quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Blues - seria o fundo musical

Amanheci meio angustiada, não sei bem se esse é o termo correto. Não sei como descrever o sentimento, apenas sei que ele me fez recordar tempos remotos, algo que eu sentia com frequência na infância. Um nó na garganta, um vazio no estômago (não era fome), sei lá. Talvez seja o fato de que vim para Londres para estudar e, como o meu vínculo com a UCL ainda não foi formalizado, fico meio que em compasso de espera, por vezes, agoniante.

linda curva na Regents street
Para afastar o sentimento, reli alguns capítulos do livro Trabalho de Campo e Subjetividade. Uma delícia de leitura que fala justamente das agonias do pesquisador, no caso das antropólogas, em campo. Me identifiquei tanto, mesmo não sendo antropóloga, com as agruras, digo, dificuldades e sentimentos ali descritos que a dorzinha passou e se transformou na expectativa do "anthropological blues."

Percebi que minha rotina, por enquanto, está boa: pela manhã leituras e/ou trabalho, à tarde passeios para conhecer ou revisitar lugares turísticos da cidade.

A verdade é que não há processo de escrita de uma tese sem dor, assim como não se passa pela experiência de ficar fora de casa por um período mais longo do que simples férias sem que isso gere algum tipo de mal-estar.

Tomei outra decisão: amanhã mesmo começo a mexer no capítulo metodológico da tese. De manhã, claro. Porque à tarde, vou passear de novo.

não podia faltar essa foto!
|Antes de partir para minha caminhada da tarde, passei na estação de metrô mais próxima para recarregar meu Oyster Card (to top up the oyster). Dali segui a pé até a região de Picadilly Circus, com direito a uma passada pela frente do British Museum, pela Regents Street, depois pela frente da National Gallery, pelo Museu da Cavalaria (não sei o nome exatamente), pelo Saint James Park e de volta para Picadilly para começar o caminho de volta pra casa. Uma boa caminhada de três horas sem parar, fotografando de tudo um pouco, olhando vitrines, observando o caminho. Estou em Londres, afinal. Só faltava estar ouvindo blues.
  

A beleza dessa luz e o pássaro no céu afastam todo e qualquer mal-estar.


  

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