sábado, 2 de julho de 2011

Pensar os sentidos...pra ver se entro na tese

Estamos tão acostumados a pensar textos (escritos e falados) e imagens que não prestamos atenção aos nossos outros sentidos e sua participação em nosso cotidiano. Através dos sentidos nos comunicamos, recebemos mensagens dos outros e dos objetos, construímos ideias, preconceitos, relações. Há um mundo social e cultural a ser descoberto neles.

Pensando nisso, baseada em minhas idas ao supermercado com as "minhas mulheres" ou sozinha, escrevi o começo de um dos capítulos da tese. Texto que será apresentado na RAM (Reunião de Antropologia do Mercosul http://www.ram2011.org/), em Curitiba, semana que vem. Pensando nisso, também, cada vez que vou ao supermercado, especialmente mas não só, presto atenção nos meus próprios sentidos e nos sentidos dos outros e na forma como eles participam das escolhas e decisões dos compradores.
Provocando o paladar...
Outro dia, um casal com um filho pequeno escolhia desodorante para o homem. Os adultos cheiravam o produto e trocavam opiniões, enquanto o pequeno dizia, incessantemente: "deixa eu cheirar, deixa eu cheirar". Bonitinho, queria participar das decisões da família.

Observar os sentidos em ação no supermercado é uma rica fonte de informação sobre nossa sociedade. Vou dar um exemplo: um dia, com uma de minhas informantes, escolhíamos xampu. Ela cheirou o produto de uma marca que não vou citar e disse: "tem cheiro de cabeça de pobre em ônibus".

E a audição, então? Cada vez que transcrevo as gravações das minhas viagens ao supermercado ("shopping trips") percebo como é um ambiente barulhento: as rodas dos carrinhos em atrito com o chão, os motores dos freezers e geladeiras, os bips das caixas registradoras, as conversas dos outros compradores e dos funcionários, mais o que é deliberadamente transmitido nos auto-falantes. Uma sinfornia atordoante que, aliada a todos os outros estímulos sensoriais de uma loja, é capaz de deixar a gente zonza.

Divertido pensar que além de muitas imagens coloridas de embalagens e muitos textos de slogans, os cheiros, os sabores, os sons e as texturas também "poluem" nosso cotidiano como consumidores.

Para ler o texto completo, se alguém tiver curiosidade: http://www.sistemasmart.com.br/ram/arquivos/10_5_2011_18_16_10.pdf

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