compras de provisão por ali.)
Padaria que, de acordo com Márcia, cresceu muito nos últimos anos

Um optometrista, morador da favela, abriu uma ótica e atende a população local.

O bar do Seu Manoel era onde Marcia, criança, entrava na fila do pão diariamente.



 

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