quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quarta-feira bem agitada

De manhã, fui pra UCL para assistir o seminário do professor Lane: BeiDou, GLONASS, Galileo: Locating the Subjetc in Satelite Cultures. Titulozinho complicado!

Era sobre rastreamento de pessoas por satelite e suas consequências (essas menos tratadas). Acredito que a pesquisa está no início, pois a fala dele foi mais centrada em explicar as diferentes tecnologias, usando o GPS como base, já que as outras, que estavam no título, são menos populares ou ainda inoperantes.

Professor Lane falou também das disputas entre governos sobre as formas de rastreamento e as possibilidades de uso desse tipo de tecnologia. Mostrou um par de tênis, com GPS, usado para que os pais façam o rastreamento de seus filhos adolescentes e, também, o comercial de uma companhia de telefonia celular vendendo a possibilidade de saber onde seus amigos estão. Um tanto assustador!

O que me causou estranheza foi a ausência de discussão teórica sobre a "sociedade do controle". Um pouco fico pensando se os ingleses não são muito auto-centrados e, por isso, evitam citar franceses...Talvez.

De qualquer maneira, o seminário foi interessante, apesar da ausência dos sujeitos rastreados.

E eu fiquei pensando na nossa experiência com a Gilda, a GPS, e o quanto senti que ela sabia onde estávamos, mas nós não. Faltava sempre um mapa analógico pra que eu pudesse me entender nas distâncias e direções. O seminário também me fez pensar em como usamos essas tecnologias sem nos aprofundarmos nos significados e origens delas. O GPS é controlado pelo Departamento de Defesa Americano e eu, simples mortal, permito que eles saibam onde estou!

Depois do seminário, como sempre na UCL, foi oferecido um lanchinho para os alunos: sanduíches e sucos. Acabei não almoçando direito. Passei na biblioteca para pegar mais um livro. Sete em uma semana era pouco pra mim! haha

Voltei pra casa decidida a estudar bastante, até cansar. Preciso escrever o texto da SBS antes do fim da semana que vem! E até que deu para avançar nas leituras, não no texto.

Duas horas depois de chegar em casa, recebi um email da Alessandra chamando para a despedida da Maria, a italiana, que volta para a Itália na sexta-feira. Fiquei animada, especialmente porque o encontro estava marcado para uma estação que eu ainda não conhecia - Golders Green.  O fato de estar chegando ao fim meu período em Londres me faz querer ir só a lugares que não fui ainda. Valeu a pena, a região é bem gracinha, pena que já tinha pouca luz para fotografar. Tà, não é uma atração turística, mas é interessante observar que, apesar de parecerem iguais, cada local em Londres tem uma atmosfera diferente que se percebe logo ao sair da estação do metrô.

Em Golders Green, fomos a um restaurante taiwanese. Eva, a taiwanesa, nos orientou nos pedidos. A comida taiwanesa é difeente da chinesa. O meu prato, por exemplo, era formado por carne de costela preparada em um molho de soja, gengibre e outros temperos (escolhi não spicy. Aliás, o tema do spicy dá um post específico), arroz branco nem tão empapado, um vegetal que não consegui identificar, usado para diminuir o efeito da gordura (informação da Eva) e sopa. Todas tomamos um chá com leite, meio doce demais, pro meu gosto, que vem com umas bolinhas chamadas pearls, que parecem um sagu maior. Mais bonito no copo do que gostoso. A forma de descrever as pearls usada pela Eva: são como ovos de sapo.


Silvia, Eva, Maria, Eu e Alessandra
 Depois do jantar, fomos para Hampstead encontrar Alessandra para uma esticadinha num pub. Novamente lamentei ser de noite, pois o pub fica num entroncamento entre duas ruelinhas lindas, estreitinhas, com casas antigas. O próprio pub é original, com várias salas, todo de madeira por dentro, altíssimo astral! Nem parece Londres, considerando que não há sequer um item moderno na instalação. Chama-se Holly Bush e eu recomendo uma visita.

Às 11h o pub fechou e voltamos para nossas casas.

Para quem queria se concentrar no trabalho, a quarta-feira foi bem agitada!

2 comentários:

  1. Há isso mesmo, de tentar ignorarem-se mutuamente (ingleses e franceses), mas duvido que eles não conheçam Foucault e os desdobramentos da análise sobre poder que pensou aí. De qualquer forma é muito interessante pensar no GPS mesmo. Lembrei tanto do Peirce, quando ele diz que a forma de perceber afeta a nossa forma de pensar e produzir sentido. Não seria por aí quando você fala da diferença entre o mapa analógico e o GPS para ler a paisagem?
    Xiii... me entusiasmei aqui. rá rá rá!!!
    Aproveita, aproveita, que o tempo tá acabando.
    Abraços!

    ResponderExcluir
  2. Vc falou da sociedade de controle, do Deleuze, mas acho que talvez eles achem 'normal' serem rastreados, afinal Londres é campeã em câmeras de controle das ruas, ou era quando isso ainda não tinha se alastrado. Bem, seria menos mal se fosse rixa com franceses e pior se for absoluta falta de consciência e deslumbramento tecnológico.

    ResponderExcluir