segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Primeiro dia na Science Library, Jewish Museum e Camden Town - Experiências Sensoriais.

Gente, a science library da UCL é lotada e barulhenta. No saguão principal, pelo menos. Tem muito estudante e forma-se uma enorme fila para usar os computadores. A sala da antropologia, onde está a maior parte do material que procuro, é silenciosa, mas não menos lotada.

Fui logo pedir ajuda. Não sabia como começar a procurar os livros, nem como se processa o empréstimo de material. O sistema é bem diferente das nossas bibliotecas, a princípio. Para emprestar e devolver livros, tudo é automatizado. A conversa fica entre o computador e quem está emprestando ou devolvendo. A máquina lê qual livro vc tá tirando e imprime o comprovante. Para devolver, vc coloca o livro num escaninho e a máquina lê qual livro está sendo devolvido e te dá outro comprovante. Supermaneiro, sem filas, apesar da quantidade de gente circulando :)

Mas, como em qualquer biblioteca, o sistema diz que o livro está disponível e vc vai até a prateleira certa para buscar e, surpresa!, ele não está lá. Aconteceu com dois dos que procurei, que eram os mais importantes para hoje. Saco!

Estou lendo o que posso sobre a antropologia dos sentidos, já que quero escrever um capítulo sobre os  sentidos no supermercado. Até agora, o que percebi da turma dos sentidos é que, por ser a visão o sentido mais badalado da modernidade, eles deixam meio de lado e vão estudar o tato, o olfato, a audição e, um pouco menos, o paladar. Aí, pra eu falar da visão, vou ter que procurar outras referências. De qualquer forma, é bem interessante o ponto de vista deles sobre os sentidos serem, também, culturais, com sociedades que privilegiam diferentes sentidos e como o estudo das relações entre eles permite a compreensão das relações nas sociedades em questão. É possível pensar com o nariz? Para algumas das sociedades citadas como exemplo, sim. E pra nós? Pelo que percebo até de mim mesma, também! Nossos sentidos são culturalmente educados e esses códigos culturais dos sentidos variam de sociedade para sociedade e com o tempo.

Mas o nariz pode fazer parar de pensar tb! Estava lá eu sentadinha na sala da antropologia, folheando livrinhos que podem ser interessantes quando alguém na sala deixou escapar um poderoso flato. Me perdi nos raciocínios! Sacanagem!

Ah, nem contei de ontem. Falando em sentidos, fui visitar o Jewish Museum. Pequeno e aconchegante, todo interativo - vc toca nas telas de computador e vê e ouve a história sendo contada ou a tradição explicada, vc também pode tocar em vários dos objetos expostos. Só faltou poder experimentar as comidas que aparecem nos vídeos. Humm, deu uma vontade!

As quatro salas do museu mostram (1) as tradições judaicas do nascimento até a morte, incluindo explicações sobre as datas festivas; (2) a história do judaísmo na Inglaterra;  (3) uma exposição fotográfica sobre os judeus marroquinos - essa sala, pelo que entendi, varia as exibições, e (4) uma sala para falar do holocausto. Esta, aliás, bem interessante na forma de expor o terror. Conta a história de apenas um judeu britânico que voltou dos campos de concentração, desde o seu casamento, o nascimento do filho, a ida para o campo, objetos de uso pessoal dele e da família (que ele perdeu durante a guerra) de antes, durante e depois do período. Num telão, este homem conta as agruras por que passou. Uma citação dele, estampada na parede, me fez lembrar do livro O que resta de Auschwitz, do Agamben, em que ele discute o sobrevivente que não é testemunha. Longo assunto para um blog. Bom, a forma de contar a história é triste, mas não é chocante.

Um dos computadores dá a possibilidade de fazer perguntas (pré-determinadas) a cinco rabinos de diferentes tradições. Nos divertimos - Thaís e eu - fazendo as perguntas referentes à participação das mulheres na vida religiosa e à sexualidade. Cada um dos cinco tem uma maneira de encarar. Do mais radical ao mais liberal.

Quem sabe é verdade?
Porque fui no Jewish Museum? Por causa do Alf - sempre é bom saber mais um pouco sobre as origens e pq a Rickie, esposa do Danny, é a diretora do museu. Não a encontrei lá, mas posso já dizer que visitei.

Do Museu, seguimos para a feira de Camden Town. Andamos, experimentamos casacos, olhamos coisinhas, tomamos um chai red, comemos um bolo de chocolate delicioso, olhamos mais, experimentamos mais e, já noite, voltamos cada uma pra sua casa. Estava muito frio. Esqueci as luvas e minhas mãos congelaram.


Tudo muito colorido na feira...as comidas, as lojinhas...uma experiência sensorial e tanto.

3 comentários:

  1. Adorei o post, mãezinha!!

    Quero muito ir ao jewish museum.

    beijos

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  2. Que legal teu blog professora... Eu vi um site no teu nome no GTALK e lembrei que já tinha visto tu usar esta palavra "tatilidades" e vim ver o que era! Vou sempre que puder acompanhar e dar uma lida, saber de outros lugares e das experiências!
    Um beijão do teu aluno e fã Marcos Goulart (Publicidade Unisul).

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  3. te mete, heim, professora!!

    andas calada... muito trabalho?
    beijo

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