quem nunca se sentiu excluíd@ nessa vida?
Estava aqui a reler o trabalho que vou apresentar na SBS, em Curitiba (de novo), na semana que vem, e fiquei a pensar sobre o tema. No trabalho, falo que o supermercado, apesar de uma aparente inclusão - qq um pode entrar em qq supermercado -, é um espaço de exclusão, pois mesmo que seja possível entrar, parte daqueles produtos expostos nunca poderão ser comprados por tod@s.
Outro dia, uma amiga percebeu, no Angeloni, um refrigerador com caviar e outros produtos de luxo cujos preços eram impraticáveis para a maioria dos mortais. Eu mesma nunca nem percebi - não poder é já um filtro para a percepção que nos protege da sensação de estar excluído.
Porém, quando a nossa própria exclusão, por n possíveis razões, vem à consciência, a dor é grande. Um misto de frustração, raiva, vontade de se rebelar e tristeza. Não ter o poder aquisitivo, não ter a mesma condição financeira dos outros não deveria nos tornar sujeitos de menores direitos, mas torna. Somos excluídos, sumariamente. Nós mesmos nos vemos como sujeitos de menores direitos por não termos dinheiro e afirmamos, conformadamente: não é para mim.
Obviamente a exclusão mais perceptível é a que se relaciona ao poder aquisitivo, mas há outras formas de exclusão em nossa sociedade e que são praticadas disfarçadamente, com base em argumentos racionais. Essas bem mais difíceis de racionalizar: o machismo, a desqualificação de crianças e velhos, os preconceitos em geral que nos colocam em lugares que não merecemos. Esses não são tratados no trabalho que vou apresentar, mas já provei deles e, provavelmente, já os pratiquei.
Quem quiser ler o trabalho completo, que trata de cidadania no supermercado, pode acessá-lo em
http://www.sistemasmart.com.br/sbs2011/arquivos/22_5_2011_8_1_47.pdf
Olá! Sobre esse assunto, exclusão, vi ontem um filme que toca muito nesse tema. Linha de Passe. Filme brasileiro, de 2009, senão me engano (preguiça de conferir no santo google). O que mais me tocou desse tema no filme, foi quando um dos personagens, vendo esvair sua chance de ser jogador, se dirige a uma parede cheia de anúncios de emprego. 18 anos: chega a hora de entrar no mercado de trabalho para sobreviver. Mas fazer o que? A vida até ali foi investir no futebol. Misto de desencantamento, de aflição, de estar fora do lugar, de ser um errado no mundo. O filme é primoroso por traduzir bem esses (entre outros) sentidos. Viver não é bolinho não. Ter consciência da exclusão é angustiante.
ResponderExcluirMas falando em supermercado e exclusão, pergunto-lhe: o supermercado poderia ser lido como um 'não-lugar'? A pergunta vai antes de ler seu texto. Sendo lido como um 'não lugar' e associando com exclusão pensei aqui que deve render mais um bocado de argumentos. Será que pirei?
Inté!
Val
ResponderExcluirescrevi um capítulo da tese discutindo essa ideia de supermercado como não lugar, contrapondo o Augè. Pra mim, supermercado é um lugar. Nesse texto que anexei tem um resuminho dessa ideia de supermercado como lugar relacional, histório e com território (e o que é pior: governo...hehehe)
(esse blogger é louco...não consigo postar comentário no meu próprio blog)
Portanto não piraste não!
bjs
pra mim a exclusão é anterior ao supermercado, é alimentação ser comércio.
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