sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Férias em Argentina e Uruguai...

Finalmente, viajando. Estava com tanta vontade de sair de casa, variar os ares, ver coisas diferentes. A vinda à Argentina estava programada desde meados do ano passado. Aniversário de 90 anos da tia do Alfredo. Aproveitamos a oportunidade para programar um pequeno tour pelo Uruguai. 5 dias em Buenos Aires (estamos no terceiro), um dia em Colônia do Sacramento, 3 dias em Montevideo e o resto do tempo no litoral uruguaio - 15 dias de viagem ao todo.

Antes de virmos, como todo o tempo de final de ano, tivemos programação intensa, com visitas, festas, confraternizações e etc. Foi um período legal, com meu filho e o filho do Alfredo em casa. Com o Gustavo, meu sobrinho, e o Marcus no Rio de Janeiro, senti-me acarinhada pela família.

Ainda neste período, pós-natal, recebi a notícia de que meu cunhado estava hospitalizado. Fez uma cirurgia bem complicada na véspera da minha viagem, e no dia da viagem, outra cirurgia. Assim que parti para cá já preocupada e envolvida em pensamentos positivos e torcidas pela melhora dele. Mesmo assim, procurando aproveitar a estada em Bs As da melhor maneira possível.

Está quente pra caramba aqui e caminhar pela cidade é mais um suplício do que um prazer. Por isso decidimos pegar o ônibus de turismo e passar pelos pontos principais. Descemos apenas no Estádio do Boca Juniors - Alfredo desejava intensamente conhece-lo e, depois, caminhamos até El Caminito, onde comemos um choripan e tomamos uma Quilmes. Foi um dia bem agradável.

Tinamos marcado um happy hour com o Caco, querido amigo de Floripa. Ele viria até nosso apartamento e daqui partiriamos para algum lugar. Ele não apareceu (ou apareceu, mas não tocou a campainha acreditando que nós tinhamos combinado o encontro lá em baixo). Esperamos hora e meia e decidimos sair para comer alguma coisa. Estávamos cansados e frustrados pela ausência do Caco. Acabamos entrando num restaurante com cara de típicamente portenho, que estava cheio de  gente - o que seria um indicativo de que era bom. Fizemos o pedido, e esperamos horas pela chegada do ojo de bife. O mau humor foi crescendo, o sono, o cansaço. Alfredo chamou a garçonete e deu um ultimato. A comida veio. Mas o bife estava queimado por fora e cru por dentro. Puto, com razão, Alf devolveu e disse que pagaria o vinho e a água que tomamos. De repente, uma gritaria na cozinha. O dono do restaurante estava dando um esporro no cozinheiro e todos os fregueses ouvindo. Pelo jeito, não foi só no nosso pedido que ele errou, demorou e fez caca. O dono, quando quisemos pagar, não cobrou. Disse que o erro era dele e que era o que podia fazer para se desculpar.

Voltamos para casa, com fome e cansados. Alf passou numa delicatessem, comprou uma torta salgada e trouxe para casa. Chegando aqui, recebo o whatsapp da Paula informando a morte de meu cunhado. Perdi a fome, perdi o rebolado, perdi o chão. Vou ou não vou? Procura voos, o mais barato custava em torno de 1000 reais, e chegava em Porto Alegre Às 23h. Seria depois do enterro. Sofrimento por mim, sofrimento pelos meus sobrinhos e pela minha irmã que perdeu o companheiro de uma vida inteira.

Para completar, esperávamos o filho do Alfredo que tb veio para o aniversário da tia. Ele demorava demais para vir da rodoviária até o apartamento. Se eu estava agoniada pela morte do cunhado, Alfredo estava agoniado pela chegada do filho. Quando, finalmente, Felipe chegou, conta que o taxi em que estava atropelou um homem e ia fugir. Felipe e outros carros fizeram o cara parar para socorrer a vítima que, doidão, pegou uma garrafa e arremessou sobre o taxi. Foi tudo o que Felipe contou. Disse que ele viu o cara atravessando e o motorista não. E que estava meio traumatizado, não queria falar do assunto.

Hoje acordei cedo,chovia pra caramba. Fui providenciar o envio de uma coroa de flores para o meu cunhado, o mínimo que poderia fazer, embora quisesse estar lá para a despedida. Agora o sol abriu, já estou há horas em casa, sem vontade de sair. Combinamos de visitar o Malba. Acho que é o que faremos.

Espero que a energia mude e que eu possa curtir a viagem.

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