Domingo de Páscoa. Acordei cedo. Desci até a frente de prédio enquanto Alf dormia.
Encontrei Delila, uma marroquina de 52 anos, escrutinando as sacolas de lixo produzido pelos meus vizinhos, todos moradores temporários do prédio número 64 da Fellows Road.
Perguntei o que ela fazia. Procurava mercadorias para vender em carboot sales. Delila explicou que, em função de sua idade, não consegue emprego e que os objetos que encontra no lixo podem ser vendidos por 1 a 5 pounds. Disse que Londres é uma cidade muito cara e me convidou a visitar o Marrocos. Contou que no Marrocos tudo é barato, por isso eu deveria ir visitar.
Enquanto conversava comigo, Delila enchia sua sacola de rodinhas com verdadeiros tesouros encontrados no lixo: um par de tênis, um par de chinelos de couro, bermudas, toalhas, um casaco tipo parca, uma bolsa, um vidro de xampu que ela mesma usaria, uma caixa de lenços de papel...fora o que já estava lá quando cheguei. Pelo que pude observar, de longe, produtos novos mesmo. Nenhum furo nos tenis, nenum puído no casaco. Apenas não serviam mais para o ex-proprietário e, por isso, foram para o lixo.
Perguntei se ela lavava os produtos antes de vender. Lava quando é para uso próprio, afinal é rubbish. Vende assim para que o comprador lave.
Estranhos lixos de coisas novas que poderiam ser doadas. De certa forma são doadas...Estranhos negócios de catadores de lixo.
Ah, havia no lixo latas de alumínio, ela não pegou...esse negócio de catador de latinhas não existe aqui.
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