quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dia fora da casinha - Concerto à noite

Desde que acordei ontem, entendi que era um daqueles dias. Vesti peças que nada tinham a ver umas com as outras, sem conseguir pensar em como combina-las. Saí com o computador grande e mais um monte de coisas que seriam necessárias para trabalhar na UCL. O peso na mochila era tanto que resolvi comprar um carrinho para, como os ingleses, puxar o que tinha que levar em vez de maltratar minha coluna. Parei num caixa automático para sacar o dinheiro do aluguel. Como agora tudo estava no carrinho, decidi já tirar da mochila meu cartão de identificação da universidade e coloca-lo no bolso. Caminhei o resto do percurso, puxando meu novo veículo. Cheguei na UCL, encontrei Thaís e Juliano, almocei com eles e fomos para uma sala no prédio da antropologia para trabalhar. Entrei com Juliano e sua senha. No meio da tarde, precisando de uma folga, fui procurar o meu cartão para poder voltar. Surto! Cadê o cartão? Perdi! Revirei tudo e nada do cartão. Sentimento horrível. Odeio perder coisas. Isso me dá a certeza de estar fora da casinha. Decidi acalmar e esperar até chegar em  casa para procurar, vai ver eu tinha deixado aqui. Voltei ao trabalho. Seis e meia, arrumei as coisas e rumei para casa. Toda atrapalhada, eu estava. Precisava me arrumar para ir com Thaís a um concerto de música clássica. Cheguei e logo comecei a procurar o cartão...revira tudo, tira coisas das malas, das bolsas, da mesa, da cama, olha em baixo da cama, e nada do cartão. Perdi mesmo! De novo o sentimento da atrapalhação se intensificou. Respirei fundo, troquei de roupa e fui para o concerto.

Interessante. O concerto foi rápido. O título "The night shift", com a Ochestra of the Age of Enlightment. A proposta desse concerto, que acontece períodicamente, é atrair jovens para a apreciação da música clássica. Eles montam uma programação diferente, que começa as 9h com música popular ao vivo no Foyer do teatro, e com o bar aberto. Às 9.30, abrem as portas do teatro e às 10h começa a apresentação da orquestra.

No programa distribuído na entrada diz que Drinks are welcome in the hall and you can move in and out of the hall at any time to visit the bar. Além desse estímulo à liberdade de entrar e sair, o programa traz as definições de "classical", Symphony", "Concerto" e "Movement". Adorei!

Na entrada, também são distribuídos brindes como lápis, bolachas de chope, carteiras para Oyster card e beermats (que eu acho que são os broches). No Foyer eles distribuem câmeras fotográficas para que as pessoas tirem fotos criativas do evento e depois visitem o website para vê-las.

Começa a apresentação

Um apresentador troca ideias com o pianista que, de forma bem humorada, explica a peça que vai tocar - os movimentos 3 e 4 do concerto número 4, para piano, em G maior, de Beetoven. Ele fala do piano que é igual ao que  Beetoven usou para compor. Realmente, o instrumento tem um formato diferente e não tem pedais. O músico conta que só teve contato com o instrumento há duas semanas e que ficou sem saber o que fazer com os pés enquanto ensaiava. Sugere à plateia que preste atenção ao diálogo entre o piano e os outros instrumentos da orquestra. A peça é linda e envolvente. O público aplaude ao final com entusiasmo. O pianista se retira.

Segunda parte: a orquestra toca a sinfonia numero 4 de Shubert, em C menor. Tragic. Antes, papo entre o apresentador e o maestro que é uma figura engraçadíssima. Eles falam que Schubert compôs sua quarta sinfonia aos 19 anos. Brincam com a plateia perguntando quem tem 19 anos e o que todos fizeram aos 19 anos. Começa a apresentação. Novamente, envolvente e uma delícia ver a empolgação do maestro e observar os músicos entrando conforme suas vezes, os violinos em ação e o cara da percussão de braços cruzados. Ele só tocou uma vez! Fiquei prestando atenção.

Orquestra é uma doideira por isso. Todos os instrumentos são importantes, uma batida num tambor e o cara fez sua parte para a boa interpretação da música e para a emoção do público. Fiquei tentando também identificar os instrumentos e vi como sou ignorante. Tinha violinos, contra-baixos, violoncelos, flautas e outros instrumentos de sopro que sou incapaz de nomear.

Termina a segunda parte: o povo aplaude animado. Começa um novo papo entre apresentador e maestro. Ele anuncia a última peça da noite: If I only know Susanna (acho que é isso) - a primeira música que tocou com aquela orquestra e que não está listada no programa distribuído. Divertida, animada, empolgante...novamente a galera aplaude. Estranhei que no final do concerto, aplaudiram mas não ficaram em pé. Isso é coisa de brasileiro e de filme?

Três peças e acabou. Fiquei com gostinho de quero mais. Aí vai todo mundo para o Foyer. Alguns vão embora, outros ficam para curtir um DJ e tomar mais alguns drinks até a meia noite.

Boa ideia essa! Se eu soubesse dessas apresentações antes, teria ido a todas no período em que estou aqui.

Para mais informações, visite: http://oae.co.uk/thenightshift/

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