sábado, 24 de setembro de 2011

Coisas que acontecem nos mercados, mercadinhos, supermercados e afins

Fui ali na esquina de casa - não é bem na esquina, mas é assim que me refiro ao minimercado que fica aqui perto e ao qual recorro quase diariamente - e assisti uma cena "chocante".

Um homem adulto, professor da universidade (eu o conheço), estava na fila do caixa com três batatas e uma garrafa de coca-cola, aguardando a sua vez de efetuar o pagamento. Seu filho, de uns três ou quatro anos, veio do interior da loja e se encostou nas pernas do pai. Chegada a hora de pagar (tudo muito rápido), o pai perguntou ao filho o que ele tinha nas mãos. O menino, com um sorrisão, mostrou um pacote  de balas de  goma em forma de carros. O pai, então, falou, em tom grosseiro mesmo: "isso aqui é porcaria. É um nojo! Você nem sabe o que é isso". O menino, já meio amedrontado, respondeu "é bala de goma de carros!" O desejo visível em seu rostinho. O pai, então, perguntou à moça do caixa se era bala de goma mesmo. A moça confirmou. "Quanto custa?", perguntou o pai. "Três reais", respondeu a moça. O pai virou-se para o filho: "você quer levar isso? isso é nojento!" e outros impropérios que agora não lembro. O menino com cara de quem quase ia chorar fez que sim com a cabeça. O pai pagou o produto, junto com as outras compras. Virou pra mim e comentou: "faço terrorismo". Saiu dizendo pro menino: "você levou isso, você vai comer isso. isso é um nojo. todo mundo vai ter nojo de você!" A criança, humilhada em "praça pública", mesmo com o pacote de balas na mão, seguiu o pai com um olhar triste, de dar dó.

Bom, são tantas coisas possíveis de pensar a partir desse rápido acontecimento num mercadinho...primeiro: noções de saudável e não saudável (nojo e porcaria). segundo: as incoerências dos adultos - coca-cola pode, bala de goma não pode; xinga, mas leva o produto. formas de educar os filhos. formas como o desejo das crianças é ativado por embalagens e formatos de produtos e assim vai...

Esse lugar de administração da vida privada, que também é um lugar público - o mercado, o minimercado ou o supermercado -, realmente serve para pensar...

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