Fui até Santo Antônio de Lisboa, ontem, para assistir uma apresentação do projeto Tem piano no samba, da minha amiga Cláudia Passos. Bem bacana, recomendo.
Santo Antônio de Lisboa, para quem não conhece, é um calmo lugarejo do lado oeste da ilha de Santa Catarina, com vista para o continente. Tem construções do tempo da colonização ainda preservadas. O mar ali é calmo e se come muito bem por lá. Perto do centro mas parece outro lugar.
Quando chegamos, o trânsito estava complicado. Tivemos que estacionar o carro na estrada que leva para Cacupé. Descobrimos que o motivo para a complicação era a Festa do Divino, que acontecia na igreja. Barraquinhas na praça, cerimônia na igreja. Passamos a pé bem na hora que a procissão saía. Soltavam fogos de artifício. Um rapaz e uma moça vestidos de rei e rainha, seguidos do padre e de uma banda, fotógrafos, cinegrafistas e povo perto. Não muito povo, mas o suficiente para a gente pensar: que cidade é essa que a gente mora e não sabe das coisas que acontecem. Fomos até o bar, onde a Claudia, carioca, ia cantar. Os donos do bar são mineiros e cariocas.
Floripa tem isso, essa aparente mistura de gente que veio recentemente para morar e trouxe sua cultura e gente que sempre viveu aqui e mantém a cultura local. Os primeiros trazem inovações, lojas, shoppings, carrões, alta velocidade. Os segundos, preservam o tempo mais lento, as tradições. Parece que vivemos separadamente. Como se os segundos não existissem, meio invisíveis. O que senti ontem em Santo Antônio de Lisboa foi o mesmo que senti e entendi no ano passado quando fizemos uma pesquisa com mulheres do Campeche e do Ribeirão da Ilha (este, mais preservado).
No Campeche também permanecem as festas da igreja, a vizinhança que se conhece desde sempre - todos são meio parentes, o tempo é lento. Ao mesmo tempo, mesmo que mais acelerado, a especulação imobiliária invade grandes espaços de terra, constroi mega condomínios com salas de cinema, ginástica, piscina.
Nos condomínios, ao contrário de seus vizinhos nativos, ninguém se conhece, não há solidariedade, não há visitas que aparecem para um café, que trazem um pedaço de bolo, que falam da vida alheia, pois as pessoas nem sabem da vida alheia (pelo menos não da vida alheia mais próxima geograficamente).
Nós, os estrangeiros, andamos pelo Campeche, compramos apartamentos por lá e nem percebemos a existência desses vizinhos que lá estão desde sempre. Isso acontece por toda a ilha. Na Lagoa, no Norte, no Sul...
Trocamos nossas vidas em cidades grandes por uma mais calma numa ilha e trazemos junto todas as neuras que tínhamos. Transformações...
Santo Antônio de Lisboa, para quem não conhece, é um calmo lugarejo do lado oeste da ilha de Santa Catarina, com vista para o continente. Tem construções do tempo da colonização ainda preservadas. O mar ali é calmo e se come muito bem por lá. Perto do centro mas parece outro lugar.
Quando chegamos, o trânsito estava complicado. Tivemos que estacionar o carro na estrada que leva para Cacupé. Descobrimos que o motivo para a complicação era a Festa do Divino, que acontecia na igreja. Barraquinhas na praça, cerimônia na igreja. Passamos a pé bem na hora que a procissão saía. Soltavam fogos de artifício. Um rapaz e uma moça vestidos de rei e rainha, seguidos do padre e de uma banda, fotógrafos, cinegrafistas e povo perto. Não muito povo, mas o suficiente para a gente pensar: que cidade é essa que a gente mora e não sabe das coisas que acontecem. Fomos até o bar, onde a Claudia, carioca, ia cantar. Os donos do bar são mineiros e cariocas.
Floripa tem isso, essa aparente mistura de gente que veio recentemente para morar e trouxe sua cultura e gente que sempre viveu aqui e mantém a cultura local. Os primeiros trazem inovações, lojas, shoppings, carrões, alta velocidade. Os segundos, preservam o tempo mais lento, as tradições. Parece que vivemos separadamente. Como se os segundos não existissem, meio invisíveis. O que senti ontem em Santo Antônio de Lisboa foi o mesmo que senti e entendi no ano passado quando fizemos uma pesquisa com mulheres do Campeche e do Ribeirão da Ilha (este, mais preservado).
No Campeche também permanecem as festas da igreja, a vizinhança que se conhece desde sempre - todos são meio parentes, o tempo é lento. Ao mesmo tempo, mesmo que mais acelerado, a especulação imobiliária invade grandes espaços de terra, constroi mega condomínios com salas de cinema, ginástica, piscina.
Nos condomínios, ao contrário de seus vizinhos nativos, ninguém se conhece, não há solidariedade, não há visitas que aparecem para um café, que trazem um pedaço de bolo, que falam da vida alheia, pois as pessoas nem sabem da vida alheia (pelo menos não da vida alheia mais próxima geograficamente).
| Campeche - de um lado da rua... |
| Campeche - o outro lado da rua (foto de 2010, o condomínio deve estar nos finalmentes) |
e essa forma de formigueiro tecnológico não está dando muito certo, o pessoal está cada vez mais nervoso!
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