sexta-feira, 27 de maio de 2011

À deriva em Paris - grosserias e gentilezas

Bem que eu queria, sair em grupo, à deriva, por Paris, como faziam os Situacionistas. Mas não foi bem isso que fiz, quer dizer, quase isso, pois saí de casa com o objetivo de comprar as cordas de violão que me foram encomendadas pelo Daniel. Assim que, até chegar a Rue Victor Massè, eu segui as indicações do Google Maps. É perto da casa da Betina. Com uma parada num restaurante chinês para o almoço, fui direto às cordas.

Aí, como já estava pertinho da Sacre Coer, resolvi ir até lá. Fui subindo, subindo...eu e um monte de turistas, encantados com os artistas de rua, sendo assediados por tipos esquisitos querendo vender bobagens. Até que entrei na igreja bem na hora de uma missa.A missa em si, não me disse muito, pois além de eu não ser religiosa, era falada em francês. Mas tinha uma freirinha cantando com uma voz tão bonita que decidi ficar ali e apreciar o espetáculo por alguns minutos.

Depois de sair da Sacre Coer, caminhei por Monmartre, observando (eu e todos os outros milhares de turistas) os artistas de rua - músicos e pintores. Dos primeiros se ouvia vários tipos de música - de rock a musiquinhas bem francesas, e dos segundos , sentia-se o cheiro da tinta a óleo...

Caminhei até o Moulin Rouge, passando pela frente daquele monte de estabelecimentos sexuais...(como chamar isso?)

Fui vítima de grosserias e gentilezas nas lojas e cafés por onde andei. Por sorte, mais gentilezas do que grosserias...no restaurante chinês e na loja de instrumentos musicais, só gentilezas. Todos com paciência para me explicar, em francês e devagarinho, os detalhes dos pratos e as diferentes marcas de cordas de violão.

Num café e numa loja de sapatos, achei que ia apanhar! No café, era um senhor italiano que estava atendendo. Pedi o café e veio um "corto". Eu queria que ele colocasse mais água...mas não deu nem tempo de tentar me fazer entender. Ele gritou: "cosa voglie?Machiatto?" e atirou na minha frente uma leiteirinha. Nem tentei explicar que era água, botei o leite no café e bebi pra sair correndo dali. Já na sapataria, tentei pedir informações sobre modelos e números de tênis e as respostas eram em tom seco: no! no! no! Saí correndo!

Foi uma derivadinha, pois depois de sair da igreja, fui entrando nas ruelas, mas sempre com alguma noção do caminho de volta...
Andando pelas ruas de Paris, dá pra entender melhor os livros sobre  consumo cotidiano franceses e as lojas da vizinhança.  Em uma mesma rua, várias fruteiras, peixaria e açougue. Coisas que não se vê em Floripa.

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