Hoje faz nove dias que voltei. Já estou mais centrada. Mesmo assim, em alguns momentos, bate um pouco de melancolia. Vontade de estar em Londres ainda. Respirando aquele ar de cidade grande. Com as facilidades que as cidades grandes, em países mais desenvolvidos, oferecem.
O clima, nesses nove dias, só deu trégua duas vezes, com um lindo céu azul e sol para aquecer e secar a roupa. O resto do tempo (hoje também) choveu.
Nos dois últimos dias fui ver os curtas do FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul. Festival que acontece há quinze anos na cidade. Era mais divertido quando acontecia no CIC. A gente ia para assistir os filmes e ficava horas no bar, tomando cerveja, jogando conversa fora, encontrando pessoas. Por conta de uma reforma inacabada e, parece, inacabável, o festival se mudou para a UFSC. Não dá para beber, não tem onde sentar e as pessoas ficam no saguão como quem fica na recepção de um congresso. Apenas vêem e são vistas.
Dos 11 curtas que assisti em dois dias lembro pouco. Nenhum me chamou a atenção. Para nenhum eu daria nota máxima. Destacaram-se alguns, mas nenhum eu diria que é imperdível. Um argentino e um chileno foram os melhores que vi.
Das produções catarinenses, um vídeo realizado em Joinville, com pouquíssima verba e um enredo "surpreendente" (entre aspas, pq não é tão surpreendente assim), foi o que mais gostei. Daqueles catarinenses que tinham muita verba (o que se observava pela produção e qualidade das imagens, além do agradecimento ao governo do estado nos créditos) nenhum era bom, são filmes chatos, com narração em primeira pessoa e em off e imagens que só servem para ilustrar o texto, quase fotos. Bem sem graça e completamente sem emoção, apesar dos textos "pseudo-poéticos". Falo dos dois que assisti. Pena. Seria bom ver o povo investindo o dinheiro público em material de qualidade que não fosse apenas técnica.
Outra coisa que chama a atenção no FAM é a mistureba na organização dos filmes a serem exibidos na mostra de curtas. Colocam num mesmo bloco trabalhos de conclusão de curso de jornalismo e filmes com muita verba. Aí fica difícil né, hein?
Destaco um tcc de jornalismo, em que a menina, aspirante a repórter, faz um "documentário" sobre o Ferreira Gullar. Gente, vergonha alheia é o mínimo que eu senti da menina completamente despreparada para entrevistar o cara. Se percebia o tratamento típico da juventude frente às pessoas mais velhas. Sabe aquela voz que se faz com crianças (e com velhos) que parece mais um desdém ao conhecimento do velho? Ele falava as coisas e ela repetia com um tom desqualificador, sei lá como descrever. Lá pelas tantas, ela pergunta a um poeta reconhecido e homem ainda vivo: "O senhor foi um homem de muitas mulheres?" Como assim? Ele ainda é um homem! Acho que eu estou ficando velha e o tratamento dado aos velhos que desrespeita toda a experiência que eles têm me incomoda. Mas são características da juventude, que não tem noção do que vem pela frente. Talvez Ferreira Gullar tenha percebido isso e se divertido com a ingenuidade da repórter.
No mais, a vida volta ao normal. Estou em busca da Rotina dos meus dias. Tenho um alvo, mas está difícil traçar as pequenas rotas cotidianas que me levarão a ele. Enquanto isso, a vida doméstica se reorganiza. Alimentar o Frederico, fazer sopinha para o jantar, lavar roupas e estender a cama todos os dias, entre outras atividades que, não apenas para manter a vida funcionando, servem para ocupar as horas, entre uma passadinha no computador e algumas páginas de leituras.
O clima, nesses nove dias, só deu trégua duas vezes, com um lindo céu azul e sol para aquecer e secar a roupa. O resto do tempo (hoje também) choveu.
Nos dois últimos dias fui ver os curtas do FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul. Festival que acontece há quinze anos na cidade. Era mais divertido quando acontecia no CIC. A gente ia para assistir os filmes e ficava horas no bar, tomando cerveja, jogando conversa fora, encontrando pessoas. Por conta de uma reforma inacabada e, parece, inacabável, o festival se mudou para a UFSC. Não dá para beber, não tem onde sentar e as pessoas ficam no saguão como quem fica na recepção de um congresso. Apenas vêem e são vistas.
Dos 11 curtas que assisti em dois dias lembro pouco. Nenhum me chamou a atenção. Para nenhum eu daria nota máxima. Destacaram-se alguns, mas nenhum eu diria que é imperdível. Um argentino e um chileno foram os melhores que vi.
Das produções catarinenses, um vídeo realizado em Joinville, com pouquíssima verba e um enredo "surpreendente" (entre aspas, pq não é tão surpreendente assim), foi o que mais gostei. Daqueles catarinenses que tinham muita verba (o que se observava pela produção e qualidade das imagens, além do agradecimento ao governo do estado nos créditos) nenhum era bom, são filmes chatos, com narração em primeira pessoa e em off e imagens que só servem para ilustrar o texto, quase fotos. Bem sem graça e completamente sem emoção, apesar dos textos "pseudo-poéticos". Falo dos dois que assisti. Pena. Seria bom ver o povo investindo o dinheiro público em material de qualidade que não fosse apenas técnica.
Outra coisa que chama a atenção no FAM é a mistureba na organização dos filmes a serem exibidos na mostra de curtas. Colocam num mesmo bloco trabalhos de conclusão de curso de jornalismo e filmes com muita verba. Aí fica difícil né, hein?
Destaco um tcc de jornalismo, em que a menina, aspirante a repórter, faz um "documentário" sobre o Ferreira Gullar. Gente, vergonha alheia é o mínimo que eu senti da menina completamente despreparada para entrevistar o cara. Se percebia o tratamento típico da juventude frente às pessoas mais velhas. Sabe aquela voz que se faz com crianças (e com velhos) que parece mais um desdém ao conhecimento do velho? Ele falava as coisas e ela repetia com um tom desqualificador, sei lá como descrever. Lá pelas tantas, ela pergunta a um poeta reconhecido e homem ainda vivo: "O senhor foi um homem de muitas mulheres?" Como assim? Ele ainda é um homem! Acho que eu estou ficando velha e o tratamento dado aos velhos que desrespeita toda a experiência que eles têm me incomoda. Mas são características da juventude, que não tem noção do que vem pela frente. Talvez Ferreira Gullar tenha percebido isso e se divertido com a ingenuidade da repórter.
No mais, a vida volta ao normal. Estou em busca da Rotina dos meus dias. Tenho um alvo, mas está difícil traçar as pequenas rotas cotidianas que me levarão a ele. Enquanto isso, a vida doméstica se reorganiza. Alimentar o Frederico, fazer sopinha para o jantar, lavar roupas e estender a cama todos os dias, entre outras atividades que, não apenas para manter a vida funcionando, servem para ocupar as horas, entre uma passadinha no computador e algumas páginas de leituras.
eu por aqui sinto-me meio dividida, olho suas observações em seu retorno com olhos de quem quer entender alguma coisa.
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