Eu estava com saudades de passear de barco. Ir de praia em praia. Mergulhar em cada parada. Programa que fiz muitas vezes com meu pai.
No primeiro mergulho nas águas verdes e azuis do Mediterrâneo, veio a lembrança dos passeios que fazíamos com ele, tanto os do Guaíba quanto os de Florianópolis e os de Recife. Ao tomar a primeira cerveja do dia (foram só duas) chorei de saudades do velho Capitão Rubão e suas divertidas aventuras regadas à "grades" de cerveja com família e amigos pelas águas do nordeste em seu barco Carpinteiro.
O passeio de hoje é chamado aqui de 12 ilhas. Na verdade, são 6 paradas para mergulhar, com duração de 6 horas e direito a almoço a bordo - comemos um peixe grelhado delicioso. Em uma das pernas do passeio, eles até levantaram a vela. Que saudades que eu tinha, sem mesmo saber, de velejar.Ou seja, foi um dia perfeito de sol, mar e tranquilidade, já que o barco não estava cheio e pudemos nos atirar nos colchões espalhados pelo convés.
O litoral de Fethyie é todo recortado, com várias ilhas, baías e enseadas, lindo de ver e curtir. Claro que estou bronzeada e, quando chegar ao Brasil, ninguém vai acreditar que estive em Londres para estudar!
Na volta, mortas de fome, fomos jantar no primeiro restaurante que encontramos entre o hotel e o centro da cidade. Um restaurante não preparado para receber turistas, pois o cardápio estava todo em turco e o dono pediu ajuda a uma cliente que falava inglês para nos atender. Medina, a cliente solícita, nos introduziu a uma bebida (sem álcool) feita de iogurte, típica da Turquia. Eu gostei, Betina não gostou muito.
No final do jantar, Betina pediu "can you bring our check?" e, em vez da conta, recebemos chá. Como Medina já tinha ido embora, achei que o dono do restaurante tinha entendido errado nosso pedido, confundindo "check" com chá. Mas não, ele estava tão contente com nossa presença que nos ofereceu o chá e, em seguida, veio conversar. Não nos entendemos muito bem, mas gastamos um bom tempo tentando (nós em inglês, português e francês e ele em turco) e alguma comunicação aconteceu. Tanto que ele até nos serviu outro chá e nos convidou para ir lá amanhã prometendo que prepararia uma comida bem típica da Turquia. Ele, que se chama Nagib, e outro senhor nos ensinaram a dizer mãe e filha em turco, assim como "muito obrigada":
"teşekkür ederim", que se pronuncia "techecur edrim" = Thank you.
"Anne ve Kizi", que se pronuncia "Anévkuzim" é mãe e filha.
"Ben" é eu.
Posso agora me apresentar em Turco "Ben Beth".
Enquanto escrevo aqui, escuto a reza no auto falante da Mesquita. Curiosidades e mais curiosidades sobre essa cultura às vezes tão diferente e às vezes tão igual.
Os turcos parecem ter um enorme prazer em nos apresentar sua cultura. Da língua à comida, tudo é motivo para explicações, como fez o dono de uma banquinha no mercado nos ensinando a preparar café turco e contando que se uma mulher ao conhecer a sogra não preparar o café corretamente será considerada inadequada para o casamento e outras histórias de profetas que os produtos que olhávamos introduziam.
Beth, uma delicia acompanhar as descobertas de vocês na Turqua, e ir conhecendo, um pouquinho que seja, a partir das tuas impressões.Bj.
ResponderExcluirAndo com saudades de meu pai e fiquei emocionada.
ResponderExcluirSabe que mesmo bronzeada e blogueira, a princípio nada a ver com 'sanduiche' em Londres, tem te feito escrever cada vez melhor e isso vai certamente aparecer na tese. Claro, além de tudo que estudou nesses 4 meses pra fazer um bom recheio.